sexta-feira, 16 de Março de 2012 08:53h Atualizado em 16 de Março de 2012 às 10:01h. Carla Mariela

Tribuna enfoca as Mulheres na Política

A solicitação foi feita na Tribuna Livre por servidora pública

A Reunião da Câmara Municipal do dia 13/03, às 14hs, teve participação na Tribuna Livre, da jornalista e servidora pública Katiúscia Freitas, que falou sobre a participação feminina na política, e da necessidade de mais mulheres inseridas nos partidos políticos em Divinópolis. Para ela, as mulheres devem ter o seu espaço ampliado nesse sentido.
Durante o pronunciamento, a jornalista afirma que, existem dados que comprovam que Divinópolis possui baixo índice de mulheres na política. “Depois de anos acompanhando a Câmara Municipal, nós percebemos que aqui é um espaço predominantemente masculino, isso ocorre na política em geral. Uma pesquisa que fiz baseada nos dados do TSE, que é uma fonte confiável, nos 25 partidos existentes em Divinópolis, há 124 membros nas Comissões Executivas e apenas 28 têm mulheres, dos 25 partidos, apenas quatro mulheres na presidência. Na minha opinião, existe pouca mulher na direção, ou seja, todas as políticas dos partidos fortes, a formação, capacitação, investimento político até na campanha, vai para os homens, porque elas não estão em cargo de decisão”, afirma.
Katiuscia cita a Casa Legislativa de Divinópolis como exemplo dessa distribuição maior dos membros masculino na política. “Nós vemos o reflexo aqui na Câmara, nós temos 13 vereadores sendo que temos apenas uma mulher, a Dra. Heloísa Cerri, e em toda história política em Divinópolis tivemos apenas quatro mulheres vereadoras, isso no ano de 2012 é inaceitável. No meu pronunciamento, eu pedi a todos que refletissem, pois esse ano é ano de eleição, todos eles têm os seus partidos e como estão em mandatos, são pessoas que decidem e opinam, e o meu pedido é que eles possam dar mais chances para as mulheres em seus partidos”, declara.
Em relação à cota de 30% que determina candidatas femininas, Katiúscia Freitas, disse que, é preciso que essa cota seja concretizada de maneira correta. “Eu peço que eles obedeçam à cota de 30%, mas que não seja aquela cota de última hora, dois dias antes de fechar a eleição convidam a mãe, a irmã, a vizinha e a prima e colocam o nome e lançam só para ter nome na chapa. O certo é que essas mulheres sejam formadas dentro dos partidos, que elas participam de capacitação, que elas tenham todo um processo que é disponibilizado pelos homens, eu acho que se acontecer isso, o resultado será de mais mulheres aqui dentro, como disse um vereador hoje em seu pronunciamento, se tivesse mais mulheres na política, o Brasil poderia até ser melhor, pois estatísticas comprovam que as mulheres são mais voltadas para o social, são voltadas para o próximo, são menos corruptíveis, eu acho que as coisas estariam melhores se tivesse mais espaço na política para as mulheres”, comenta.
Outro assunto pautado por ela na Tribuna Livre foi o fato das mulheres sofrerem violência dos seus companheiros, para ela, isso precisa acabar. “As mulheres devem ter o mesmo direito que os homens, o século XXI mostra que ainda existe mulher submissa aos homens, talvez pela falta de escolaridade, ou provavelmente por medo. Acho que em relação à violência é preciso que haja uma mudança cultural, o menino desde criança tem que aprender a cuidar do próximo, isso vem de casa, vem de berço, para quando crescer possa tratar a mulher igual e não como ser inferior, isso ajudaria porque quando a pessoa se tornasse adulto não daria tantos problemas. Quanto mais instrumentos que a mulher possuir, uma vez que sabe que existe a delegacia, sabe que tem a promotoria, a defensoria pública, tem vários instrumentos legais e públicos que podem ajudá-la, isso facilita. Mas, às vezes a mulher de um bairro simples, analfabeta, de pouca instrução, geralmente não recebe informações e fica em um mundo a parte, isso dificulta”, esclarece.
Contudo, é fundamental que as mulheres estejam mais inseridas na política para que assuntos de relevância e que trazem benefícios para a sociedade, melhore cada vez mais. Esse quadro existente de membros da Executiva dos Partidos com sede em Divinópolis, onde apresenta partidos com apenas no mínimo uma mulher e no máximo três, precisa ser revertido.

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