Secretário reafirma qualidade ruim de ultrassom

Gilmar dos Santos alega que equipamento não estava "encaixotado".Heloisa Cerri afirmou que gestores da Semusa assinaram atestado de incompetência

A vereadora Heloísa Cerri (PV), no último dia 18, questionou as críticas do secretário adjunto da Secretaria Municipal de Saúde, Gilmar Santos, feitas na rede social Twitter a respeito do aparelho de ultrassom, que foi adquirido por meio de recursos de uma emenda do deputado estadual, Inácio Franco (PV), em novembro de 2009, no valor de R$80 mil. A parlamentar - que intermediou a destinação dos recursos a Divinópolis - ficou indignada com a declaração e pediu o acionamento da Comissão de Saúde para verificar qual aparelho foi comprado e a situação do mesmo, uma vez que informações constam que ele não estava sendo utilizado. Em entrevista a Gazeta, o secretário Gilmar Santos reafirmou a qualidade ruim do aparelho, mas disse que o mesmo não está “encaixotado”.


Heloísa Cerri conta que a verba do deputado Inácio foi encaminhada em novembro de 2009 e em março de 2010, a secretaria de saúde, Rosenilce Cherie, enviou um ofício questionando qual o aparelho poderia ser comprado no valor de R$80 mil. A vereadora diz que apesar de ser competência da pasta, ela encaminhou todas as recomendações de um equipamento dentro dos recursos, da marca GE. Na época, foi acordado que a Prefeitura arcaria com a contrapartida de 10%, ou seja, seria o total de R$ 88mil para adquirir o equipamento. “Eu mandei correspondência para várias empresas e conseguiu um “top de linha” por 85 mil reais. No mínimo que eles tinham que fazer é colocar R$5 mil. Só que eles compraram um aparelho de 69 mil e agora vem dizer no horário de trabalho “tuitando” que o aparelho é de péssima qualidade”, declarou a parlamentar.
Heloísa Cerri afirma que os atuais gestores da Semusa estão assinando o “atestado de própria incompetência”, já que eles estão criticando um aparelho que eles mesmos compraram. A parlamentar disse que o aparelho, segundo informações, não havia sido utilizado até então.
Qualidade aparelho
De acordo com o secretário adjunto, Gilmar Santos, o ultrassom “não está na caixa”. De acordo com ofício da coordenadora da Policlínica, Jane Lima, o equipamento de ultrassom vem sendo utilizado, regularmente, desde 05 de setembro, para os seguintes exames de ultrassom: abdome, articulação, aparelho urinário, próstata (via abdominal), de tireóide, mamária bilateral, pélvica, transvaginal.


No período anterior a 5 de setembro, Jane afirma  que o ultrassom estava sendo utilizado com menor frequência - apenas para procedimentos de mastologia - considerando que nesse período havia a disponibilidade de outro aparelho da marca Phillips, que hoje está em reparo. Jane conta que esse ultrassom da marca Phillips é avaliado como de melhor qualidade em resolução/imagem por todos os ultrassonografistas da policlínica. 
No entanto, a coordenadora esclareceu que o aparelho nunca ficou “encaixotado” e sempre foi utilizado pelo mastologista Dr. Geraldo Magela para as “biopsias guiadas por ultrassom”, desde que foi para a Policlínica em 2010. Jane diz que o aparelho faz todos os exames, mas demanda um tempo maior dos profissionais, por isso não permite um maior número de exames.


Solange Guimarães, médica ultrassonografista da Policlínica, diz que a qualidade do aparelho deixa um pouco a desejar em relação ao outro equipamento da marca Philips. “Ele atende, mas não é 100%. Ideal, ele não é não”, declarou a médica.


Ainda de acordo com Jane há apenas uma recomendação de um médico, no caso Alexandre Macedo, que se nega a fazer o exame obstétrico. Diz o médico em comunicado a Semusa: “não realizarei os ultrassons obstétricos em aparelhos de ultrassonografia de baixa qualidade, visto que é a área que tem o maior número de processo contra médicos. Aguardo que o aparelho Envisor da Phillips, no qual eram realizados os exames anteriormente e que tem boa qualidade, seja consertado o mais breve possível”. 


Segundo Gilmar até na próxima semana o aparelho da Philips voltará do reparo para a Policlínica.


Processo licitatório


Gilmar Santos explica que na época em que Heloísa Cerri (PV) conseguiu a emenda, foi alertado pela epidemiologia da Semusa, que não havia “necessidade de urgência” para aquisição do ultrassom para a Policlínica, já que havia um Phillips, de “ótima qualidade” atendendo a população. Além disso, na época o consórcio de municípios CISVI, que atende Divinópolis, tinha acabado de comprar um no valor de R$130 mil.


Dessa forma, a Semusa sugeriu a destinação dos recursos ao setor de oftalmologia, que já estava com problemas e precisando reformar alguns aparelhos e a verba poderia então ser totalmente utilizada. No entanto, Gilmar afirma que a vereadora não concordou.


O secretário alega que o setor público precisa de equipamentos de “qualidade bem superior” dos que os utilizados em consultórios médicos e com a verba de R$ 80 mil não seria possível comprar um equipamento de boa qualidade, a exemplo ele cita que o próprio CISVI havia acabado de comprar um ultrassom por R$130mil. “Nós vimos que os 80 mil seriam insuficientes porque o município não disporia de recursos para complementar essa emenda”, declarou.


Impasse


  Diante desse impasse, ele disse que a secretária de saúde, Cherie Mourão, então  encaminhou realmente o citado ofício, em março de 2010, para a vereadora Heloísa Cerri para que a própria edil indicasse o equipamento com a descrição técnica até o limite de R$80mil.  Gilmar reafirma a fala da vereadora, onde foi enviado por ela uma proposta da empresa GE, no valor de até R$85 mil. A partir daí a Semusa abriu os dois processos licitatórios de compra até esse valor de R$85 mil. No segundo duas empresas foram classificadas, no caso a GE e Anima Médica.

 

 

No entanto, Gilmar disse que nos processos licitatórios, o poder público não pode “indicar marcas” e vence quem tem o menor preço e no caso foi a Anima Médica, que apresentou o valor de R$64 mil. “Abrimos processo de licitação com o teto máximo de R$85 mil, com as especificações do ultrassom sugerido pela vereadora. Agora na licitação não posso direcionar marca porque isso é corrupção.”, disse.


Gilmar afirmou que se a vereadora acompanhasse a prestação de contas ela já saberia qual equipamento foi adquirido e o valor já devolvido para os cofres do Estado de R$19.652,72.


Twitter


Questionado sobre a declaração no twitter, no horário de trabalho, falando da qualidade do ultrassom, Gilmar Santos disse que foi questionado no twitter por um cidadão, se o ultrassom estava “encaixotado” e por isso respondeu que “não”, no entanto o mesmo era de “qualidade péssima conforme relatos dos próprios médicos que trabalham na Policlínica”.


O secretário disse que fez a declaração nas redes sociais porque está sempre utilizando o meio, inclusive para chamar a população para as prestações de contas da saúde e dar esclarecimentos relativos à pasta.
 

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