terça-feira, 7 de Fevereiro de 2012 09:09h Atualizado em 7 de Fevereiro de 2012 às 10:30h. Liziane Ricardo

Vereador de São Gonçalo do Pará poderá reaver mandato com liminar do TJ

Zezinho foi cassado por quebra de decoro ao acusar dois parlamentares de esquema de propina

O petista Raimundo Batista Ferreira que teve seu mandato cassado em novembro do ano passado, poderá reaver sua cadeira no Legislativo de São Gonçalo do Pará, graça a uma liminar conseguida junto ao Tribunal de Justiça. Segundo informações, o documento tem validade até 16 de março, data estipulada para o julgamento do caso.
Segundo fontes ligadas ao parlamentar mais conhecido no município como ‘Zezinho’, as chances dele conseguir seu mandato de volta são grandes, considerando sua alegação diante ao TJ, de que a comissão processante não teria sido escolhida através de sorteio conforme previsto em regimento. Entretanto, sob a orientação dos advogados a comissão foi escolhida aleatoriamente, o que ocasiona na alegação de que houve um erro processual, podendo então, o vereador retomar suas atividades parlamentares.

ENTENDA O CASO
No primeiro semestre de 2011 a Câmara Municipal de São Gonçalo do Pará já teria se transformado no alvo para a instalação de uma Comissão Parlamentar de Inquérito (CPI) na busca por indícios quanto a suspeita de um esquema de propina entre dois parlamentares do município, na região Centro-Oeste de Minas. Em novembro o vereador Raimundo Batista Ferreira teve o mandato cassado pela Câmara Municipal de São Gonçalo do Pará. Dentre as alegações, o petista foi afastado por quebra de decoro parlamentar, por seis votos a um, considerando que Raimundo (Zezinho) foi acusado de ter colocado o Legislativo Municipal sob suspeita.
O processo foi aberto em abril, quando Raimundo teria comparecido à Casa com cerca de R$ 5.000, sendo R$ 3.750 em dinheiro e o restante em cheque de R$ 1.750. De acordo com o presidente da Câmara, Maycon Silva de Lima (PSDB), ao apresentar a quantia em plenário, Raimundo disse que era vítima de uma armação, por parte de um empresário do ramo de extração de areia, com a participação de outros dois vereadores.
De acordo com o líder da Casa, o processo foi instaurado porque Raimundo não teria informado o nome dos parlamentares que estariam envolvidos na denúncia. “Dessa forma, o vereador colocou toda a Câmara sob suspeita”, explicou.

CHANTAGENS
Na época, o vereador Raimundo Ferreira afirmou que as chantagens tiveram início após ele apresentar um projeto que alterava a Lei Orgânica do Município e permitia que empresas instalassem dragas às margens do Rio Pará para fazer a retirada de areia e cascalho. Segundo as informações de Raimundo à imprensa local, 27 dias após a tramitação final do projeto, aprovado por unanimidade, ele teria sido procurado. Na ocasião, a pessoa lhe entregou um pacote, porém (Raimundo) teria pego o devido pacote com intenção de identificar quem havia enviado. Contudo, o dinheiro foi apresentado à Casa na primeira sessão após o recebimento do valor, de onde o parlamentar pediu para que a CPI fosse instaurada.
Durante o período em que Raimundo teve seu mandato cassado, quem assumiu sua vaga foi a vereadora Maria Antônia (PT). Contudo, o julgamento do processo está marcado para 16 de março deste ano.

© 2009-2017. Todos direitos reservados a Gazeta do Oeste. Este material não pode ser publicado, transmitido por broadcast, reescrito ou redistribuído sem autorização.