sexta-feira, 8 de Novembro de 2013 10:22h

Senadores cobram da Funai solução para conflitos entre agricultores e índios

Os senadores Waldemir Moka (PMDB-MS), Rubem Figueiró (PSDB-MS) e Blairo Maggi (PR-MT) cobraram da Fundação Nacional do Índio (Funai) urgência nas medidas para solucionar conflitos entre agricultores e indígenas pela posse da terra. Eles debateram o tema c

Os senadores Waldemir Moka (PMDB-MS), Rubem Figueiró (PSDB-MS) e Blairo Maggi (PR-MT) cobraram da Fundação Nacional do Índio (Funai) urgência nas medidas para solucionar conflitos entre agricultores e indígenas pela posse da terra. Eles debateram o tema com a presidente do órgão, Maria Augusta Assirati, em audiência nesta quinta-feira (7), na Comissão de Agricultura e Reforma Agrária (CRA).
Os parlamentares cobraram o cumprimento de compromissos que teriam sido assumidos pelo governo federal, como o pagamento de indenizações a produtores que tiveram áreas desapropriadas para a formação de reserva indígena.
Waldemir Moka relatou que os produtores esperam receber não apenas pelas benfeitorias existentes nas fazendas, mas também sobre o valor da terra nua, conforme teria sido acordado quando de visita do ministro da Justiça, José Eduardo Cardozo, ao Mato Grosso do Sul.
– Há um compromisso firmado de que essas terras, desde que comprovada a titularidade, seriam indenizadas pelo valor da terra nua e das benfeitorias. Mas essa discussão caiu no vazio – disse Moka.
Maria Augusta Assirati disse não conhecer a posição final sobre o caso, por não ser a Funai o órgão responsável pelo pagamento de indenizações. No entanto, ela observou que a União já paga por benfeitorias, mas reconheceu que isso não tem sido suficiente para evitar conflitos e se disse favorável à compensação financeira para cobrir danos gerados pela desapropriação.
– Não é razoável pensar em garantir direitos dos indígenas às suas terras de ocupação tradicional e pagar única e exclusivamente o valor de benfeitorias [existentes nas terras desapropriadas], como nos casos do Mato Grosso do Sul e Rio Grande do Sul, onde as pessoas têm títulos. Pelo que está na Constituição, esses títulos são nulos, mas temos que lidar com a realidade dessa impossibilidade de levar a cabo a demarcação das terras indígenas para essas pessoas que minimamente tem um título na mão – disse a presidente da Funai.
A demarcação de reservas indígenas é um direito constitucional, mas também uma ação que contribui para a proteção ambiental e a regularização fundiária, reduzindo os desmatamentos e a exploração ilegal de madeira, acrescentou.
Em resposta a Blairo Maggi, Maria Augusta Assirati explicou que a delimitação de novas reservas já leva em conta o crescimento demográfico da população indígena e revelou que muitas áreas demarcadas antes de 1988 eram incompatíveis com possibilidade de reprodução das comunidades tradicionais.
Ministro da Justiça
Na condução do debate, o presidente da CRA, senador Benedito de Lyra (PP-AL), anunciou para o próximo dia 21 a realização de audiência pública com o ministro da Justiça e disse esperar que José Eduardo Cardozo esclareça questionamentos dos senadores que ainda ficaram sem resposta.
Ele também se aliou aos colegas nas preocupações com o agravamento dos conflitos no campo e pela urgência de soluções.
– O que desejamos é um processo pacífico entre aqueles que produzem e os povos indígenas – sintetizou.

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