terça-feira, 8 de Setembro de 2015 09:51h Atualizado em 8 de Setembro de 2015 às 09:53h. Jotha Lee

Secretário de Estado do Paraná dá a receita para gestão pública eficiente

A convite da Regional Centro-Oeste da Federação das Indústrias do Estado de Minas Gerais (Fiemg), o Secretário de Estado do Planejamento do Paraná, Silvio Barros, fez palestra em Divinópolis na noite da última quinta-feira

Com o auditório da Fiemg praticamente lotado, Barros falou para empresários e lideranças políticas, abordando a vitoriosa experiência de gestão pública adotada em Maringá, a terceira maior cidade paranaense, localizada no norte central do Estado.
Com 397.437 habitantes, conforme estimativa populacional divulgada na semana passada pelo Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE), Maringá é a terceira maior cidade do estado e a sétima mais populosa da região sul do país. Destaca-se pela qualidade de vida oferecida a seus moradores e por ser um importante entroncamento rodoviário regional. É considerada uma das cidades mais arborizadas e limpas do país.
Com extenso currículo de serviços prestados ao setor público e com a autoridade de quem foi prefeito de Maringá por dois mandatos consecutivos (2005 a 2012) o engenheiro ambiental, Sílvio Barros, hoje Secretário de Estado do Planejamento, mostra com orgulho alguns indicadores que medem a qualidade de vida, nos quais Maringá se destaca como a segunda cidade paranaense e com ocupação destacada na comparação nacional. Entre os orgulhos de Barros está a segunda colocação em saneamento básico em nível nacional e a 15ª melhor cidade do país para se fazer negócios. Barros atribui essa situação a uma gestão eficiente e compartilhada com a sociedade civil organizada.

 

ENTREVISTA
Em entrevista ao Gazeta do Oeste, Silvio Barros discorreu sobre os caminhos que tornaram Maringá uma das cidades mais destacadas do país. “Isso nasceu de uma parceria entre a sociedade civil organizada e a prefeitura, que ajudou a combater os desvios de dinheiro público e a falta de planejamento”, explicou. Barros garante que a falta de planejamento das cidades é um problema nacional.  “As cidades não assumem uma responsabilidade no sentido de saber para onde ela quer ir no futuro. O único jeito de saber se a cidade vai ser melhor ou não no futuro, é fazendo um planejamento e executar o projeto”, ensina.
Sílvio Barros alerta que os prefeitos trabalham de quatro em quatro anos e não podem fazer um planejamento para oito, mesmo tentando a reeleição, pois corre o risco de não serem reeleitos. “Os prefeitos têm uma chance dada pelo povo e, se fizer direitinho, ele consegue a reeleição, por isso não adianta fazer campanha de oito anos. Tem que fazer campanha de quatro”, afirma. “Portanto, a cidade vai de quatro em quatro anos. Se no meio dessa mudança [de gestão], trocar o partido político, tudo que ela avançou nos quatro anos, pode ficar para traz. Obras que ficaram no meio do caminho, podem ser paralisadas”, sentencia.
Para Silvio Barros, é preciso “vacinar” as cidades contra a descontinuidade política.  “Em Maringá, as lideranças da sociedade civil organizada resolveram fazer um planejamento para 20 anos e assumiram a posição de donos da cidade. O prefeito se tornou um executivo que a gente contrata pelo voto para administrar nossa cidade e trabalha para nós. A partir do momento que a cidade tem um plano e o apresenta para todos os candidatos e colhe deles um compromisso público formal de que ele vai executar aquilo que a cidade considera como necessário, a gente consegue a vacina contra a descontinuidade política”, explica. “Isso não é o que eu acho, é o que aconteceu em Maringá e tem sido assim há 18 anos”, completa.
Silvio Barros ensina, ainda, que o planejamento feito pela sociedade tem que ter legitimidade. “Esse planejamento tem que ser legítimo e não pode ser orientado por interesses de um ou de outro ou de determinadas pessoas. Ele tem que ser de interesse coletivo e por isso tem que ser feito pela sociedade civil organizada”, esclarece. “O que aconteceu em Maringá é que todos os segmentos se uniram para trabalhar no sentido maior, que é a cidade como um todo. A partir daí começaram a elaborar planejamentos de longo prazo para a cidade. Tudo começou em 1996 com planejamento até 2020. Em 2009, esse planejamento foi atualizado para 2030 e, agora, a cidade já está sendo pensada para 2047”, contou.
Barros explicou que essa união de forças em Maringá só foi possível com muita consciência política, que permitiu a criação de um Conselho de Desenvolvimento apartidário, com a participação de todos os segmentos da sociedade. Responsável pela elaboração do planejamento da cidade, o Conselho acompanha a administração fiscalizando a aplicação dos recursos e a execução do plano. “A partir do momento em que a sociedade se organiza dessa maneira, se o candidato a prefeito não for sinceramente comprometido com essa proposta, ele simplesmente não será prefeito”, concluiu.

 

Créditos: Jotha Lee

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