quarta-feira, 27 de Maio de 2015 10:59h Atualizado em 27 de Maio de 2015 às 11:02h. Jotha Lee

STF arquiva interpelação criminal do filho de Lula contra Domingos Sávio

Deputado garante que continuará pedindo que o ex-presidente e o filho sejam investigados

O deputado federal Domingos Sávio (PSDB) comemorou ontem a notícia que recebeu da reportagem da Gazeta do Oeste sobre o arquivamento da interpelação judicial criminal ajuizada contra ele no Supremo Tribunal Federal (STF) por Fábio Luis Lula da Silva, filho do ex-presidente Lula. A interpelação deu entrada no STF no dia 18 de março e foi motivada por declarações dadas pelo deputado no dia 9 de fevereiro ao programa “Bom Dia Divinópolis”, da Rádio Minas.
Na entrevista, o deputado pediu que Lulinha e o pai fossem investigados. No trecho da entrevista que provocou a interpelação, o deputado afirmou que o filho do ex-presidente ficou rico do dia para a noite. “E o Lulinha, filho dele, é um dos homens mais ricos do Brasil hoje. É uma bandalheira. O homem tá comprando fazendas de milhares e milhares de hectares, é toda semana. É um dos homens mais ricos do Brasil. E ficou rico do dia para a noite, assim como num passe de mágica. Rico, fruto da roubalheira que virou este país, tá cheio de rico que se enriquece aí do dia para a noite fruto da roubalheira que tá existindo no Brasil. E não pode dizer que não vai investigar o Lula, o Lulinha, tem que investigar o Lula, tem que investigar o Lulinha”, afirmou Sávio.
A interpelação pediu ao STF para apurar a prática de injúria, calúnia e difamação. De acordo com Fábio Luis, as afirmações, além de ofensivas, são mentirosas. Em nota, o filho do ex-presidente afirmou que não é proprietário de nenhuma fazenda e que não participa de nenhum negócio relacionado à agroindústria.  Disse ainda que jamais se beneficiou de qualquer ato irregular ou ilegal e tampouco se tornou um dos “homens mais ricos do Brasil”.

 

EXTINTO
A ministra Rosa Weber, relatora do processo no STF, publicou ontem sua decisão, que extinguiu o procedimento cautelar. “Com a efetivação do ato de notificação, cumpriu-se a finalidade do presente procedimento cautelar. Ante o exposto, julgo-o extinto”, escreveu a ministra no seu relatório.
Em entrevista à Gazeta do Oeste, o deputado afirmou que comemorava a decisão. “Decisão da Justiça, a primeira coisa para quem respeita a Justiça e o ambiente democrático, é acatar a decisão. Nesse caso, além de acatar a decisão, é claro, que eu comemoro a decisão. Disse reiteradas vezes que estava com a consciência muito tranquila de que cumpri o meu papel de representante do povo. Estranho seria se eu me omitisse, diante de tantas notícias dando conta do enriquecimento de Lulinha. Diante de tantas notícias dando conta de tanta corrupção que existe no Brasil, que começou lá no governo Lula e hoje está provado isso. Estranho seria se eu não me preocupasse em expressar o sentimento do povo que eu represento, de que tanto o ex-presidente Lula quanto seu filho Lulinha devam ser investigados e devam explicações à sociedade para esclarecer tudo isso que se fala”, afirmou.
Domingos Sávio disse ainda que posicionamentos como esse são direitos de um parlamentar. “É um princípio constitucional básico. Não é nenhum privilégio, como algumas pessoas, por paixão partidária, andaram falando de que eu estaria me valendo da imunidade parlamentar para fazer críticas. Não. Eu estou me valendo do meu dever de representar o povo e de fiscalizar e exigir que haja investigação para todos”, garantiu.
O deputado divinopolitano esclareceu que na entrevista que gerou a interpelação judicial, ele defendeu a investigação sobre todo homem público e não apenas sobre o ex-presidente Lula e seu filho. “Havendo qualquer suspeita sobre quem quer que seja, inclusive sobre mim, todos devem ser investigados, ninguém deve ser poupado porque exerce ou exerceu um cargo”, garantiu. “Como homem público, eu tenho que dar o bom exemplo. Se houver qualquer dúvida, qualquer suspeita, eu devo ser investigado, sim”, acrescentou.
A decisão da ministra Rosa Weber, que declarou extinta a interpelação, foi comemorada pelo deputado. “Eu comemoro a decisão da ministra, porque eu esperava que ela entendesse que não extrapolei das minhas funções. Eu recebi essa notícia agora por você [repórter], fiquei feliz de que ela determinou a extinção de qualquer processo e isso mostra que estou cumprindo com meu dever como parlamentar e estou cumprindo com coragem, determinação, sem deixar me intimidar por nenhum poderoso, porque o Brasil precisa ser passado a limpo”, finalizou.

 

Crédito: Instituto Lula

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