sexta-feira, 1 de Julho de 2011 17:02h Atualizado em 3 de Julho de 2011 às 08:09h. Flávia Brandão

Relatório Final da CPI do Calçamento é aprovado

Mas polêmica continua...

A conhecida “CPI do Calçamento”, que foi instalada para apurar denúncias a respeito do desvio de pedras de calçamento no município de Divinópolis, em 2010, chegou oficialmente ao fim, dentro da Câmara Municipal, com a aprovação do Decreto n CM 001/2011 aprovado por dez votos favoráveis na última quinta-feira (30). O vereador Edson Sousa (sem partido) - que participou dos trabalhos da Comissão até certo momento - apresentou a emenda nº CM - 045/2011, na verdade um “relatório alternativo”, mas o mesmo foi rejeitado por oito votos e uma abstenção.  Mas a polêmica parece ter acabado apenas no Legislativo porque de acordo com o parlamentar e a vereadora Heloísa Cerri (PV) - que também integrou a CPI e se recusou a assinar o relatório final - a providência agora será levar a investigação para a Polícia Federal e o Ministério Público.


O relator da CPI, Antônio Paduano (DEM), afirmou que o relatório feito pela Comissão Parlamentar de Inquérito foi aprovado pela maioria absoluta em plenário e cabe agora o arquivamento do caso. “O relatório feito pela comissão é o que foi aprovado, o relatório alternativo do vereador Edson foi derrotado, ou seja, não existe relatório paralelo. Como foi aprovado pela maioria absoluta, agora o relatório final será arquivado. Dentro das oitivas não teve nenhuma pessoa que confirmou a denúncia de desvio de pedras de calçamento, de forma que ela tornou-se uma denúncia vazia, então não tínhamos elementos para prosseguir”, declarou. O parlamentar afirmou ainda que o vereador Edson foi substituído na CPI porque ele estava suspenso do PDT.


O vereador Beto Machado (PSDB) avaliou que a investigação só trouxe prejuízos para a população que teve as obras de calçamento paralisadas e no final nada foi comprovado.  O parlamentar juntamente com os vereadores Edmar Rodrigues (PRTB), Rodyson do Zé Milton (PSDB) e Hilton de Aguiar, durante seus discursos, ressaltaram a ética do vereador Paduano, que tem mais de 40 anos de vida pública, o que demonstra a seriedade de seu trabalho e falaram que é preciso ter respeito ao relatório e ao trabalho desempenhado pelos demais vereadores que participaram da comissão.
Já para a vereadora Heloísa Cerri o relatório é o “colapso da moral e da justiça na Câmara Municipal”. “O relatório da CPI é uma abominação. Vimos testemunhas serem manipuladas, vimos que a verdade não prevaleceu. Então não posso concordar com isso de jeito nenhum por isso votei contra o resultado. O processo não foi conduzido com lisura, ele foi o de intimidação de testemunhas, não foi o que deveria ter vindo à tona”, declarou. A parlamentar afirmou que o único caminho para que a denúncia seja apurada com seriedade é no Ministério Público e na Polícia Federal e é isso que ela e o vereador Edson irão fazer.


Em plenário o vereador Edson Sousa afirma  foi expulso da CPI por uma manobra política e que o líder do governo Edmar Rodrigues o substituiu na Comissão e declarou que uma testemunha foi ameaçada de morte. Em entrevista à Gazeta, afirmou que hoje o governo do PSDB quer oprimir a consciência crítica no município. “Vou pegar o relatório e vou encaminhar para a Polícia Federal e o MP porque nesse relatório, dentro dessa denúncia que foi feita pelo jornalista Itamar de Oliveira, tem coisa gritando. Você pode ver que o Governo está tentando oprimir a consciência crítica no município. Hoje quem tem uma consciência crítica contra o PSDB, corre o risco de muita coisa. Um relatório alternativo onde eu faço críticas e os vereadores não apuram, não aceitam e não concordam”, destacou Edson.


O vereador Edmar Rodrigues, em plenário, rebateu a afirmação de Edson e disse que “nomeado” pela mesa diretora e que em nenhum momento pediu para substituir o parlamentar na Comissão. O presidente da Câmara, Pastor Paulo César (PRB)  endossou a justificativa de Edmar e ressaltou que quando o parlamentar foi nomeado ainda não era o líder do governo.

 

 


Ameaças de Morte

 

Questionado se alguma testemunha havia falado em ameaça de morte, o relator Paduano disse que teve sim um senhor que falou que “iria fechar a porta do caixão se falasse”, mas depois durante a oitiva foi apurado que essa testemunha havia trabalhado em outra administração e não na do prefeito Vladimir e que hoje era motorista de ônibus e trabalhava em outra cidade. “Então ficou o dito por não dito, nós não sabíamos qual era o mandato em que ele foi ameaçado e na verdade estávamos apurando denúncias no governo Vladimir”, declarou o vereador.

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