quinta-feira, 18 de Junho de 2015 10:42h Atualizado em 18 de Junho de 2015 às 10:44h.

Sob pressão, prefeito veta capítulo de diversidade e educação do Plano Decenal de Educação

Durante uma coletiva, Vladimir Azevedo afirmou que as igrejas influenciaram o veto

O prefeito de Divinópolis, Vladimir Azevedo, anunciou ontem, ao lado de 11 vereadores, que irá vetar amanhã o capítulo nove do Plano Decenal de Educação, que fala sobre diversidade e educação. A polêmica começou após o capítulo tratar de questões de gêneros e no primeiro parágrafo das diretrizes definir “tratar a questão racial e as questões de gênero, etnias, dos grupos GLTB, das pessoas com deficiência, dos indígenas, de outros grupos socioculturais como conteúdos multidisciplinares durante o ano letivo”.
Segundo o prefeito, a juíza de Direito da 2ª Vara de Família e Sucessões, Andrea Barcelos Ferreira Camargos Faria, o bispo Dom José Carlos, além de várias Organizações Não Governamentais (ONGs) deram um alerta para “uma questão perigosa, por sua subliminaridade, por sua subjetividade no que poderia se derivar no futuro”, alega. O veto será lido amanhã e o prefeito acredita que na próxima terça, caso as comissões estejam aptas, seja votada a matéria. “Nós não podemos deixar que a grandiosidade do Plano Decenal, que ficou muito rico no seu todo, seja desmerecido ou prejudicado.”
Ainda de acordo com Vladimir, o tema “questões de gêneros” terá uma atenção especial e é cabível correções de rota. “Nós estamos aqui coletivamente, entendendo que todos nós somos colocados de valores caros, morais, cristãos. Todos nós somos pais de família e queremos o que é melhor para a proteção da família e da sociedade”, ressalta. O prefeito também alegou que irá garantir a proteção no sentido de não discriminar e não haver preconceito “em nenhuma das minorias, obviamente, mas garantir a boa formação e a proteção da família de uma maneira geral.”
O prefeito disse ainda que o assunto acerca das questões de gêneros passou despercebido por todos e, caso haja interesse da comunidade em discuti-lo, o tema será abordado de uma forma mais clara. “A seu tempo e de uma forma mais clara neste ponto [questões de gêneros] que gera polêmica, inclusive internacionalmente, e que passou despercebido por todos. O conselho vote e, se for o caso, se for interesse da comunidade, nós possamos voltar a discussão deste tema de uma maneira mais elucidada, e mais participativa no que tange essas outras entidades e lideranças que se credenciaram a participar neste ponto do debate”, informa.

IGREJA
A discussão acerca do tema começou na semana passada, quando os vereadores votaram a favor do Plano Decenal e depois pediram o veto alegando não terem sido informados sobre a questão de gêneros. Após este fato, o bispo Dom José Carlos fez um alerta subliminar durante homilia de Corpus Christi. Quando questionado se a Igreja influenciou no veto, o prefeito afirmou que “tivemos interferência das igrejas. Não só do próprio bispo, da Igreja Católica, de padres, juízes, Igreja Evangélica, tivemos também de movimentos de várias ONGs, e de tantas outras entidades que sugeriram o veto”, informa.

ERRO
O Conselho de Educação realizou nove audiências públicas com a comunidade para discutir o Plano Decenal de Educação. Apesar das audiências, os vereadores alegaram que em nenhuma delas foi citada a “questão de gêneros”. O presidente da Câmara, Rodrigo Kaboja (PSL), admitiu que os vereadores votaram o plano sem lê-lo, e definiu como um erro grave.
O vereador Adilson Quadros (PSDB) afirmou que o projeto chegou ao Legislativo em caráter de urgência, e foi solicitado então que fosse aprovado dentro dos termos elaborados. “Em nenhum momento foram citadas as questões de gêneros, esta questão foi levantada após a aprovação. A gente tem que ter a humildade de reconhecer que passou batido, passou batido inclusive pelas próprias pessoas que discutiram isso”, lamenta.

 

Crédito: Pollyanna Martins

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