Termina hoje a XVII Marcha em Defesa dos Municípios

Cinco vereadores de Divinópolis participam do evento em Brasília. Dilma não comparece e Aécio é ovacionado.

Termina hoje em Brasília a XVII Marcha em Defesa dos Municípios. O evento que é promovido pela Confederação Nacional de Municípios (CNM) debate “A crise nos municípios e a conjuntura eleitoral.”
O vereador, Rodyson Kristnamurti, é presidente da Associação das Câmaras Municipais do Centro-Oeste de Minas (Acam) e afirma que a crise nos municípios é muito grande. “A queda no repasse do Fundo de Participação dos Municípios (FPM) está gritante. Os gestores querem uma mudança e foi amplamente discutida. Além disso, saúde e segurança pública foram muito discutidas.”
O parlamentar ainda destaca os empréstimos que os municípios precisam fazer quando necessitam de dinheiro. “Os municípios quando precisam de verba, fora do FPM que teve queda de cerca de 40%, são obrigados a pegar empréstimos. Quando o governo federal anuncia que faz investimento no município, nada mais é uma maquiagem de empréstimo do dinheiro público. É como se fosse uma agiotagem com o dinheiro público. Quando o município precisa de dinheiro ele vai pegar em vias de empréstimos e financiamentos, que é feito com dinheiro público que de alguma forma os municípios geraram.”
Para o vereador, Eduardo Print Júnior, que também participa do encontro, todos têm um expectativa de mudança. “Os repasses que são efetuados hoje para o município são bem menores do que a obrigação que o próprio governo federal tem, como, por exemplo, na educação o município investe 25% e o governo federal investe cerca de 15%. É como se o filho tivesse mais responsabilidades que o pai”, compara.
Também participam da Marcha em Defesa dos Municípios os vereadores, Edimar Félix, Dr. Delano e José Wilson Piriquito.

 

 

Dilma Rousseff
Os prefeitos e vereadores aguardavam a presença da presidente da república, Dilma Rousseff, na abertura do evento, realizado nesta segunda-feira. Mas a chefe do executivo federal não compareceu e não enviou representante.
A atitude da presidente deixou os participantes indignados, como conta o vereador, Rodyson. “Tínhamos uma expectativa que a Dilma viria para fazer um debate com os representantes dos municípios e ela não veio e não mandou representante. Ela perdeu uma ótima oportunidade de mostrar seu plano de trabalho, o que ela fez e o que poderia fazer pelos municípios. O sentimento que ficou entre os vereadores e prefeitos foi de revolta e indignação. A crise está em todos os municípios do país. Ela sabe a crise que os municípios estão vivendo e sabe que a pressão em cima dela seria muito grande e está sendo. Queremos saber como será daqui para frente”, completa Eduardo Print Junior.

 

 

Presidenciáveis
Prefeitos, vice-prefeitos, secretários, vereadores e demais agentes municipais foram convocados para participar e a CNM enfatiza que “os Municípios são vítimas das transferências de responsabilidades e desigualdades financeiras. Não podemos mais aceitar que o desequilíbrio federativo continue a assombrar o ente mais fraco. E, como 2014 é ano eleitoral, é preciso cobrar dos futuros candidatos um compromisso real com o municipalismo.”
E justamente por ser ano eleitoral, os pré-candidatos à presidência da república tiveram espaço para expor suas idéias e fazer propostas para solucionar estes problemas. Entre os presidenciáveis, Aécio Neves (PSDB) e Eduardo Campos (PSB), discursaram na manhã de ontem (14) no evento.
No encontro, Aécio cobrou do governo federal a reivindicação dos prefeitos por mais investimentos nos serviços públicos. “A questão da Federação é central no Brasil que nós queremos construir. Transferir recursos para os municípios e estados de forma corrente é essencial. E existe uma agenda no Congresso Nacional que trata da Federação – ampliação dos recursos do fundo de participação, renegociação da dívida dos estados, fim da tributação do Pasep – que poderiam ser tomadas pela presidente da República bastando uma palavra à sua base. Mas ela sempre adia esses problemas. E prefere o marketing, prefere medidas absolutamente paliativas que não tratam das questões na profundidade que precisam ser tratadas, como a questão da saúde pública, que precisa de financiamento e de gestão.”
Para Eduardo Campos, é importante estreitar a relação e o diálogo com os municípios. De acordo com ele, a criação de conselhos e conferências servirá como os principais canais de diálogo na relação com os municípios. “Eu tenho certeza que o diálogo será uma marca do meu governo. Eu condeno a desoneração a custo dos municípios, não pode haver paralisação da máquina municipal. Como forma de solucionar o problema, pretendemos fazer inclusão de recursos na base do Fundo de Participação dos Municípios (FPM).”

 

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