sexta-feira, 24 de Outubro de 2014 05:41h Atualizado em 24 de Outubro de 2014 às 05:46h. Andréa Leonora e Nícola Martins

“Serei o presidente da ética e da decência”

Aécio Neves, candidato à Presidência da República pela coligação Muda Brasil (45), concedeu duas entrevistas exclusivas à reportagem da Associação dos Diários do Interior do Brasil e Central de Diários do Interior (ADI-BR/CDI)

Na entrevista de primeiro turno, falou de seus planos para a retomada do crescimento econômico do país e da urgência das reformas tributária e política. Nessa nova conversa, agora voltado para o segundo turno, ele aborda o compromisso com o desenvolvimento regional e com o fortalecimento das vocações regionais: “Um compromisso com o crescimento da economia, com a geração dos empregos de qualidade”.


“Serei o presidente da ética e da decência”

Que mudanças devem ocorrer em seu discurso, agora, no segundo turno?
Aécio Neves - Vamos manter o nosso discurso e a nossa campanha. Tenho, desde o início da minha jornada, a verdade como minha maior companheira. Não estou nessa campanha para fazer um governo do PSDB ou de aliados, mas o governo das mudanças que o Brasil espera.  Não estou nessa para colocar um retrato na parede, o do meu avô Tancredo Neves já honra muito toda a família. Quero ser o presidente que vai dar prioridade à educação, como fiz em Minas, que hoje é o Estado com a melhor educação fundamental do Brasil. O presidente que vai aumentar os investimentos e melhorar a gestão da saúde. Se eleito, serei o presidente que vai adotar uma Política Nacional de Segurança Pública. Serei o presidente do emprego, que vai retomar o crescimento e ter tolerância zero com a inflação. Que vai reestatizar a Petrobras, retirando-a das garras da organização criminosa que a tomou de assalto – e isso quem diz é a Polícia Federal – e devolvendo-a aos brasileiros. Serei o presidente da ética e da eficiência.

Como conquistar os 22,1 milhões de votos de Marina Silva e os mais de 38 milhões de votos, somados os brancos, nulos e as abstenções?
AN - Continuando a nossa campanha da mesma forma, uma campanha propositiva, que debata o Brasil e mostre os erros do atual governo. E agora, no segundo turno, venho recebendo apoios sucessivos de forças políticas que se somam a nós nessa caminhada. Recebemos o apoio de vários candidatos no primeiro turno, entre eles Marina Silva. Com a chegada de Marina, dos seus valores, da sua história de vida, a minha candidatura não é mais de um partido político ou de uma aliança partidária, como disse. É a candidatura que representa o profundo sentimento de mudança que hoje se alastra pela sociedade brasileira. O que está em jogo é a possibilidade de o Brasil reencontrar-se com seu próprio futuro. Tive também a oportunidade de receber o apoio de Renata Campos e dos filhos de Eduardo Campos, um gesto muito significativo para mim, que me causou extrema emoção. Sou o representante das forças mudancistas.

Para o senhor, o que motivou o crescimento de quase 12% no número de votos brancos, nulos e nas abstenções?
AN - Há um certo cansaço da sociedade com a classe política, que tem ficado latente. Mas é por meio da política que faremos as mudanças que queremos, uma saúde melhor, uma educação de qualidade, programas sociais avançando. A política, em si, é a mais digna das atividades que um cidadão pode exercer. Política é você se interessar pelo problema da sua comunidade, da sua rua, do seu vizinho, do seu país, meio ambiente, da segurança. Quando a gente se interessa por algo, que não seja apenas o seu interesse pessoal e individual, você está de alguma forma fazendo política. Não existe vácuo em política. Se os bons não ocuparem espaço, os ruins o farão. Continuarei apresentando nosso projeto aos brasileiros, com respeito e honradez, fazendo uma campanha limpa.

