quarta-feira, 24 de Outubro de 2012 09:22h Gazeta do Oeste

PT colheu benefícios do mensalão, diz analista

 O escândalo do mensalão, tratado basicamente sob a ótica do prejuízo eleitoral ao PT, produziu, no final das contas, benefícios ao partido por forçar a renovação da sua seção paulista e projetar novas lideranças de seus quadros técnicos para disputar eleições. É o que avalia o cientista político, professor e vice-coordenador do curso de administração pública da Fundação Getúlio Vargas (FGV) Marco Antonio Carvalho Teixeira. "Parecia o fim da história para os petistas. Membros da oposição chegaram a pedir a extinção do partido e a ameaçar o então presidente Lula de uma surra pública. Ao contrário do que muitos imaginam, o mensalão também produziu benefícios para o PT ao, praticamente, obrigar sua seção paulista a se renovar e, com isso, projetar novas lideranças recrutadas de seus quadros técnicos, para as disputas eleitorais."

Teixeira lembra que, na primeira eleição ocorrida após o escândalo ser deflagrado, em 2006, quando o ex-presidente Luiz Inácio Lula da Silva foi reeleito, o tema foi explorado pela oposição, que chegou a considerar Lula "previamente derrotado". "Com a vitória do petista, o problema saiu da agenda partidária" comenta, ressaltando que o peso político das lideranças envolvidas ajudaram a entender a "inexistência de medidas imediatas no próprio PT". Já em 2008, Teixeira afirma que o tema foi menos usado. "Nas eleições de 2008, o mensalão foi pouco explorado e o fraco desempenho do partido em algumas capitais, como São Paulo e Porto Alegre, pode ser atribuído às dificuldades de seus candidatos."

Teixeira afirma que em 2010, com a impossibilidade de Lula reeleger-se, o partido se viu na necessidade de "construir" uma nova alternativa. "Era preciso alguém sem passado político eleitoral. Dessa forma, chegou-se ao nome de Dilma Rousseff, um quadro com pouco tempo nas fileiras petistas e que tinha trajetória anterior de militância política no PDT brizolista", avalia. Ele destaca duas razões que garantiram o nome de Dilma como candidata à Presidência em 2010: "A primeira foi a perda de prestígio das lideranças nacionais do PT diante da repercussão negativa do mensalão. A segunda decorre do fato de Lula ter percebido a necessidade de se construir uma alternativa e jogar todo o prestígio político de seu governo na viabilização eleitoral na construção desse nome. Foi assim que Dilma, até então uma técnica sem militância partidária orgânica, tornou-se candidata e foi eleita presidente da República."

Novamente em 2012 o mensalão voltou ao centro das preocupações eleitorais, já que o julgamento do escândalo seria realizado paralelamente ao pleito. Teixeira afirma que o partido teve a "necessidade de lançar candidatos sem vínculos com esse escândalo, e que representassem uma nova perspectiva de conduta política frente aos eleitores". E cita exemplos de como o partido contornou a situação no Estado de São Paulo.

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