quarta-feira, 24 de Junho de 2015 10:58h Atualizado em 24 de Junho de 2015 às 11:03h. Jotha Lee

Sindicato dos Servidores pressiona Câmara para investigar atuação do vereador Hilton de Aguiar

A presidente do Sindicato dos Trabalhadores Municipais (Sintram), Luciana Santos, acompanhada da diretora de Comunicação, Ivanete Ferreira, protocolou ontem na Câmara Municipal representação contra o vereador Hilton de Aguiar (PMDB)

representação foi motivada pelos pronunciamentos violentos contra o médico plantonista da UPA 24h e diretor Jurídico do Sintram, Alberto Gigante Quadros. O Sintram quer o enquadramento do vereador na Comissão de Ética, por quebra de decoro, além da instauração de processo disciplinar.
No dia 10 de junho, o presidente da Câmara Municipal, Rodrigo Vasconcelos de Almeida Kaboja (PSL), rejeitou pedido semelhante formulado pelo PT. O partido formalizou solicitação para enquadramento do vereador na Comissão de Ética pelo mesmo motivo, porém o presidente da Câmara negou o pedido e nomeou a Comissão de Saúde, que não tem competência legal para tratar de quebra de decoro parlamentar. Rodrigo Kaboja, em que pese os indícios de que o vereador tenha ferido o regimento interno em função da linguagem utilizada nos pronunciamentos feitos contra o médico, não justificou porque ignorou a solicitação petista.
A polêmica envolvendo o vereador e o médico começou no dia 15 de abril. Numa visita à UPA 24h, o vereador encontrou um paciente com cólica abdominal, cujo atendimento teria sido recusado por Alberto Gigante. Entretanto, no período da manhã quando ocorreu a visita, o médico estava fora da unidade, já que se encontrava no Ministério do Trabalho, cumprindo obrigações trabalhistas, conforme fora anteriormente acertado com a direção da UPA. A ausência ainda foi oficializada pelo médico através de e-mail, com a solicitação de providências para que o atendimento não fosse prejudicado.
Embora essa situação esteja documentada, na sessão da Câmara do dia 16 de abril, o vereador fez o primeiro pronunciamento atacando o médico, afirmando se tratar de um “péssimo profissional, preguiçoso e que trata mal os pacientes”. Em outros pronunciamentos, o vereador foi mais longe e afirmou que Alberto Gigante é “o pior médico que existe, covarde, profissional de quinta categoria, ultrapassado, baderneiro, mação podre, oportunista”, entre outros ataques grosseiros e impublicáveis.

 

PROCESSO
Na representação protocolada ontem, o Sintram juntou farta documentação contendo os ataques do vereador contra Alberto Gigante e pede que ele seja enquadrado na Comissão de Ética, por quebra de decoro parlamentar. Pede, ainda, que seja instaurado processo disciplinar conforme prevê o regimento interno.
Antes de protocolar a representação na Câmara Municipal, Luciana Santos e Ivanete Ferreira concederam entrevista para explicar os motivos da medida adotada pelo Sintram. De acordo com a presidente Luciana Santos, o estatuto determina que a diretoria deve zelar pelo bom nome do Sindicato. “O Sintram foi citado pelo vereador, dizendo que um diretor está se escondendo atrás do Sindicato. O vereador precisa saber que o Sindicato é uma instituição muito séria e nenhum diretor usa o Sintram para nada, inclusive para se esconder e o Dr. Gigante não precisa disso. Além de ser diretor [do Sindicato] ele é um servidor de carreira com mais de 35 anos”, afirmou.
Luciana Santos lembrou ainda que o estatuto sindical determina, ainda, que a diretoria tem que defender o servidor público. “O médico Alberto Gigante é diretor, mas também é servidor”, explicou. Para a diretora de Comunicação, Ivanete Ferreira, é obrigação de o Sintram tomar essa medida. “Não podemos permitir que um vereador usando sua posição denigra a imagem do Sindicato e de um dos seus membros e servidor público”, garantiu. “A gente quer que a Câmara use o seu regimento interno para que a Casa não seja palco de ataques ofensivos às pessoas. Se tem alguém que está usando a entidade ou se escondendo por trás dela, certamente não é o Gigante. Quem vem usando a Tribuna da Câmara como parlamentar e figura pública para atacar pessoas é o senhor Hilton de Aguiar”, finalizou.
O presidente da Câmara, Rodrigo Kaboja, não se pronunciou sobre o pedido do Sintram, já que a representação foi protocolada pouco antes do início da reunião ordinária e só chegaria ao gabinete da presidência no final da tarde. Por outro lado, o Sintram garantiu que se a Comissão de Ética não for acionada, outras medidas serão tomadas.

 

Crédito: Jotha Lee

© 2009-2017. Todos direitos reservados a Gazeta do Oeste. Este material não pode ser publicado, transmitido por broadcast, reescrito ou redistribuído sem autorização.