sábado, 1 de Outubro de 2011 08:37h Atualizado em 1 de Outubro de 2011 às 10:31h. Flávia Brandão

Tribuna é usada para defender Hosp.S. João de Deus

Frei Ronan usou a tribuna para defender HSJD de criticas do vereador Beto Machado (foto) relativas à situação do setor de ortopedia do hospital

O superintendente da Fundação Geraldo Correa, mantenedora do Hospital São João de Deus, Frei Ronan, esteve na última quinta-feira (29), na Câmara Municipal de Divinópolis, para utilizar a Tribuna Livre onde teceu várias críticas à fala do vereador Beto Machado (PSDB), feita no último dia 13, relativa aos atendimentos do setor de ortopedia. O Frei justificou a presença na tribuna dizendo que a intenção era defender o HSJD, que muito tem se esforçado para atender a população e que recebe inúmeras críticas e pouca ajuda da Prefeitura Municipal, já que o município não tem dinheiro para pagar nem a metade dos serviços prestados pelo hospital.


Frei Ronan iniciou dizendo que é muito fácil criticar a saúde, e que muitas pessoas fazem no sentido de “mostrar serviço”, numa “autopromoção eleitoreira”. Na sequência, disse que Divinópolis não tem uma saúde comparada às melhores do Brasil, mas não está também entre os piores e disse que o HSJD tem recebido várias criticas, pela não condição de atender toda a demanda. O superintendente disse que a equipe do hospital aprendeu “ao longo do tempo a fazer o trabalho não dando muito importância a determinadas críticas.


No entanto, ele disse que estranhou o discurso do vereador Beto Machado, no último dia 13, quando foi pedida pelo edil a intervenção da Comissão de Saúde da Câmara para apurar atendimentos ortopédicos no hospital São João de Deus, alegando que o hospital conta com apenas um equipamento intensificador de imagem.


Frei Ronan disse que ficou ainda mais surpreendido, quando o secretário adjunto de Saúde, Gilmar Santos endossou a fala de Beto “Mais ainda nos causou estranheza, quando no dia seguinte o secretário adjunto de saúde, senhor Gilmar Santos, endossou essa fala dizendo que o equipamento era comprado com o dinheiro do Pro-Hosp”, disse.


Frei Ronan esclareceu que o hospital conta com dois aparelhos e nenhum deles foi comprado com o dinheiro do Pro-Hosp, programa de repasses do Governo Estadual. “Os dois (aparelhos) foram comprados com dinheiro próprio, e por sua vez um deles devido ao tempo de uso estava parado para manutenção, nos últimos dias estão os dois funcionando”, criticou o frei.


Hospital Público


O superintendente disse que a administração do HSJD nunca teve a pretensão de deter todos os atendimentos da saúde, na cidade e desde o início apoiou essa iniciativa do Governo Municipal para construção do hospital publico “É extremamente necessária a construção e não queremos e não temos condições de ser o único hospital a atender toda a demanda de Divinópolis e região”, salientou. Disse ainda que os vereadores poderiam verificar pela regulação estadual de saúde, que de cada três pacientes da ortopedia 2 são de outras cidades. “O HSJD não escolhe a quem atender e não tem o direito de escolher a ninguém é a regulação do estado, uma portaria”, explicou.


Falta de pagamento


Frei Ronan disse que entendia que a postura do vereador já que ele era do partido do prefeito Vladimir. “Eu entendo vereador, que o senhor sendo do partido do prefeito tenha a obrigação talvez de defender o prefeito, a política do município, mas, no entanto sugiro que esse tipo de fala, de pedir a intervenção da comissão de saúde, seja apurado”, criticou.


Na sequência, disse que não tinha “pretensão de ensinar nada a ninguém” muito menos aos vereadores - função que diz ter admiração - e contou que a realidade era que o município não tem dinheiro para pagar pela prestação de serviço do hospital são João de Deus. “Hoje, eu recebi menos da metade daquilo, que deveria ter recebido.

Portanto como no mês passado hoje o HSJD precisa fazer novamente empréstimos bancários a juros altíssimos para pagar folha de pagamento para manter minimamente os compromissos em dia”, declarou.


Esforço


O superintendente disse ainda que o HSJD tem feito um “tremendo esforço” no atendimento e não consegue sequer receber por aquilo que presta. Disse que ao mês são 82 cirurgias pelo SUS em ortopedia, o que segundo ele é um volume alto, em relação ao Estado. “Não temos capacidade técnica, financeira e de espaço para aumentar isso. Eu vim fazer a defesa do HSJD porque acho injusta essa crítica e além de injusta não é verdadeira”, finalizou Ronan.

 


Justificativa


Já vereador Beto Machado (PSDB) justificou o pedido de acionamento da Comissão de Saúde dizendo que sua fala foi baseada em uma carta denúncia assinada por 12 médicos do HSJD, que alegaram a falta de estrutura no setor de ortopedia. Nesse sentido, ele completou dizendo que o intuito era verificar a situação e buscar soluções, já que vários pacientes ficam no Pronto Socorro ou em casa dias esperando por atendimento. “Não fui eu que criei esse documento. Nele constava a falta do intensificador, furadeira e também do equipamento pneumático para que pudesse atender o maior número de pacientes na ortopedia”, declarou.  Beto ressaltou que respeita muito o trabalho prestado pelo HSJD, mas disse que não entendeu o pronunciamento do “irmão Ronan”, uma vez que o mesmo não condiz com ele (Beto) pronunciou que: “foi tão somente o discurso em cima da denúncia oficializada pelo corpo clínico do HSJD”. 

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