sábado, 17 de Setembro de 2011 10:41h Atualizado em 17 de Setembro de 2011 às 10:44h. Flávia Brandão

TSE recebe desfiliação de Edson Sousa do PDT

Desfiliação que era para ser feita em maio, foi concretizada apenas ontem (16). Edson alega que estaria “morto politicamente” se não verificasse a situação no TSE e se filiasse a outro partido.

O vereador Edson Sousa afirmou, na última quinta-feira (15), em entrevista a Gazeta do Oeste, que está regularmente filiado ao Partido Democrático Trabalhista (PDT). Segundo o parlamentar a Executiva Municipal do PDT - presidida pelo vice-prefeito, Francisco Martins - não cumpriu com o acordo constado em ata, que previa sua desfiliação partidária e comunicação à Justiça Eleitoral e a Câmara Municipal a partir do 1º dia útil, após o dia 13 de maio. Edson acreditando que o acordo tinha sido cumprido e prestes a ingressar em outro partido constatou em consulta ao Tribunal Superior Eleitoral, agora em setembro, que estava regularmente filiado ao PDT (veja imagem 1). O parlamentar disse que iria levar esse “imbróglio político a Executiva Nacional e Estadual do PDT”, que inclusive tinha pessoas fazendo essa ponte, no entanto, ontem (16), por voltas das 13h, foi concretizada a desfiliação do vereador, após quatro meses do previsto.  

 

 

Nossa reportagem entrou em contato, nessa sexta-feira, com presidente Francisco Martins (PDT) para verificar porque o acordo constatado em ata não havia sido cumprido - conforme o relato do vereador - mas até o fechamento da edição não obtivemos retorno. No entanto, a chefe do Cartório Eleitoral - da 103ª Zona Eleitoral de Divinópolis, Cíntia Greco, também procurada e questionada pela reportagem se havia algum comunicado do PDT a respeito da desfiliação do vereador Edson Sousa revelou que na nessa última quinta-feira (15) o presidente da sigla, Francisco Martins, havia feito a comunicação ao Cartório Eleitoral e a desfiliação seria concretizada nessa sexta (16), no caso ontem, conforme foi constatado pela Gazeta do Oeste (veja imagem 2).

 

Cintia esclareceu que as filiações não precisam ser levadas ao Cartório Eleitoral da cidade, são feitas pelos próprios partidos,via internet, pelo aplicativo Filiaweb da Justiça Eleitoral. Já no caso das desfiliações tem que ser feito um requerimento pelo filiado, no qual deve conter o ciente do presidente do partido, e esse documento com a desfiliação tem que ser entregue pelo próprio ex-filiado no Cartório Eleitoral. “A desfiliação tem que ser entregue aqui e o prazo que conta é a data do protocolo aqui na Justiça Eleitoral. Se o eleitor se desfiliar só no partido e não trazer a comunicação aqui não tem valor”, explicou Cíntia.

 

 

Na ata de desfiliação do vereador Edson Sousa em acordo feito pela própria  Executiva do PDT - entregue cópia a Gazeta pelo próprio edil na ocasião do fato -  diz o seguinte sobre a responsabilidade de comunicação a Justiça Eleitoral: “por unanimidade foi aprovada a desfiliação partidária do vereador Edson Sousa a partir do dia 13 de maio de 2011, as 13 horas e 13 minutos. Assim fica a Executiva Municipal do PDT de Divinópolis encarregada de encaminhar essa decisão no 1º dia útil após o dia 13 de maio a Câmara Municipal de Divinópolis, a Executiva Estadual e ao Cartório Eleitoral”. Mas após quatro meses, que o presidente foi comunicar a Justiça Eleitoral e ontem a desfiliação foi de fato concretizada.

 

Indignação

 

 

Diante da não desfiliação até essa quinta-feira (15), Edson relatou sua indignação do acordo não ter sido cumprido e disse que pretendia levar o problema a Executiva Nacional e Estadual do PDT. Questionado se ele havia procurado Francisco para saber o porquê o acordo não havia sido cumprido, Edson disse não o procurou. “A última vez, que eu falei com ele (Francisco) foi da assinatura da ata, que ele iria encaminhar para a Justiça Eleitoral com a desfiliação. Passou maio, junho, julho, agosto, setembro e se eu faço minha filiação em outro partido sem consultar eu estava morto politicamente ia ter que sair da vida pública, porque eu iria estar com dupla filiação partidária”, declarou.

 

Edson afirma que todo esse imbróglio político teve início em fevereiro, quando a Executiva Municipal do PDT de maneira arbitrária - sem que ele tivesse direito a defesa - mandou a suspensão da atividade partidária para a Câmara. “O Pastor Paulo cometeu erros gravíssimos quando ele me tirou como relator da CPI, ao invés de acreditar na Justiça, acreditou em uma visão única só do PDT, não me deu o direito ao contraditório. Eu não pude participar da Comissão de Ética, eu perdi a voz, o tempo de líder partidário. O meu advogado acha que eles cometeram os mais absurdos erros, a Câmara Municipal está em uma saia justa agora, porque quem vai pagar isso?”, declarou. 

 

 

O vereador avalia que tem gente do governo por traz dessa ação e disse que foi um desrespeito muito grande com sua pessoa. “Achei um absurdo, me deu um sentimento de indignação tão grande, um desrespeito porque o que está por traz disso é eles estavam preparando, é gente do Governo, com alguns membros do PDT, para que eu tivesse dupla filiação e assim saísse da vida pública”, declarou.
 

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