"Sou sim, hoje, um adepto à forma distrital e regional, acho que dessa forma aproxima o político das pessoas"

Esta semana, a Gazeta do Oeste traz com exclusividade uma série de entrevistas com os deputados eleitos de Divinópolis. Nesta edição, confira a entrevista com o deputado estadual, Fabiano Tolentino

Crédito: Lorena Silva

 


Em seu segundo mandato atuando como deputado estadual, Fabiano Tolentino foi eleito com mais de 23 mil votos em Divinópolis e mais de 62 mil em todo o Estado. Em meio aos seus compromissos com a Assembleia Legislativa, ele nos recebeu para uma conversa sobre o resultado da eleição, seus projetos para os próximos quatro anos e para expor sua opinião sobre assuntos relevantes para o município.

O senhor dobrou o número de votos que recebeu em Minas Gerais com relação à eleição de 2010 e, em Divinópolis, manteve o número. Em contrapartida, no município, houve uma perda total de 44 mil votos para deputado estadual, entre nulos e brancos, o que representa 32% dos eleitores. Como o senhor avalia o resultado dessa votação e a sua reeleição?
Quando a gente fala do total de votos que nós tivemos, acho que foi muito bom. Eu fui um dos únicos deputados que dobrou a votação. Nós obtivemos 40 mil votos fora de Divinópolis e em Divinópolis nós conseguimos manter, não ‘caímos’ a votação. Fora [da cidade] foi cinco vezes mais o que nós tivemos na [eleição] passada, o que nos deu uma vantagem e a gente conseguiu ser eleito em um posicionamento bom dentro da Assembleia.
Quando a gente fala da questão dos votos brancos, nulos e também da abstenção, com relação a esses dados, eu vejo que a política está muito desgastada. O próprio eleitor não foi para as urnas com aquela satisfação em eleger seus governantes. Isso pelos exemplos que a gente tem a nível Brasil – e até Minas Gerais, menos do que a gente tem de maus exemplos quando se trata da questão macro –, no Congresso e no Senado. A gente vê que o eleitor por ter ido à rua manifestar por mudanças e por transparência, acabou trazendo aquela indignação quanto aos políticos e à política, com todo o sistema, e isso acabou prejudicando o todo.
Em Divinópolis, nós tivemos ainda alguns fatores que também contribuíram para que prejudicasse, o número excessivo de candidatos na esfera estadual. O que dificulta também às vezes a escolha do eleitor e que atrapalha para que possamos ter dois representantes ou até três. Nós temos votos para fazer três deputados estaduais, mas com o número excessivo que entra de candidatos, acaba atrapalhando e infelizmente nós conseguimos só nos manter na Assembleia Legislativa, não conseguimos fazer o segundo nome.
A biometria foi outro fator. Iniciando na cidade, de mais de 152 mil eleitores, então seria realmente difícil. Várias pessoas, ao chegarem à sua identificação, a biometria não lia e atrasou muito o processo eleitoral. Isso também coloca as pessoas na fila com mais raiva, raiva do sistema e também da forma como foi empregada em Divinópolis. A biometria vem para trazer transparência, mas o processo tem que ser mais célere, ele tem que ser mais rápido.
A pessoa ficar uma hora e meia na fila ou duas horas na fila, que foi o que aconteceu, isso coloca as pessoas indo embora ou então chegando no momento da votação e votando com raiva ou votando mais branco do que o normal, pela raiva que ficou de ser obrigado a estar na fila. Contribuiu também para que aumentasse o número de votos brancos e nulos e até de abstenção.
Não obstante a isso, eu já falei que a política também está muito desacreditada, então esses fatores contribuíram para que nós tivéssemos esse crescimento nos votos não aproveitados dentro de Divinópolis, que foi muito. Acho que a gente tem que trabalhar na próxima eleição para que a gente consiga aproveitar mais os votos, ter uma consciência dos políticos e da política também. Divinópolis precisa trabalhar isso também, que os políticos possam pensar na cidade e não nas individualidades de cada um. Pensar mais no coletivo, pensar mais em Divinópolis, trabalhar mais isso e o eleitor também ir para a urna para votar e tentar escolher seus representantes da melhor forma possível.
Tenho que agradecer muito as quase 24 mil pessoas que votaram em mim, tiveram a paciência de esperar por bastante tempo na fila e ainda chegar na urna e escolher o nosso nome. Eu tenho que agradecer muitíssimo por nós conseguirmos ainda assim equiparar com a votação que tivemos na eleição passada. Eu fico satisfeito por essa parte, fico triste por Divinópolis ter perdido tanto voto. Automaticamente, às vezes perde também alguma representação, perde um número maior que nós poderíamos ter de votos.

