quinta-feira, 12 de Novembro de 2015 09:06h Atualizado em 12 de Novembro de 2015 às 09:13h. Jotha Lee

Relator da Comissão de Saúde diz que falta credibilidade à direção do São João de Deus

Hospital não consegue montar equipe médica para preencher vagas na UTI

O vereador Marquinhos Clementino (PROS), relator da Comissão de Saúde da Câmara Municipal, fez duras críticas à gestão do Hospital São João de Deus (HSJD) e denunciou o descumprimento do acordo firmado com o Estado em outubro, para abertura de 20 novas vagas na Unidade de Tratamento Intensivo (UTI), embora, segundo ele, os recursos estejam sendo repassados pelo governo.
Em outubro, o governo do Estado anunciou oficialmente que o HSJD teria vinte leitos de UTI adulto reativados, triplicando a quantidade atual de vagas. O serviço foi suspenso em fevereiro deste ano por causa de dívidas deixadas pela gestão anterior, que afundou o hospital na maior crise dos seus 40 anos de história. Segundo o governo estadual, desde então, a Secretaria de Estado de Saúde de Minas Gerais (SES) abriu diálogo com os gestores locais e a reabertura das vinte vagas de tratamento intensivo é um passo importante para a redução da demanda reprimida de leitos de UTI na região. Ficou acordado que seriam reabertos dez leitos imediatamente e os outros dez até o fim do ano.
Em nota, a SES informou que para a manutenção desses leitos, o governo estadual vai dar um aporte financeiro de R$ 1,4 milhão ao mês (cerca de R$ 17 milhões anuais). O repasse da verba foi autorizado no último dia 8 de outubro. As vagas são destinadas a internações exclusivamente em caráter de urgência e emergência, e prioritariamente em cardiologia, ortopedia e neurologia de alta complexidade.

 

 

 

META DECUMPRIDA
No início desse mês, foi anunciado que seriam reabertos dez leitos de UTI no HSJD conforme o cronograma acertado com o Estado, no entanto isso não aconteceu e somente cinco estão em operação. De acordo com Marquinhos Clementino, o descumprimento da meta se deve à dificuldade de o hospital montar a equipe. “Na verdade só foram abertos cinco leitos e a sala vermelha ainda não está funcionando. Os recursos estão sendo disponibilizados pelo governo do Estado, como foi combinado. O problema é que o hospital não consegue montar uma equipe [de UTI] para atender a demanda”, garantiu.
Ainda de acordo com o relator da Comissão de Saúde, os atrasos no pagamento dos profissionais é um dos motivos para a dificuldade na formação da equipe. “A não abertura [dos novos leitos de UTI] tem como fato gerador a dificuldade na montagem da equipe, em virtude dos sucessivos atrasos no pagamento de honorários médicos, o que acarretou na perda de credibilidade, ou seja, a atual direção do hospital não tem credibilidade junto aos profissionais da saúde”, assegurou. “O risco que se tem é que o governo opte em destinar esses recursos à outra unidade hospitalar, talvez fora do município de Divinópolis, para atender nossas demandas. Será um transtorno muito maior deslocar as pessoas que necessitarem de atendimento de Divinópolis para outra cidade, porque a gestão do hospital não tem sido feita a contento e não tem credibilidade para fazê-lo em Divinópolis”, acrescentou.
De acordo com Marquinhos Clementino, além da gestão deficitária, o HSJD também já enfrenta problemas estruturais. “O hospital precisa ter estrutura. A gente observa em alguns pontos fissuras e mofo nas paredes. Além dessa equipe para trabalhar e atender a população, o hospital precisa de manutenção quase que constante do espaço físico, para que não ocorra uma deterioração e no futuro, talvez muito próximo, criar situações de alas interditadas, impróprias para atendimento à população”, finalizou.
Através da assessoria de imprensa, o HSJD negou que haja dificuldades na montagem da equipe para os novos leitos de UTI e informou que cinco leitos já estão funcionando e os outros cinco, dos dez previstos nesta primeira etapa, estão aguardando a formação do corpo clínico. Disse ainda que está sendo feita uma reorganização física, necessária para acomodar os novos leitos. Ainda de acordo com o Hospital, as equipes contratadas passam antes por um treinamento, já que para a atividade em uma unidade de tratamento intensivo é preciso que o profissional esteja bem preparado. Informou, ainda, que as contratações de pessoal continuam sendo feitas, porém não tem previsão de quando os cinco novos leitos estarão em funcionamento.
De acordo com a Secretaria de Estado da Saúde, o Hospital São João de Deus possui 381 leitos totais, dos quais 245 são destinados ao SUS e destes 10 são de UTI para adultos, seis de UTI neonatal e dois de UTI pediátrica. Trata-se do único hospital da região com habilitações e capacidade operacional de realização de procedimentos de alta complexidade em oncologia, cardiologia, ortopedia, neurologia e terapia renal substitutiva.

 

Créditos: Liziane Ricardo/CMD
Créditos: Jotha Lee

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