O que achou do nível da campanha no primeiro turno?
AN - Fizemos uma campanha verdadeira, propositiva, como faremos até o último dia. A candidata Marina sofreu com ataques do PT, como sofremos agora, como Eduardo já tinha sofrido. Na verdade, estamos vendo uma candidata desesperada, à beira de um ataque de nervos. O PT tenta difundir o medo junto à população, provavelmente por não ter como explicar o pífio desempenho da nossa economia, os problemas na saúde, na educação, os 56 mil homicídios anuais no país, e a organização criminosa que tomou conta da Petrobras, como diz a Polícia Federal.

Na primeira etapa das eleições gerais de 2014, sua adversária, Dilma Rousseff, chegou a cair nas pesquisas, mas se recuperou. Isso preocupa?
AN - No primeiro turno das eleições, venceu o voto pela mudança, mesmo com o PT fazendo a campanha mais suja da nossa história. Para cada mentira dita por eles, responderemos com dez verdades. E continuaremos debatendo o Brasil, apresentando as nossas propostas. O que está em jogo não é uma eleição. É a chance de fazermos um governo transformador. Quero ser presidente da República porque posso fazer um governo em que ética e eficiência andem juntas, que tenha uma Política Nacional de Segurança Pública, fazendo o Brasil voltar a crescer, aumentando os empregos de qualidade e combatendo a inflação. Foi assim que fiz com que Minas Gerais, que governei por oito anos, tenha a melhor educação fundamental do Brasil e a melhor saúde do Sudeste.

Qual, entre os estados em que sua candidatura foi derrotada (1º turno), houve maior surpresa ou maior frustração? Por quê?
AN - Ficamos muito felizes com o resultado da eleição no primeiro turno. O que reafirmo é a confiança de que temos o melhor projeto para o país, discutido intensamente com a sociedade. Ganhamos em muitos estados e acredito que vamos ganhar no Brasil. A palavra que mais tenho ouvido nas minhas últimas andanças por aí é libertação, as pessoas querem se ver libertas das amarras de um governo que não respeita a democracia e está levando o Brasil à pior equação econômica das últimas décadas. Vemos também uma falta gravíssima de compromisso com aquilo que deveria ser essencial, mas para o PT não é: compromisso com valores, princípios.  
Em que regiões ou estados deve fazer campanha mais intensa?
AN - Em uma campanha nacional, todos estados, regiões do país e municípios são prioridade. Queremos apresentar nosso projeto de país a cada um dos brasileiros, acreditando que podemos fazer um governo que alie ética e eficiência. Quero ser o presidente que vai unir o Brasil, ao contrário da candidata do PT, que tenta dividir o país entre “nós e eles”, entre “Sul e Norte”, entre “Sudeste e Nordeste”.

Se eleito, qual a sua prioridade para cada uma das regiões?
AN - Como disse, serei o presidente da integração nacional, da união dos brasileiros. E temos um compromisso já destacado com o desenvolvimento regional, com o fortalecimento das vocações regionais, das potencialidades do Norte, do Nordeste, do Centro-Oeste, do Sudeste e do Sul. Um compromisso com o crescimento da economia, com a geração dos empregos de qualidade, o fortalecimento do agronegócio, o aumento dos investimentos, tudo inserido em uma lógica de desenvolvimento sustentável. Mas venho sempre dizendo que a educação será a prioridade maior em nosso governo, e isso vale para todas as regiões. Proporemos, inclusive, a regionalização dos currículos do ensino médio para que os jovens fiquem mais interessados e vejam correspondência entre o que aprendem e o dia a dia deles.
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RODAPÉ –
A íntegra desta entrevista está disponível no site www.centraldediarios.com.br
Entrevista exclusiva disponibilizada para publicação em 135 diários que formam a rede Associação dos Diários do Interior (ADI Brasil) e Central de Diários do Interior (CDI), somando 4 milhões de exemplares/dia e com potencial para atingir 20 milhões de leitores. A força do interior naintegração editorial.

Fizemos uma campanha verdadeira, propositiva, como faremos até o último dia.

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