quinta-feira, 13 de Agosto de 2015 12:06h Atualizado em 13 de Agosto de 2015 às 12:07h. Jotha Lee

Tensão pré-eleitoral toma conta da Câmara e vereadores trocam acusações

Líder do PRTB diz que a partir de agora adotará o estilo “bateu, levou”

A tática do “bateu, levou" é uma forma de fazer política popularizada pelo ex-presidente Fernando Collor de Mello, que consiste em responder de forma dura à críticas e denúncias. Na Câmara Municipal de Divinópolis, a tática está em moda. Na tensão pré-eleitoral que já toma conta do Legislativo, o segundo semestre começou em clima de alta tensão, com troca de acusações, insinuações e ataques entre vereadores. O clima amistoso entre os parlamentares está virando fumaça e os debates em tons acusatórios se tornaram rotina nas primeiras sessões após o recesso do meio de ano.
Na sessão da última terça-feira, o vereador Delano Santiago, líder do PRTB, fez duro pronunciamento oficializando a tática do bateu, levou. Ele afirmou que quando se trata de questões polêmicas a serem debatidas, há vereadores que fogem do plenário. “Eu queria que vocês procurassem os discursos e as presenças de alguns vereadores aqui, quando é para colocar a cara à tapa. Vereadores que arrumaram viagens. Vereadores que arrumaram doença. Vereadores que arrumaram justificativas para [se ausentarem] no dia de colocar a cara à tapa”, acusou.
Delano Santiago afirmou que há os vereadores fujões, que desaparecem do plenário quando temas polêmicos estão na pauta. “Se há algo que político precisa ter, é lado. Eu nunca escondi que meu partido ajudou o governo atual, que eu voto o tempo inteiro, quando eu concordo, com o governo atual, que o Vladimir Azevedo foi sempre do meu lado. Eu nunca escondi. Quando ele [prefeito] precisou de mim, nas piores votações, eu estava presente depositando o ‘sim’. Alguns vereadores fujões, na hora que o bicho pega, cadê eles aqui?”, questionou.

 

MUITO HOMEM
O líder do PRTB, que está em seu primeiro mandato, chegou ao cargo com 2.121 votos. Foi corajoso ao colocar o dedo em feridas e tabus que circundam o Poder Legislativo. “A gente tem que honrar. Apesar de minha opção sexual, eu sou muito homem. Eu não falo chorando, nem miando e não quero dó de ninguém. Dignos de dó são os [vereadores] fujões, que na hora que o bicho pega estão em reunião, foram viajar, foram para Brasília. O vereador pode fazer isso, claro que pode. Mas, engraçado é que as doenças, as viagens, só acontecem na hora que o prefeito Vladimir chama ao banco dos réus. Eu nunca corri, porque o meu voto para ele estava sempre ali”, garantiu.
Santiago disse ainda que a partir de agora não deixará nada sem respostas. Admitiu, ainda, que os discursos mudaram em razão da aproximação do ano eleitoral. “Eu não bato na cara, mas as respostas virão. Nós estamos em baixa, baixíssima. E se não abrirmos os olhos, vamos acabar com a profissão de político. Deixo um aviso a todos que se sentiram magoados com minhas palavras, que a partir de gora vai ser assim. Aqui eu não costumo ser demagogo, eu não costumo fugir da raia. Os discursos aqui mudaram, porque está aproximando o ano eleitoral. Os vereadores fujões agora estão querendo aparecer. Os vereadores coitadinhos agora querem aparecer. O que não tem aqui é vereador coitadinho. Agora comigo é assim, falou, tomou. Eu não tenho nada a perder. Que o recado amarre a carapuça”, finalizou.
O vereador Rodyson Kristinamurt (PSDB) foi o único parlamentar presente à sessão a responder ao vereador Delano Santiago. “Alguém falou que está envergonhado em andar na rua. Eu não. Tenho trabalhado e me esforçado para fazer a minha parte. Temos que parar com essa ciumeira boba, besta. O meu adversário político não é o vereador Félix [Edimar], não é o Nonato [Raimundo], não é o Edmar Rodrigues... o meu adversário político para a próxima eleição é minha própria legenda. São os pré-candidatos do meu partido, porque se eles tiveram um voto a mais do que eu, estou fora. Nós já temos problemas demais no município para criar esse tipo de picuinha”, discursou.
O presidente da Câmara, Rodrigo Vasconcelos de Almeida Kaboja (PSL) não se manifestou sobre o intenso clima de disputa que acontece nesse início do segundo semestre. O presidente, que sempre adotou um tom conciliador, também está fugindo dos confrontos. Ele permaneceu em silêncio por ocasião do discurso do vereador Marquinhos Clementino (PROS), que afirmou haver um birô de negócios na Câmara relacionado à votação de projetos de zoneamento urbano. Da mesma forma, prevaleceu o silêncio do presidente  diante das afirmações duras e contundentes de Delano Santiago.

 

Crédito: Jotha Lee

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