quarta-feira, 10 de Agosto de 2016 14:42h Jotha Lee

Prefeito e deputado batem boca e trocam ofensas em rede social

Concessão de mais dois anos para conclusão da ETE do Itapecerica foi o motivo da discórdia

POR JOTHA LEE

jotalee@gazetaoeste.com.br

 

Na sexta-feira da semana passada o prefeito Vladimir Azevedo (PSDB) participou de uma reunião na Agência Reguladora de Água e Esgoto de Minas Gerais (Arsae) ocasião em que a Copasa se comprometeu em iniciar a construção da Estação de Tratamento de Esgoto (ETE) do Rio Itapecerica nos próximos 20 dias. Da reunião também participaram outros representantes do governo municipal, diretores da Agência reguladora e da Copasa. Chamada de reunião de conciliação, o principal objetivo do encontro foi obter um posicionamento da Copasa, que descumpriu o contrato assinado com o município de concluir a ETE até dezembro desse ano e colocá-la em operação em janeiro de 2017. Como as obras não foram nem mesmo iniciadas, chegou-se a um acordo para que o projeto comece a sair do papel nos próximos 20 dias, cuja ordem de serviço, segundo a prefeitura. já foi assinada. A novidade foi o alongamento do prazo para a conclusão da obra. A Copasa ganhou mais dois anos e a ETE, que deveria funcionar em janeiro do ano que vem, só será entregue no final de 2018.

Um dia depois da reunião em Belo Horizonte, o deputado estadual Fabiano Tolentino (PPS) postou um vídeo em sua conta em uma rede social, criticando a decisão. Disse estar indignado com a “prorrogação do contrato” e afirmou que “isso é absurdo, nós não podemos deixar isso acontecer”. O deputado disse ainda que não participou da reunião na Arsae e não compareceria nem que fosse convidado. “Eu não participei da reunião. Eu não fui convidado e se fosse, também não iria. Isso é um absurdo”, criticou.
Tolentino também lembrou que a taxa de esgoto já vem sendo cobrada há cinco anos. “Já tem cinco anos que nós estamos pagando a taxa de esgoto, o que é um absurdo. É uma taxa cara que o povo paga e o governo não faz nada. Não consegue construir uma estação de tratamento de esgoto. Acha que a gente é bobo”, acrescentou.

O deputado disse ainda que vai denunciar o acordo na Assembleia Legislativa e que pedirá uma nova audiência pública, além de ter criticado o governo do prefeito Vladimir Azevedo. “Vamos para a rua se for preciso. É essa a indignação de todos. O prefeito Vladimir, no apagar das luzes do seu mandato, vai a Belo Horizonte fazer mais dois anos de concessão prorrogando o prazo para a Copasa construir a estação de tratamento que ela tinha que fazer agora”, atacou. “Eu não consigo me calar com tanta vergonha para Divinópolis. Sou contrário a essa prorrogação. A Copasa já tinha que ter feito essa obra. E fica registrada minha indignação com o governo de Minas, com o prefeito Vladimir e com todos que participaram dessa audiência. Não vamos deixar barato”, finalizou.

 

PREFEITO

 

O prefeito Vladimir Azevedo respondeu ao deputado ontem. No mesmo tom agressivo, o prefeito também usou a rede social para postar um vídeo no qual afirmou que seu objetivo era “restabelecer a verdade”. Disse que as críticas de Tolentino foram motivadas por puro oportunismo político. “Indignado estou eu com o deputado, por faltar com a verdade e mostrar total omissão e desconhecimento”, afirmou. Vladimir disse que desde sua chegada à prefeitura está lutando para salvar o Rio Itapecerica. “Aqui [na prefeitura] nada encontrei, nenhum rabisco sequer para um plano de despoluição”, garantiu.

O prefeito disse que já conseguiu a ETE do Rio Pará, que segundo ele, trata 300 litros por segundo. Ele justificou o atraso na ETE do Rio Itapecerica saindo em defesa do Estado. “As estações de Ermida e do Itapecerica só não avançaram principalmente por dificuldades do Estado em liberar as licenças ambientais, aí sim, onde o deputado deveria atuar para melhorar a legislação”, atacou.

Vladimir lembrou que a Copasa recebeu três notificações do município. “Bati na mesa e exigi que a obra seja iniciada esse mês”, afirmou. E admitiu que deu mais tempo para Copasa. “Mas toda obras precisa de tempo para se concluída. Da audiência na Arsae saiu um novo cronograma, para que no máximo em um ano e meio, dois anos no máximo, esteja concluído e 100% tratado nosso esgoto”, emendou. Embora tendo concedido mais dois anos para a conclusão da obra que deveria ser entregue em dezembro desse ano, Vladimir Azevedo garantiu que o contrato não foi prorrogado. “Não existe prorrogação de contrato. Afirmar isso é uma atitude covarde”, criticou.

O prefeito falou ainda sobre o valor da tarifa do esgoto, prevista no contrato assinado entre a prefeitura e a Copasa, e mais uma vez transferiu a responsabilidade para o Estado. “Sobre o valor da tarifa, quem define é o Estado. Aí, sim, o deputado deve atuar com mais fiscalização e, quando for o caso, rever a fiscalização”, aconselhou. O prefeito lembrou que até o ano passado Fabiano Tolentino fazia parte do governo com indicação de cargos e, agora, se diz indignado. Disse ainda que, nesse caso da Copasa, a atuação do deputado não pode ser um jogo de cena. Cobrou a atuação de Tolentino na construção do trevo do Icaraí, melhoria na segurança pública, além de ter questionado a atuação do deputado na liberação de recursos para o Hospital São João de Deus e para o Hospital Público. “Não é com tapinhas nas costas, festinhas e câmera na mão, que vai resolver os problemas de Divinópolis. Vamos ao trabalho”, finalizou.

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