quinta-feira, 31 de Dezembro de 2015 02:33h Atualizado em 31 de Dezembro de 2015 às 02:41h. Jotha Lee

Tolentino aponta prioridades para 2016

Com uma carreira política meteórica, o deputado estadual Fabiano Tolentino está no segundo mandato na Assembleia Legislativa

Ao contrário de seu primeiro mandato, quando apoiou o governo estadual tucano, nessa legislatura ele integra o Bloco Independente e diz que manterá essa conduta em 2016. Para Tolentino, 2015 foi um ano bastante turbulento “Foi um ano travado”, resume.
O deputado tem várias críticas à atuação da própria Asembleia Legislativa de Minas Gerais (ALMG), que no seu entendimento cometeu alguns erros ao longo do ano. Ele cita como exemplo a aprovação da volta do auxílio moradia, que havia sido extinto em 2014. O benefício, no valor de R$ 4.377,73, é concedido mensalmente a todos os parlamentares, inclusive os que residem em Belo Horizonte. “Foi um erro voltar com algo que já havia sido extinto”, critica. Tolentino, que abriu mão do benefício em 2013, votou contrário à volta do auxílio moradia, uma aberração extinta em um ano e reativada no seguinte. 
Outra crítica feita pelo deputado divinopolitano foi a derrota da proposta de corte do ponto de deputados faltosos às sessões ordinárias. A proposta foi apresentada por Fabiano Tolentino através de uma emenda a um Projeto de Resolução da Mesa Diretora e teve apenas 17 votos favoráveis e 59 contrários. Para o parlamentar essa seria uma medida correta e de interesse público. “É mais do que justo, porque é assim que funciona na iniciativa privada”, afirma.  “Esses deputados que votaram contra não estão enxergando o que está passando do lado de fora da Assembleia e pensam muito mais nos seus benefícios do que em organizar o próprio Poder Legislativo. Acho que essa foi uma derrota para a Assembleia”, emenda.
Nessa entrevista concedida ao Gazeta do Oeste, Tolentino lista as prioridades para 2016 e coloca entre elas questões que estão se arrastando ao longo dos anos, como o tratamento do esgoto e a conclusão do hospital púbico regional.
 

Quais medidas pretende tomar para agilizar as obras de duplicação da MG-050?
Essa será uma pauta prioritária para 2016. As obras estão atrasadas e somente para acesso ao Divinópolis serão necessários cinco trevos, que já deveriam estar prontos. Essa obra tem um atraso de quase cinco anos. No início do ano faremos uma audiência pública em
Divinópolis para novamente debater esse atraso e buscar soluções. Já fizemos outras audiências e esse é o mecanismo que temos para exigir que as obras sejam agilizadas. Estamos analisando todo o contrato da PPP [Parceria Público-Privada] assinada com a [concessionária] Nascentes das Gerais e provavelmente faremos uma denúncia no Ministério Público sobre esse atraso no cronograma de obras.
 

O senhor já conversou com a Nascentes das Gerais sobre os motivos desse atraso?
Várias vezes. Cobramos em audiências públicas e agora já solicitamos ao governo do Estado cópia de todos os contratos e aditivos assinados entre Estado e Nascentes. Queremos entender todos os aditivos que foram feitos agora e iremos cobrar sobre os contratos e cronogramas de obras, porque até então eles não existiam para que a gente pudesse fazer uma cobrança mais efetiva. Agora o Estado está exigindo o cronograma de obras, o que nos dá melhores condições de cobrança e fiscalização.
 

A Nascentes não está cumprindo o contrato ou há omissões contratuais nesse sentido?
São várias situações. Existem algumas falhas contratuais e a Nascentes não está cumprindo alguns acordos que constam do contrato. Quando se faz uma PPP busca-se a solução, no caso, a recuperação da rodovia, e o pagamento para as obras é dividido em vários anos, no caso da MG-050 são 32. A empresa entra fazendo as obras e depois vai recebendo através do pedágio e isso não está acontecendo no caso da MG-050. A Nascentes primeiro recebe nosso dinheiro e com muito atraso vem fazendo as obras. E isso se torna inviável diante do ponto de vista daquele que paga pedágio. Nós devíamos ter as obras antes de pagar o pedágio e não ter o pedágio antes das obras.
 

Outro atraso significativo é a construção da estação de tratamento de esgoto do Rio Itapecerica. Como o senhor se posiciona sobre isso?
A Copasa é outra situação que precisa ser resolvida. Há três anos já estamos pagando através da conta de água para o tratamento do esgoto e as obras não acontecem. No início do ano, a pedido do vereador Careca da Água Mineral, faremos uma audiência pública em Divinópolis para tratar da questão. O Rio [Itapecerica] cada dia mais poluído e o esgoto continua sendo atirado em seu leito sem nenhum tratamento, precisando com urgência da estação de tratamento, que nós já estamos pagando por ela, e as obras não acontecem.
 