Nesse sentido, de esperar por mudanças no município, o senhor foi o único representante a deputado estadual que conseguiu ser eleito em Divinópolis. Como avalia isso, além da questão de terem tido muitos candidatos na cidade?
Quando a gente consegue ter uma votação que equipara com a votação que tivemos na eleição passada, a gente avalia que o trabalho foi bem prestado. Óbvio que temos que ver algumas outras formas de trabalhar, buscarmos algumas bandeiras dentro do município que foram tão cobradas na eleição. Um exemplo que podemos citar é o Rio [Itapecerica], que infelizmente está quase morrendo, primeiramente pela falta de políticas públicas com relação ao tratamento de esgoto. Aí entra na nossa parte sim, de cobrança de uma Copasa para que se faça a estação de tratamento o mais rápido possível, porque nós já trabalhamos por ela, então a gente tem que cobrar e cabe a nós políticos essa cobrança.
Quando nós falamos no Hospital São João de Deus (HSJD), que é outra bandeira que nós temos que ter muito carinho, que atende toda a região Centro-Oeste e atende muito bem, e passa por um momento complicado, a gente tem que ter atenção total para que o Estado possa ajudar mais, principalmente o governo federal possa ajudar mais. Para que nós possamos aumentar os custos, inclusive os preços das tabelas do SUS, para melhorar ainda mais a situação do hospital e de todos os hospitais, porque todos passam por dificuldades. Então o HSJD também é uma bandeira forte.
A segurança pública é outra. Foi muito cobrado também durante a eleição, nós estamos tendo muitos problemas de assaltos e roubos, tanto na zona urbana quanto na zona rural. Acho que esses três temas foram os mais discutidos nessa eleição. A vantagem também de se ter eleição é isso, a gente discute temas que a gente tem que trabalhar para melhorar. Nós temos essas três bandeiras que temos que cuidar com muito carinho. Óbvio que as outras todas, o esporte, o lazer, a educação, a infraestrutura, todos têm que ser tratados, mas esses três temas, o Rio, o HSJD e a segurança pública foram muito questionados durante essa campanha.
Infelizmente, os três passando por momentos complicados e isso acaba também prejudicando o processo eleitoral, porque acabamos nós políticos e principalmente com mandatos, sendo mais cobrados ainda e a oposição falando que nós que estamos lá não conseguimos resolver os problemas, o que nem sempre é verdade. Se existe a verdade, que ela seja também conceituada nas formas das suas concentrações por mandatos. Eu tenho quatro anos que vou fazer como deputado estadual, o que fizemos acredito que já tivemos vários avanços, mas a gente não consegue fazer tudo em um momento só. Agora a gente tem que pegar essas bandeiras e tentar melhorar.
Mas, por outro lado, nós já conseguimos a duplicação da MG-050, a obra já está sendo feita, a estadualização da Uemg. Teve outros pontos positivos que isso também não foi levantado na eleição. Então, infelizmente nós trabalhamos contra algumas pessoas que às vezes fazem mais uma desconstrução da política. Isso também atrapalha o processo eleitoral. Porque as pessoas na rua, ao verem algumas formas de desconstruir, acabam achando que aquela mentira possa ser uma verdade, e desconstrói também e atrapalha todo o processo.
No meu ponto de vista, a política tinha que ser tratada primeiramente pelo bem. Eu acho que as pessoas, ao serem políticas, tinham que pensar no bem que elas podem fazer e não no mal. Dentro dessa visão, é claro que as urnas mostraram, os gráficos da votação mostram. Quem realmente tinha bons princípios teve votação, aqueles que às vezes trabalharam de outras formas que também a sociedade não gosta, tiveram também a sua representação através dos votos. Mas a gente acredita que se a política fosse tratada de uma forma diferente, mais positiva e menos negativa, contribuía para todo o contexto e acho que melhoraria mais, tanto a votação dos políticos quanto a representatividade dentro da Assembleia. Poderíamos ter mais deputados.

