quarta-feira, 31 de Outubro de 2012 04:14h Gazeta do Oeste

PSDB precisa 'oxigenar-se', defende especialista

 Em toda a sua história, iniciada em 1988, o PSDB lançou apenas três nomes - Mário Covas, Geraldo Alckmin e José Serra - como candidatos nas eleições majoritárias de São Paulo, se considerados apenas o governo estadual e a Prefeitura da capital - exceção feita a Fábio Feldman, que disputou a Prefeitura em 1992. Nas eleições municipais deste ano, era o momento de "oxigenar" o partido e lançar novos nomes na disputa, analisa o cientista político e professor do Insper Humberto Dantas. "Diante de tal cenário, 2012 não era o momento de o partido lançar novas lideranças na cidade, com o objetivo de, no mínimo, oxigenar-se?", questiona. "Olhando para trás, com o conforto de uma análise pautada em resultados consolidados: sim", reforça.

Dantas ressalta que o trio obteve um bom desempenho nas disputas que participou, especialmente no governo do Estado. A Prefeitura porém foi vencida apenas uma vez, em 2004, por Serra. "Ao todo, os três estiveram em 12 das 13 eleições consideradas. São seis derrotas e seis vitórias. O aproveitamento não é ruim, sobretudo porque no governo do Estado, por exemplo, as duas últimas vitórias vieram em primeiro turno, com Serra em 2006 e Alckmin em 2010, e o poder é tucano desde 1º de janeiro de 1995. Na capital, entretanto, vitória apenas em 2004, utilizada como trampolim (por José Serra) já em 2006", avalia.

Um dos fatores que justificam a necessidade de "oxigenar" o partido é justamente a passagem do tempo, ressalta Dantas. "Serra tem 70 anos e Alckmin completa 60 dia 07 de novembro, tendo se fortalecido politicamente, sobretudo, após o falecimento de Mário Covas, de quem herdou o governo estadual em 2001. Seu semblante de novidade já venceu, levando em conta que Alckmin está nas grandes pistas eleitorais faz 12 anos."

Dantas afirma ainda que, somado ao ex-presidente Fernando Henrique Cardoso, apenas esses líderes paulistas concorreram à Presidência da República pelo PSDB, sem espaço para outros nomes de fora de São Paulo. "Alckmin, junto com Serra, somam as três derrotas recentes do PSDB ao Palácio do Planalto. Se considerarmos Covas em 1989, o trio tem todas as derrocadas tucanas nacionais, existindo quem abra mão de Fernando Henrique Cardoso. E por falar nesse quarteto, o brasileiro nunca votou num político tucano de fora de São Paulo para o Planalto", afirma.

Para Dantas, qualquer tentativa de surgirem novos nomes entre os quadros do PSDB esbarra na "truculência" das forças internas, "viciadas na fórmula Covas-Alckmin-Serra". "Basta que lembremos as prévias de 2012, onde quatro 'nomes estranhos' à massa paulistana poderiam ter sido construídos numa cidade que apontava índices expressivos de vontade de renovação e insatisfação com o atual prefeito, fortemente ligado a um dos eixos do trio. "Assim, na onda de Kassab e sobre a prancha de um discurso odioso e antipetista que costuma afundar quando a fonte não é desejada, Serra sucumbiu e, de sobra, acumulou rejeição espantosa. Alckmin ainda tem a seu favor o fato de que o cargo de governador pode ser renovado em 2014. Ou seja: o PSDB não será cobrado por novidade em São Paulo quando seu governador tem a esperada chance da reeleição", avalia.

Dantas questiona o que será do partido a partir de 2016, quando ocorrem novas eleições municipais, e em 2018, as estaduais sem possibilidade de reeleição de Alckmin. "Mas o que será dos tucanos em 2016, numa cidade em que o partido não costuma ter êxito? E num Estado que, caso renove os laços com seu governador em 2014, estará carente para 2018? Reeditará o legado de Covas sob o aval da força do DNA? Apresentará 'novas candidaturas' de Serra?" Para ele, caso a opção seja por Serra, o PSDB irá demonstrar uma "significativa incapacidade de se planejar enquanto partido". E conclui: "Respostas estratégicas às demais perguntas devem tomar conta da agenda tucana urgentemente."

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