quinta-feira, 5 de Dezembro de 2013 04:01h Carla Mariela

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1) Qual o balanço que você faz do seu mandato neste fim de ano?

O balanço que eu faço do meu mandato é positivo porque estou com uma equipe nova trabalhando comigo. O Adriano Faria, por exemplo,é um dos meus assessores, ele veio do gabinete do ex-vereador Milton Donizete, já veio com certa experiência e é o chefe do meu gabinete. Esta nova equipe que foi montada trouxe muita conquista para o gabinete e para o mandato. Fizemos tudo que nós planejamos durante este ano de 2013. Entretanto, o balanço é positivo e eu acho que temos que manter este ritmo até o fim do mandato.

2) Qual a sua opinião em relação a projetos polêmicos que passaram pela câmara, como por exemplo, a lei de crédito suplementar no valor de aproximadamente R$ 22 milhões de autoria do Poder Executivo e o que está para ser protocolado na casa sobre extinção dos cargos de auxiliar de serviço na prefeitura?
O projeto de crédito suplementar de aproximadamente R$ 22 milhões deu muita polêmica porque eu entendo que a proposta de suplementação é alguma coisa de sobra. Desde o início do meu mandato no dia 1º de janeiro deste ano, eu e os demais vereadores fomos convidados a fazer uma reunião extra a respeito de imóveis que seriam leiloados em Divinópolis porque a cidade não tinha dinheiro, não tinha caixa para começar o ano. Tivemos todo aquele debate, inclusive, mudou até o local desta discussão passando da casa legislativa para o teatro Usina Gravatá. Nesse momento, eu observei que não tinha dinheiro. Mas, passaram-se 8 a 9 meses e apareceu este crédito suplementar. Houve uma dúvida sobre como esses R$ 22 milhões apareceram assim do nada. Dessa forma, chamaram uma equipe administrativa e esta revelou que o crédito é um referente ao ano passado que só podia ser feito agora pela burocracia que o poder público tem. Depois dessa conversa o projeto foi votado, mas mesmo assim eu votei contra porque eu ainda não fiquei satisfeito de saber que tinha R$ 22 milhões que poderiam ser usados, mas só foi descoberto entre os meses de setembro e outubro. O poder público tem que ser mais dinâmico porque esta é uma renda muito alta para ser descoberta apenas no final do ano. Foi esta a polêmica, para mais agilidade do processo. A equipe foi na câmara explicar, mas ainda não me convenceu a suplementação deste crédito de R$ 22 milhões.
Já sobre a extinção de cargos de auxiliar de serviço na prefeitura, eu acho este projeto polêmico porque quando extinguimos um cargo, nós temos que pensar na aposentadoria deste que foi extinto. Nós que trabalhamos no dia a dia é que pagamos a aposentadoria de quem já fez o seu percurso de trabalho de 25, 30 anos, então o ativo é que faz isso por meio do Diviprev. Eu, por exemplo, sou funcionário público, no meu contracheque esse mês veio R$ 455. Estou beneficiando o médico que está aposentado. Acho que o poder executivo precisa estudar muito bem o projeto. Em se tratando do auxiliar de enfermagem este está correto, porque o Conselho Regional de Enfermagem já extinguiu este cargo. A partir do ano que vem não terá mais auxiliares de enfermagem, ou seja, eles vão ser técnicos de enfermagem e futuramente enfermeiros. Já no caso de auxiliar de serviços gerais ele não vai ser substituído, mas este quando aposentar, quem é que vai estar contribuindo para a aposentadoria dele? A polêmica toda é essa. Alguns cargos, sou a favor da extinção, mas outros sou contra. Vou sentar com o Executivo para um debate quanto a proposta.

