Projeto de lei quer retirar cobradores dos ônibus coletivos

O projeto enviado a Câmara Municipal através do prefeito Vladimir Azevedo está para ser votado no dia 18.

O Projeto de Lei 084/2012 está para entrar em votação na Câmara Municipal na próxima terça feira (18). O documento enviado pelo prefeito Vladimir Azevedo, autoriza que aos finais de semana os ônibus com itinerários de menor movimento trafeguem sem a presença do cobrador. Neste caso, o motorista estaria responsável por cobrar as passagens dos usuários.
Porém, o Sindicato dos Trabalhadores em Transporte Rodoviário de Divinópolis não concorda com a mudança e prevê que caso seja aprovado, muitas famílias poderão ficar desempregadas, conforme Erivaldo Adami, presidente do sindicato “Se nós concordarmos com isso, naturalmente vai haver desemprego. Porque começando aos finais de semana, provavelmente essa lei irá se estender durante por mais períodos. E não concordamos com isso, não será bom para os trabalhadores” afirma.
Durante o dia de ontem (13), o sindicato por meio do presidente, promoveu duas assembleias para discutir esse e outros assuntos relacionados aos trabalhadores “ Fizemos contanto com parte dos vereadores já pedindo que não votassem nesse projeto, ou então que pedissem o adiamento desse projeto para o ano que vem. Para discutirmos isso melhor com os  trabalhadores e com a população de uma forma geral. Porque entendemos que isso vai gerar desemprego, pode ser um problema pra cidade. Discutimos também a questão do intervalo da alimentação, que a partir de janeiro a empresa tem que praticar a jornada corrida sem descontar o intervalo de alimentação. Enfim a assembleia de uma forma geral foi boa”salienta. 
A falta de profissionais no mercado, para trabalhar como cobrador e até mesmo motorista, foi segundo o presidente do sindicato, o principal motivo alegado pela empresa de transporte coletivo, para que a lei seja alterada “ Sugerimos que eles aumentassem o salário, ou fizessem um outro tipo de incentivo. Isso, para que venham pessoas trabalhar, para que possa ser interessante ser um  cobrador ou um motorista. Mas, eles não concordam e aí estamos querendo que esse projeto seja retirado de pauta. Para que pelo menos  renegociemos e busquemos outra alternativa para esse problema”diz Erivaldo.
Atualmente a lei garante que para o serviço de transporte coletivo urbano, no mínimo haja um motorista e um cobrador. Isso, em todas as viagens do itinerário “essa lei já é bem antiga. Já está em vigor desde 1992. E agora eles estão querendo mudar, por está razão eu realizei as assembleias. Nós estamos tirando a pauta de reivindicação para começar as negociações agora  em janeiro. Porque a nossa data base é abril, mas vamos antecipar estas discussões”finaliza o presidente do sindicato.
Caso não haja alteração no projeto de lei, o Sindicato informou que pretende mobilizar os trabalhadores a respeito da situação. E se necessário será realizada uma paralisação dos serviços, na cidade. Lembrando que a intenção do sindicato é apenas adiar a votação para que caminhos alternativos sejam tomados. Sem prejudicar os usuários que precisam do serviço, e os trabalhadores que não podem ficar sem o emprego.

 

ACÚMULO DE FUNÇÕES


Em entrevista anterior a  Gazeta, o presidente do Sindicato dos Rodoviários de Divinópolis, relata que as empresas que prestam o serviço de transporte coletivo para a cidade, se encontram em dificuldades de encontrar profissionais disponíveis para trabalhar nessa área. “ Tem muitos motivos pelo qual os trabalhadores não querem trabalhar de motoristas. Porque é uma carga horária pesada, é muita exigência por parte da empresa, vamos dizer assim, por pouca coisa, é uma remuneração não tão boa. Não quer dizer que nosso salário está ruim, mas poderia ser melhor”,afirma.
Entre os motivos relatados pelo representante do sindicato, deve-se ressaltar o fato de que os condutores do transporte coletivo trabalham com a vida das pessoas nas mãos “Transportamos vida, temos que estar atentos 100%. Não podemos ter vacilo nenhum, nem no trânsito nem com os passageiros, então é muita exigência e talvez pouco retorno. Nós queremos trabalhar e prestar um bom serviço para a população, porém, queremos ser valorizados. Coisa que os empresários não estão fazendo” esclarece Erivaldo Adami.
 

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