terça-feira, 1 de Abril de 2014 05:09h Atualizado em 1 de Abril de 2014 às 05:15h. Carla Mariela

Servidores municipais sofrem assédio moral do Executivo, diz Sintran

Sindicato afirma que após protesto administração municipal adotou medidas repressivas contra servidores, mas que categoria continua na luta por melhoria salarial.

Após a realização do protesto que ocorreu na última quinta-feira na porta da prefeitura de Divinópolis, os servidores municipais decidiram paralisar hoje novamente pela luta de seus direitos, mesmo sendo intimidados pela prefeitura. A classe reivindica a correção das distorções nos salários, aumento real retroativo a Janeiro de 2014, aumento do vale refeição, auditoria no Diviprev e realização de concurso público com nomeação imediata.
Conforme a assessoria do Sindicato dos Trabalhadores Municipais (Sintram), o Poder Executivo, diante do expressivo número de servidores que aderiu à paralisação na última quinta, iniciou algumas medidas de assédio e intimidação contra os participantes. Segundo informações, as folhas de ponto foram retiradas dos postos de saúde, alguns servidores que aderiram à paralisação receberam ligações de seus respectivos secretários durante todo o dia. Servidores atuantes no movimento foram transferidos de setores como uma forma clara de perseguição, mesmo com avaliação de desempenho positiva, tiveram o dia cortado assim como teriam o vale-transporte e o vale-refeição também cortados.
Além disso, a assessoria ainda assegurou que o prefeito Vladimir Azevedo (PSDB) mentiu para os servidores e para a imprensa de que não havia sido informado pelos sindicatos sobre a paralisação, o que está documentado pelos ofícios de 21 de março pelo Sintemmd e 24 de março pelo Sintram. Outro ponto apresentado pela assessoria foi a questão de uma nota foi emitida pelo Executivo sugerindo ganhos exorbitantes aos servidores, como se o pedido de aumento real fosse abusivo. O prefeito, ainda segundo informações, coloca que a folha de pagamento municipal onera o município, fazendo com que obras sejam prejudicadas.
Em contato com a Prefeitura para saber se o servidor teve o seu dia cortado, o diretor de comunicação, Evandro Araújo, explicou que o dia foi realmente cortado de quem participou da paralisação naquela quinta-feira e não trabalhou. Segundo ele, esta determinação veio do gabinete do prefeito. Quando questionado se está havendo uma fiscalização por parte dos secretários em relação aos servidores que aderiram à paralisação, ele respondeu que a fiscalização está ocorrendo na observação do ponto biométrico. “Existe a biometria na prefeitura. Quem bateu o ponto e trabalhou neste dia ganhou o dia. Agora, quem não trabalhou e participou da paralisação teve o dia cortado. Só se o servidor faltou por problemas de saúde e apresentou o atestado, nesse sentido, não tem o dia cortado. Essa mesma determinação servirá para aqueles que pararem novamente”, afirmou.
Evandro Araújo ainda informou que ontem à tarde haveria uma reunião entre algumas pessoas da prefeitura para debater sobre o assunto, mas que ainda não podia adiantar nada.
Entretanto, mesmo com as intimidações alegadas pela assessoria do Sintram que estão vindo por parte do Executivo, haverá hoje normalmente a paralisação unificada entre Sintram e Sintemmd, em frente ao prédio da Prefeitura. Esta paralisação seguirá os mesmos moldes da outra, ocorrida no último dia 27, com o lema: “É hora de dizer basta! Em defesa dos nossos direitos.” Os servidores se reuniram na quinta, na porta da prefeitura, e depois percorreram as principais ruas do centro até a câmara municipal, onde mostraram aos vereadores a força do funcionalismo público.
Após a ida à casa legislativa, em assembleia, foi discutido sobre o assédio moral sofrido pelos servidores e a postura de não abertura para conversa com os sindicatos, ficando decidido pela nova paralisação desta terça-feira.
Em coletiva de imprensa o prefeito, Vladimir Azevedo, enfatizou que sempre esteve aberto ao diálogo, uma vez que tem a mesa permanente que sempre está conversando com os representantes dos servidores. Porém, em contrapartida, o diretor do Sintram, João Madeira, declarou que sobre o diálogo com o executivo, realmente foi criada a mesa permanente de discussão em 2013, porém, esta mesa avançou pouco e o pouco de debate que avançou não entrou em vigor.

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