O senhor tem alguma previsão feita pela Copasa para início das obras?
A gente tem feito questionamentos frequentes e a informação é que as obras devem começar em março e vamos cobrar o cronograma de obras da empresa, inclusive nessa audiência pública. Eu tenho dúvidas que uma obra desse tamanho, que começa em março, vai ser concluída até o final do ano, cumprindo o que está no contrato. [A informação da própria Copasa, repassada ao vice-prefeito Rodrigo Resende, é que as obras devam começar somente em julho].
 

O Hospital São João de Deus está agonizando. O senhor vê solução em curto prazo?
Esta é outra questão urgente. Nesse momento faltam recursos do Estado e nem a promessa do governador de aumento dos leitos de CTI foi cumprida. Tem alguns repasses do Estado que precisam ser melhorados, também alguns repasses da prefeitura que devem ser revisados. Nós precisamos reequilibrar as contas do Hospital São João de Deus, que continua passando por dificuldades. Dentro desse processo de recuperação do São João, precisamos também agilizar a conclusão do Hospital Público, que já está com mais de 85% das obras prontos e aí cabe também ao Estado o repasse de mais recursos para sua conclusão. Já está muito atrasada e parece que não há muito ânimo do governo do Estado em concluir a obra. Um hospital público não é de um ou outro governo, é da cidade e da região. Independente de qual governo começou a obra e qual vai terminar, o que a gente quer é a obra concluída. Cabe a nós cobrar agilidade do governo, para que Divinópolis possa ter mai suma opção hospitalar, que vai inclusive solucionar a situação do hospital São João de Deus, porque ele vai atender à baixa complexidade, enquanto o São João ficará com a média e alta. O Hospital Regional deveria ser uma prioridade do governo, pois na verdade vai beneficiar toda a macrorregião e vai contribuir nessa divisão de pacientes. O governo deveria tratar com mais carinho, inclusive com mais respeito, a construção do Hospital Público. Da mesma forma, tratar com mais dignidade o São João de Deus que continua sendo o grande hospital da cidade, o grande salva-vidas da região Centro-Oeste.
 

A dívida do São João subiu de R$ 80 milhões para R$ 130 milhões. O que se pode fazer para estancar isso?
É preciso encontrar formas de garantir o funcionamento do hospital São João de Deus. Quanto a dívida, que era de R$ 80 milhões e agora é de R$ 130 milhões, terá que ser quitada através de outra alternativa. O que a gente precisa fazer hoje, de imediato, é estancar o crescimento dessa dívida. Precisamos viabilizar o hospital e isso é o que deve ser feito de imediato.
 

O senhor manteve linha independente esse ano na Assembleia Legislativa. Vai manter a mesma política para o ano que vem?
Em 2016 vou continuar no bloco independente, continuarei votando favorável à tudo aquilo que for bom para Minas Gerais, assim como fiz esse ano. Mas, o que não for bom para a população terá meu voto contrário.
 

O senhor começou o mandato aliado ao governo do município, porém hoje há um distanciamento. Esse elo se rompeu?
Não é exatamente isso. Com a aproximação da eleição, cada grupo busca seus candidatos a vereadores e a prefeito e isso é natural. A gente ainda não sabe de que forma vamos trabalhar as candidaturas que virão em 2016. Já temos o nosso grupo, alguns nomes que podem ser candidatos a prefeito, como o Aristides Salgado, também o Marquinhos Clementino, nosso próprio nome que tem sido citado, então a gente ainda não tem uma definição e isso vai acontecer no momento certo. Aí é natural esse distanciamento com o governo municipal, cada um com seus nomes, suas propostas, com seus pensamentos. Não que eu seja contrário aos nomes colocados pelo governo que aí está, mas com relação a administração, continuo trabalhando por Divinópolis, independente do governo. Mesmo com todo esse distanciamento Divinópolis está recebendo esse ano R$ 520 mil de minhas emendas parlamentares, ou seja, um terço dos nossos recursos.
 

Seu planejamento político era uma candidatura a deputado federal, mas aumentam os rumores de que sua candidatura a prefeito estaria muito próxima. Qual é a realidade?
Meu plano continua sendo a candidatura a deputado federal. O PPS lançará candidato a prefeito em Divinópolis e isso gera muita especulação sobre quem o partido vai lançar ou se vai aliar a outro grupo. Com isso acaba surgindo nosso nome, mas o meu projeto continua sendo uma candidatura a deputado federal. Vai chegar, sim, o momento de disputar a prefeitura de Divinópolis, não sei se será em 2016, mas o momento vai chegar. Hoje o pensamento continua sendo uma disputa para federal.


Créditos: Jotha Lee

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