Então essas três questões, o Rio, o Hospital e a segurança pública, serão a base desses próximos quatro anos do senhor na Assembleia?
Acredito que dentro de Divinópolis são os pontos que foram mais cobrados. E também a gente tem que pensar muito na economia. Divinópolis e toda a região passam por um problema que é grave. Não é um problema de região e sim nacional, que é a nossa indústria, que perde a força. Infelizmente o governo que temos, a nível federal, não trabalha dando força à sua indústria, tem outras circunstâncias, outras vantagens a nível social.
Mas quando a gente pensa no valor industrial, no Produto Interno Bruto (PIB) que a indústria traz, essa não foi muito valorizada no governo que estamos tendo a nível federal. Eu acho que nós também temos que trabalhar esse ponto. Nós estamos vendo algumas empresas grandes em Divinópolis com problemas, algumas fechando e isso traz também um desemprego. O desemprego é muito ruim para a região Centro-Oeste.
Nós também temos que trabalhar a economia, de forma a trazer algumas empresas. Mas principalmente nos ajustarmos para que as nossas empresas existentes possam ficar mais fortes, através de leis de incentivo melhores, através de toda a circunstância para dar uma força maior no produto que nós temos, que é nosso PIB que realmente trabalha a empregabilidade na nossa região. Não existe nenhum país que seja forte que não seja pela sua indústria.
A indústria é a alavanca de todo o país. E se a indústria não está boa, automaticamente a tendência da nossa economia é não estar boa. Então, a gente tem que trabalhar isso também, [para que] nosso poder econômico também possa equilibrar e melhorar, trazendo mais empregabilidade, dando mais condição de renda para a região Centro-Oeste.

Junto ao Executivo, como o senhor acha que pode, efetivamente, ajudar o município nessas duas questões principais que estão sendo discutidas atualmente, que são a questão do Rio Itapecerica e a questão do Hospital?
Com relação ao rio, o que a gente tem de fazer é uma cobrança mais efetiva da Copasa, que ela tem hoje o contrato para fazer a estação de tratamento de esgoto. Então, é a gente pegar mesmo forte nisso junto com os dois deputados federais, para que se tenha o mais rápido possível as estações de tratamento de esgoto.
Com o relação ao Hospital São João de Deus, é um pouco mais detalhado. O HSJD vem passando por um problema financeiro, então a gente tem que trabalhar o Estado para reajustar as suas contas, poder ajudar dentro das suas condições. Mas trabalhar também com que o governo federal possa ajudar um pouco mais o Hospital, tendo em vista que as ajudas que aconteceram nos anos anteriores, no ano passado e até esse ano, vieram muito mais do governo estadual do que do próprio governo federal.
Nós temos que trabalhar essas duas esferas para que a gente possa salvar o HSJD, sendo que é uma tarefa difícil também, o Hospital passa ainda por sérios problemas financeiros. Temos que equilibrar as suas contas primeiramente, dando um equilíbrio nas suas formas de prestação de serviços. Que ele possa ter realmente um equilíbrio financeiro, poder pagar suas contas e se manter, prestando um ótimo trabalho que ele sempre prestou para a região Centro-Oeste.

Com relação ao rio e, consequentemente com relação ao esgoto, qual o posicionamento do senhor, enquanto pessoa pública, sobre a concessão do seu tratamento ter sido entregue para a Copasa?
Na verdade, quando foi votado o projeto de lei da entrega da Copasa eu não era vereador mais, já estava como deputado estadual. Quando a gente analisa o cerne da questão, a gente acha que o esgoto tem que ser tratado. Não existe forma de não se tratar o esgoto. Óbvio que teríamos duas posições: ou montar uma autarquia dentro do Executivo e aí ter um órgão para tratar esse esgoto – e o próprio Executivo pagar essa estação de tratamento de esgoto, automaticamente ele vir cobrando as taxas que não teriam jeito de serem de graça também – ou pela Copasa.
A Câmara e o Executivo optaram pela Copasa. Então, tendo essa forma hoje, no meu ponto de vista da política, a gente tem que cobrar para que a Copasa faça o que está estabelecido no contrato. Tratando o esgoto e ajudando a salvar o nosso Rio. Hoje já estou na função de cobrar da Copasa que ela faça [o tratamento], tendo em vista que já se passou esse momento [de votação do projeto].

Tendo em vista essa concessão, o senhor acha justa a cobrança da taxa de esgoto que tem sido feita atualmente, equivalente a 50% do valor da conta de água, sendo que a Copasa trata somente 10% do esgoto da cidade?
Não é justo. A Copasa tem que tratar a totalidade que está no contrato estabelecido. O que a gente tem que cobrar é que a Copasa faça o tratamento de esgoto. Com relação a valores, é outra situação que eu também não estava no momento, eu não discuti essa pauta de valores porque não era vereador na época. Agora o que a gente tem que cobrar é o que está estabelecido no contrato.
Cabe a nós, políticos – eu como deputado estadual e os dois deputados federais – cobrarmos para que a Copasa execute aquilo que está estabelecido no contrato. Do contrário, a gente tem que lutar para que a gente faça novas relações junto à Copasa. Mas eu acho que a melhor forma do ente público trabalhar a questão do rio é a cobrança em cima daquilo que hoje nós já pagamos e que não é barato.
É um custo caro que nós pagamos pela taxa de esgoto e nós queremos que ela seja concluída e seja feita. Com relação a isso, a gente pode estar tendo uma semelhança do que acontece com a MG-050. A MG 050 também é um pedágio caro, a gente não pode falar em momento nenhum que o pedágio não é caro, é um pedágio de custo alto.
Eu fui um dos deputados que mais lutei através de audiências públicas e na Assembleia para que ela realmente cumprisse o contrato, que era a duplicação até Divinópolis. Então, a gente tem que trabalhar da mesma forma com a Copasa. Que ela cumpra o que está estabelecido e possa nos ajudar a salvar o rio.

