quarta-feira, 2 de Abril de 2014 07:19h Atualizado em 2 de Abril de 2014 às 07:27h. Carla Mariela

Prefeitura garante diálogo aberto com servidores, mas sindicato nega

Enquanto representante da mesa permanente afirma que o Executivo está disposto a negociar, servidores municipais relatam que, em um ano, nada do que foi tratado entrou em vigor.

A porta da prefeitura de Divinópolis ontem mais uma vez se tornou cenário de reivindicações dos servidores municipais quanto à correção das distorções nos salários, aumento real retroativo a Janeiro de 2014, aumento do vale refeição, auditoria no Diviprev e realização de concurso público com nomeação imediata. Em coletiva de imprensa na quarta (26), o prefeito Vladimir Azevedo (PSDB) disse que está aberto ao diálogo com estes servidores. A informação foi reforçada ontem pelo membro da mesa permanente, representando a prefeitura, Gilberto Machado. Mas não é o que afirma a diretora do Sindicato dos Trabalhadores Municipais (Sintram), Ivanete Ferreira.
Segundo ela, mesmo com a paralisação realizada no dia 27 de março, o Sindicato ainda não foi procurado para negociações, tanto por parte da mesa permanente, quanto de Vladimir. Segundo ela, já é quase um ano de debate com a mesa permanente e nada se encaminhou. Ela declarou que, após a nova paralisação que ocorreu ontem, no fim do dia seria definido em assembleia o destino do movimento. Ivanete Ferreira ainda assegurou que o objetivo a partir de agora é conversar pessoalmente com o prefeito Vladimir Azevedo para que ele possa de fato atender às solicitações do sindicato.
Gilberto Machado explicou que desde maio do ano passado foi criada a mesa permanente, por meio de um ofício encaminhado para a prefeitura pelo Sintram. Na ocasião, foram criadas três subcomissões para tratar de assuntos específicos como, por exemplo, a comissão da campanha salarial e o vale refeição, a comissão do PCCS e a comissão para outros assuntos.
Para Gilberto Machado, se o que foi colocado em discussão entre os membros da mesa não teve andamento, a culpa não é do Executivo e sim de todos que fazem parte desta mesa, tanto os representantes do Sintram, quanto os representantes da administração municipal. Ele acrescentou dizendo que foram sete encontros, pelos quais se chegaram a alguns avanços. “Dentre os encontros que ocorreram fizemos algumas ponderações que foram acatadas pelos membros do Sintram. A questão do aumento que eles pediam naquela ocasião, chegamos à conclusão e apresentamos para eles, que se tivesse aquele aumento que eles pediam ia prejudicar o servidor. Ficou deles elaborarem uma nova apresentação. Os membros do Sintram entenderam que era preciso um estudo maior e voltariam a apresentar um índice para a rediscussão”, afirmou.
Com relação ao vale refeição, Gilberto Machado, informou que foi feito um levantamento em oito municípios. A conclusão que se chegou foi que o vale refeição de Divinópolis é o mais bem pago de todos os oito municípios. “Nestes estudos que fizemos em relação à média desses oito municípios, chegamos à conclusão de uma média de R$115 do vale refeição que é pago por mês. O nosso é R$154 a média. Em Sete Lagoas, município do mesmo patamar, não existe vale refeição. Governador Valadares, que é maior que Divinópolis, é R$68,20 para quem ganha menos do que R$1.000. Varginha que é um pouco menor é R$128. Foi feita uma proposta dessa subcomissão de que a partir desse ano pudesse ser indexado ao gatilho o aumento do vale refeição. Essa subcomissão levou a mesa permanente e, no entanto, foi levado ao prefeito e o prefeito entendeu que não tinha como fazer esta indexação legalmente. Ele teria que mandar isso para a câmara para votação. Foi feita a proposta, assinada em dezembro na última reunião. Houve avanço nas discussões só que as discussões concretas não avançaram não foi por culpa do Executivo é porque a coisa é muito complexa”, explicou.
Sobre o vale refeição o diretor do Sintram, João Madeira, afirmou que não tem como considerar que o vale refeição é o mais bem pago se tem aproximadamente oito anos que o vale não tem uma revisão.
Gilberto Machado chegou a falar sobre uma projeção para daqui sete anos. De acordo com ele, existe um levantamento que foi feito para o servidor de carreira, e em 2021 a prefeitura não terá dinheiro para a folha de pagamento. “Isso eu apresentei na mesa permanente porque isso que aconteceu não é culpa do governo Vladimir, é uma situação histórica em que se criou muitos benefícios através de legislação, na qual agora proporciona-se um crescimento vegetativo, isso já é automático, como é o gatilho (triênio, quinquênio, anuênio), são automaticamente reajustados, não tem como fugir dele”, enfatizou.
Outro levantamento, segundo Gilberto Machado, foi realizado pelo próprio jornal do Sintram em que a folha de pagamento em 2009 era R$119 milhões. Considerando 2008 um ano base, chegou-se em 2013 com R$193 milhões que foi a folha de pagamento fechada, um crescimento de 88% na folha de pagamento.
Questionado sobre o porquê do sindicato falar que o prefeito não deu reajuste, e sim que ele está seguindo uma lei de 2008, Gilberto deixou a pergunta no ar. “Se vai crescer 5.56% em que vai impactar 600 mil por mês na folha de pagamento, isso não é um reajuste?”
Embora Gilberto Machado dê a entender que 5,56% seja o reajuste e que a mesa e o prefeito estão abertos ao diálogo, o sindicato o desmente dizendo que até agora o prefeito não sentou com os representantes dos servidores para conversar.
A entrevista com Gilberto Machado ocorreu ontem pela manhã, mas por volta das 16h, a assessoria da prefeitura entrou em contato com a Gazeta para dizer que Machado queria falar novamente em nome do prefeito. Ele afirmou que a proposta do prefeito é a seguinte: no dia 08 de abril, às 16h, o gestor se reunirá com os representantes do Sintram e, no dia 09 de abril, também às 16h, ele se reunirá com os representantes do Simmtend. A reportagem ainda entrou em contato com a assessoria do Sintram para saber o destino do movimento, mas não obteve sucesso nas ligações.
Fazem parte da mesa permanente representando o Executivo, o procurador geral do município, Rogério Farnese, o controlador geral do município, Adilson Emerson, o secretário de administração, Gilberto Machado, o secretário de fazenda, Antônio Castelo e o secretário de governo, Honor Caldas. Representam o Sintram, José Alcolano Martins, Ivanete Ferreira, Adelmo Coelho, Juliano Vilela, Albano Rubens, Alberto Gigante e Eduardo Parreirae Claudemir Henrique.

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