Santa Casa de Formiga admite pedir revisão do contrato de gestão da UPA-24h

Primeiro-secretário diz que Fundação pode suspender atendimento

A comissão interventora da Fundação Santa Casa, da cidade de Formiga, responsável pela administração da UPA-24h, em Divinópolis, ainda não tem os números definitivos sobre a situação da entidade. A Fundação sofreu intervenção no dia 18 de dezembro do ano passado e está sendo administrada por uma Mesa Administrativa interventora. Duas empresas de auditoria estão trabalhando para traçar um mapa definitivo da má gestão da diretoria afastada, comandada pelo médico Geraldo Couto.
Ontem o provedor Rui Sobreira confirmou que há uma dívida de R$ 16 milhões, mas garantiu que o débito é perfeitamente negociável. “A maior parte dessa dívida é com empréstimos bancários para pagamento em longo prazo, portando de fácil negociação. Há dívidas que precisam ser quitadas com mais urgência como, por exemplo, a dívida de R$ 1 milhão com o cheque especial e os salários atrasados da classe médica”, explicou.
De acordo com Rui, o pagamento dos funcionários da Fundação Santa Casa foram quitados ontem. “Estamos trabalhando muito, mas as coisas não se resolvem do dia para a noite, pois encontramos uma situação muito complicada”, afirmou. “Ainda não é possível fazer um planejamento, pois o período de trabalho foi muito curto e os problemas são muitos, são muitas situações que precisam de solução de urgência e só depois disso poderemos planejar com cuidado”, acrescentou.
Ele admitiu que a Santa Casa precisa fazer alguns ajustes, incluindo a redução de despesas. “Precisamos enxugar a máquina e para isso poderemos romper alguns contratos com empresas terceirizadas, inclusive com médicos”, afirmou Rui.

 

 

DIVINÓPOLIS
O provedor da Santa Casa garantiu que os serviços da UPA-24h em Divinópolis estão normais e por enquanto não há nenhum tipo de modificação na estrutura e organograma de trabalho da unidade. “Devemos fazer em médio prazo uma reavaliação do serviço prestado em Divinópolis e se considerarmos que o contrato para gestão da UPA não está adequado, vamos tentar uma revisão”, disse.
Ao contrário de Rui, o primeiro-secretário da Mesa Administrativa da Santa Casa, Calos Lamounier, afirma que o contrato de prestação de serviços para gestão da UPA não é compensador. “Temos analisado friamente esse contrato, pois ele não tem sido rentável para a Santa Casa que recebe, mas repassa os valores para pagar funcionários e empresas contratadas para prestar alguns serviços na UPA, sem ter um lucro que compense o risco do contrato”, assegurou. Ele disse ainda que se não forem injetados pelo menos R$ 3 milhões nos próximos dias, é grande a possibilidade de interrupção no atendimento da Santa Casa.
O contrato de gestão da UPA entre o município de Divinópolis e a Santa Casa tem duração de cinco anos. Por esse período de contrato, a entidade deve repassar à Prefeitura R$ 95,4 milhões, R$ 1,599 milhão ao mês. Em caso de rescisão, a multa prevista é de 5% do valor total do contrato.

 

 

DÍVIDAS
A Gazeta do Oeste apurou que a Fundação Santa Casa tem cerca de R$ 3 milhões a receber, sendo R$ 2,4 milhões da Secretaria de Estado de Saúde e R$ 723,4 mil da Prefeitura de Formiga. Porém, não há previsão de que esses pagamentos sejam efetuados em curto prazo. Os salários dos médicos plantonistas estão atrasados há meses, o mesmo acontece com fornecedores, o que tem provocado falta de material. Uma fonte disse que os médicos já ameaçam suspender o atendimento, o que aumentaria ainda mais a crise na Fundação.
Rui admite todas essas dificuldades e diz que há muitos interesses políticos que atrapalham ainda mais a solução dos problemas. “Estamos agindo com a rapidez que a situação exige, mas não é possível sanar todas as dificuldades de uma só vez. Há muita ingerência política, muita informação equivocada e tudo isso atrapalha o processo”, finaliza.

 

Crédito: Portal Última Hora

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