Com relação ao governo de Minas, na sua campanha o senhor apoiava o candidato, Pimenta da Veiga. Qual a posição do senhor com relação à vitória de Fernando Pimentel e, consequentemente, sobre o governo dele à frente do Estado?
O nosso governo era do então [governador] Anastasia, depois do Alberto Pinto Coelho e nós apoiamos o candidato, Pimenta da Veiga, que não teve êxito na eleição. O que a gente sabe, conhece do Pimentel, é que ele é um homem de boa índole, que é trabalhador, é uma pessoa que tem capacidade para gerir o Estado. Espero que ele o faça da melhor forma possível.
Cabe a nós deputados, ajudar o Estado dentro das circunstâncias, claro. Mas também cobrar e fiscalizar o poder, que é o poder público estadual. Vai ter da minha parte essa cobrança, essa fiscalização. Mas dentro das minhas condições, vai ter ajuda também. Eu acho necessário que o bom político seja aquele que tente ajudar o Estado. E é dessa forma que nós vamos trabalhar.
Claro que nós temos algumas nuances que são partidárias, o PPS vai ter alguns direcionamentos que a gente também tem que estar discutindo e ajustando de que forma e de que linha nós vamos trabalhar dentro da Assembleia Legislativa. Somos três deputados, mas eu penso que nós temos que trabalhar primeiramente para que o Estado seja forte, para que o Estado seja capaz e nós possamos fazer cada vez mais uma Minas melhor, crescente.
Acho que esse é o primeiro motivo da gente ser político. Que a gente possa fiscalizar também as contas do Estado, ter proximidade com esse orçamento para que a gente tenha realmente a resolução da melhor forma que é a política, executando, mas também cobrando que o Estado possa fazer as obras e ajustar ainda mais a região Centro-Oeste, principalmente que é a região onde a gente mora e a gente tem um gosto especial.
Mesmo porque, 95% da minha votação foi na região Centro-Oeste. Eu acredito muito nesse tipo de política, em um deputado regional, que ele possa na sua região ser representativo, trazendo os benefícios para aquela região. Automaticamente, crescendo na região se cresce no todo. Sou sim, hoje, um adepto à forma distrital e regional, acho que dessa forma aproxima o político das pessoas.

Com relação ao segundo turno, o senhor já tem um posicionamento declarado ao candidato Aécio. Qual a justificativa para esse apoio?
Primeiramente, a gente falando em segundo turno, temos que falar que o Brasil está passando por momentos de mudança. Óbvio que quando se fala em mudanças de partidos e de pessoas que estão nas suas administrações, no caso o PT que vem há 12 anos, existe sim uma mudança a nível partidário. Agora, quando se fala também do PSDB, não existe uma mudança a nível de partidos, porque são os dois que sempre brigaram aí, há mais de vinte anos pelo poder a nível nacional.
Entre o PT, representado pela presidente, Dilma, e o PSDB, representado pelo Aécio, nós optamos, o PPS, os próprios três deputados de Minas Gerais, optamos pelo Aécio primeiramente pela proximidade que temos, segundo por ser mineiro. Acho que a gente tem que ter essa “mineiridade” também, porque automaticamente um presidente mineiro a gente acredita que vá trazer bastante recursos para Minas Gerais e vai crescer o nosso Estado ainda mais, a nossa região, mesmo porque ele é próximo daqui de Cláudio, então a gente tem essa proximidade com ele.
Acredito mais nas propostas de trabalho do Aécio do que da Dilma, mesmo entendendo que o PT avançou em várias áreas. Nós não podemos descartar alguns avanços que tivemos nesses longos 12 anos. Em momento nenhum nós podemos só criticar algo que foi feito, porque existiu avanço sim. A nível agropecuário existiu vários avanços, a nível social vários avanços. E que o Aécio inclusive diz manter esses avanços que ocorreram ao longo desses 12 anos.
Eu acredito nessa proposta de um avanço maior a nível empresarial, que eu vejo que existem algumas falhas no governo que está hoje no Palácio. O Aécio tem plataformas melhores a nível econômico, tem o pensamento bom de estadista, de municipalista, de trazer mais recursos para os municípios, porque acaba o nosso município hoje ficando muito sofrido. O recurso fica muito concentrado no governo federal e pouco nos municípios.

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