3) Sobre as audiências públicas que houve ao longo do ano na câmara: Copasa, terceirização do hospital público por meio de OS (Organização Social), restaurante popular, Nascentes das Gerais e MG 050. Qual a importância de debater estes temas?
A minha legislatura começou no dia 1º de janeiro deste ano, a questão da Copasa já tinha sido votada na legislatura passada. Pouco pôde ser feito. O que fiz foi participar da audiência pública que ocorreu na Funedi/UEMG. Observei que os representantes da Copasa estavam todos munidos de papéis, estes eram documentos da legislatura passada, assinados, registrados porque aquilo ali já não tinha mais reversão. Houve até uma solicitação de ajuda ao Ministério Público. Penso o seguinte, as pessoas estão pagando por um serviço que não está acontecendo, mas eles juram que este serviço está ocorrendo, que já tem locais que estão sendo tratados, mas Divinópolis não está. O Rio Itapecerica, vem de Itapecerica até chegar a Divinópolis, eles vão tratar metade, o início e o final não serão tratados. Como que um rio vai ser despoluído se só a metade dele vai ser tratado. Eu acho que é um projeto que não poderia ter passado com a facilidade que passou.
Sobre o hospital público, nós tivemos uma audiência pública na câmara. Eu percebi que ainda não existe nada pronto com segurança para falar ao município quanto a este ser terceirizado ou ser regido por meio de OS. Deste encontro surgiram muitas dúvidas, por exemplo, como vai ser terceirizada uma parte e não vai terceirizar a outra? Quem vai ser funcionário municipal, estadual e federal? Porque vai ter que ter verba? Um hospital que vai ter 500 leitos, o gasto médio dele vai ser de R$1,5 milhão por mês, R$ 22 milhões no final de cada ano e se existir exames complementares vai subir ainda mais, o município não tem como arcar com isso sozinho tanto que o hospital é estadual, mas até então o Estado também não quer assumir esse compromisso sozinho. Eu acho que o estado tem que assumir por ser um hospital estadual. Levantamos a questão sobre a competente Fhemig. Mas, ela ainda não viabilizou nenhuma possibilidade de estar adquirindo mais um hospital, pelo contrário, ela está querendo se ver livre desse hospital por meio de uma OS. Tivemos uma apresentação do Dr. Alberto Gigante a respeito das OS que têm no país, mas infelizmente foi mostrada a parte negativa, queria ver uma parte positiva. Já tenho informações que a inauguração do hospital público será só em 2015 ou depois. Começo a ficar apático.
A questão do restaurante popular foi a maior polêmica e um projeto que votei contra. Ser da base não é aprovar todos os projetos que o Executivo manda. Quanto ao restaurante, eu fui lá para almoçar junto com alguns vereadores e vimos na fila: médicos, dentistas e a maioria eram aposentados e pessoas que precisavam. O que foi alegado é que a grande parte das pessoas que frequentavam o local tinha condições de pagar uma refeição maior. Só que no meu parecer o restaurante então não poderia se chamar restaurante popular, pois uma vez que o preço aumenta, está havendo uma distinção de classe. R$ 4 para um estudante, por exemplo, é muita coisa, porque ele precisa do dinheiro para pegar um ônibus.
Quanto a Nascentes das Gerais não há muitas respostas, os representantes não vão às audiências públicas. É um absurdo você pagar R$ 4,40 para ir e para voltar. Espero que esta situação melhore.

4) Sobre o plano diretor. Qual é a importância desta lei que já foi protocolada na casa legislativa e se encontra em processo de análise?

O plano diretor é necessário. Tivemos o professor, Gilson Soares, que nos explicou fatos e solicitou urgência na aprovação deste projeto, mas não tem como aprovar sem estudar. Além da Mata do Noé que não foi inclusa no plano, tem uma coisa importante ali que é: o plano diretor não ter mais necessidade de passar pela câmara. Ele ia ser deliberativo. Eles poderiam montar uma equipe e por meio disso deliberar ações sem passar pela câmara. Isso não pode ocorrer porque tira o poder do legislativo e passa para uma equipe. Não concordo. A realidade dos familiares da Mata do Noé é que eles são de uma simplicidade tremenda e não sabem o ouro que eles têm na mão, é como se tivesse uma fortuna e não pudesse usar. Eles passam por dificuldade e não podemos chegar lá e falar que a área está desapropriada. É importante a Mata do Noé no plano, mas a mata tem dono. Esse plano precisa ser aprovado, mas temos que estudar estas questões.

5) Quanto às indicações e projetos que apresentou na câmara, qual a importância destes?

Um projeto que eu fiz e foi aprovado foi sobre o uso do protetor solar. A preocupação é porque a gente passa e ver as pessoas se bronzeando ao sol, duas, três horas da tarde ou qualquer hora do dia sem o protetor solar. Quando está chovendo é mais importante passar o protetor do que quando está com sol, porque quando está sol as pessoas saem do sol, e quando está nublado as pessoas ficam expostas até que o corpo sinta algum calor, neste momento temos muito mais lesões de pele porque o calor absorvido é maior. Fizemos esta lei para clubes ou academias ao ar livre para proporcionar segurança quando a pessoa ler que o sol é maléfico a saúde e que pode provocar o câncer de pele. Fizemos outra indicação importante que foram as caixas coletoras nos bueiros porque vimos que em outra cidade funcionou. Estas caixas ficariam nos bueiros e em seguida seriam coletadas por recicladores. Dentre outras indicações.

6) O que a população pode esperar de você em 2014?

O próximo ano é um ano problemático porque é eleitoral. É um ano complexo porque vamos começar a definir a que lado tomar. Hoje estou na presidência do partido PRTB, e vamos ter que ter um seguimento sobre qual deputado, senador e presidente apoiar. Não temos intenção de pré-candidatura, vou continuar o mandato até o final. Os projetos na câmara provavelmente vão ser prejudicados porque vamos nos empenhar no processo eleitoral do ano que vem. Mas, tenho sim vários projetos ainda para apresentar.

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