sábado, 15 de Fevereiro de 2014 03:14h Atualizado em 19 de Maio de 2014 às 11:41h. Simião Castro

Prefeitura anuncia início de mega projeto de revitalização do Itapecerica

Só a primeira etapa vai custar R$ 1,2 mi e durar um ano. Licitação só deve sair em 2015 e conclusão fica para depois da saída de Vladimir do governo.

Depois de meses afirmando que a revitalização do rio Itapecerica dependia da construção das Estações de Tratamento de Esgoto, administradas pela Copasa, agora a prefeitura divulga um estudo de concepção que norteia a elaboração de um projeto de readequação física do rio. No entanto, o atual estudo de concepção precisa ser transformado em projeto executivo, processo que vai demandar 2014 inteiro. Licitação só deve ser feita ano que vem.

A promessa é de um projeto que contemple o trajeto de 18km que o rio corta na cidade, com a recomposição das encostas, o desassoreamento de pontos críticos, revitalização de matas ciliares, e a construção de barragem de contenção de cheias. O objetivo é restaurar a concepção física do Itapecerica.
De acordo com o prefeito, Vladimir Azevedo, atualmente são despejadas 63 mil toneladas de esgoto in natura por dia no rio. E esse vetor de poluição será neutralizado até o final de 2016, com a construção das Estações de Tratamento de Esgoto pela Copasa. O significado disso é alarmante. “A água que a gente acha que é água é praticamente só esgoto”, diz Vladimir.
Obras
O prefeito assinou ontem um termo de referência para realização de estudos e elaboração do projeto executivo de recuperação do rio. Foi liberado para esta primeira etapa o montante de R$ 1,2 milhão, a serem empregados na elaboração do projeto que deve levar um ano para ficar pronto.
Até 2015 a prefeitura afirma que vai monitorar o trecho do rio no perímetro urbano para identificar os pontos mais vulneráveis, definir as intervenções necessárias e solicitar os licenciamentos ambientais. “Hoje o maior gargalo de todo projeto que envolve APP [Área de Proteção Permanente] é o licenciamento”, diz o coordenador da Defesa Civil de Divinópolis, Dreyfus Rabello.
De acordo com ele, vai ser preciso prejudicar algumas áreas para iniciar as obras, e recuperar tudo depois. O estudo vai abordar diversas frentes técnicas e ambientais, e estar em compatibilidade com o Plano Diretor Municipal, Plano Municipal de Saneamento Básico, e planos regionais e estaduais relacionados. O laudo final vai integrar o projeto executivo. A verba vem por meio de financiamento do PAC 2, do Governo Federal. São cerca de R$ 35 milhões para execução total das obras.
Áreas alagáveis
Espera-se que as intervenções diminuam o impacto das cheias, e que a barragem de contenção minimize os efeitos das enchentes, protegendo os 23% da população ribeirinha, que Divinópolis tem hoje, segundo o prefeito. Esse número corresponde a cerca de um quarto da cidade, com 32 bairros influenciados, entre aqueles à beira do rio e os que ficam às margens de córregos.
As obras são longas e a previsão é que ultrapassem, e muito, o mandato de Vladimir. Segundo ele, são cerca de 60 meses de obras. Para Dreyfus, existe a necessidade do comprometimento do sucessor do prefeito o prosseguimento dos trabalhos. “Ficará para o próximo mandato a obrigação de continuar o processo e fazer a finalização.”
Para a presidente do Comitê da Bacia Hidrográfica do Rio Pará, Regina Greco, a comunidade tem que assumir junto com a prefeitura o compromisso da revitalização do rio. E vai precisar passar por um processo de educação em relação ao lixo, que também é jogado indiscriminadamente no curso d’ água.
Ela defende a barragem de contenção de cheias e reafirma que com a retirada do esgoto do rio a vazão da água vai diminuir muito. “Se nós tivermos a represa de retenção de cheia nós vamos conseguir perfeitamente ter um volume [de água] para o abastecimento. E ter um volume de água que vai continuar dentro do rio durante o período de secas”, afirma.


 

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