quinta-feira, 13 de Novembro de 2014 09:57h Atualizado em 13 de Novembro de 2014 às 11:10h. Jotha Lee

Vereador diz que o Hospital São João de Deus foi alvo de roubalheira

Autor de pedido de CPI garante que Prefeitura investiu mais de R$ 4 milhões

O vereador Nilmar Eustáquio (PSC), autor do requerimento que obteve mais 14 assinaturas com pedido de instauração de uma Comissão Parlamentar de Inquérito (CPI) para apurar o rombo financeiro no Hospital São João de Deus, disse ontem que a Câmara precisa dar uma resposta imediata à população. “Essa CPI precisa ser instalada como única forma de apurar esse rombo, essa roubalheira no São João”, disse ele.
A CPI ainda não foi nomeada, pois esbarra na questão da legalidade. A Câmara só pode investigar o Hospital São João de Deus, caso tenha ocorrido investimentos de verbas municipais na unidade. Uma Comissão Especial foi formada, tendo os vereadores Nilmar Eustáquio, Edimar Félix, Marcos Vinícius Alves da Silva, Edmar Rodrigues, Rodyson Kristinamurt e Edimilson Andrade, para analisar documentação fornecida pela Prefeitura, através do secretário municipal de Saúde, David Maia, que confirma a utilização de mais de R$ 4 milhões do município para custeio do hospital.
Esse documento garantirá a legalidade da CPI proposta por Nilmar Eustáquio. “Desde 2009, quando o prefeito Vladimir Azevedo assumiu o cargo, a Prefeitura já repassou mais de R$ 4 milhões através de convênios com o Hospital São João”, garantiu o autor do pedido de CPI.
Nilmar Eustáquio reclamou da morosidade da Comissão Especial que deverá analisar o documento. “O documento já chegou a esta casa há três semanas e até hoje essa Comissão não se reuniu sequer uma vez e nós não podemos deixar que prevaleça aquela história de que ‘comissão na Câmara não vira nada’. Eu protocolei esse documento sobre os recursos públicos aplicados no São João e até hoje não aconteceu nada e nós precisamos saber onde esses R$ 4 milhões foram gastos nesta parceria da Prefeitura com o Hospital São João de Deus’, afirmou.

 

 

 

SACO SEM FUNDO
Para Nilmar Eustáquio é preciso instaurar logo a CPI, pois essa, no seu entendimento, é a única forma de dar uma resposta ao povo sobre o que de fato aconteceu no São João de Deus, que em 2012 entrou em decadência por causa de um rombo de R$ 84 milhões, hoje já em R$ 120 milhões. Além disso, os problemas gerados para a saúde pública da cidade são enormes.
O município já teve que decretar estado de emergência na saúde pública por duas vezes, a última há 15 dias. O hospital não paga credores, não tem crédito na rede bancária, faltam medicamentos e insumos básicos e, mesmo depois de um ano de intervenção, nem Ministério Público e nem empresa interventora dão uma explicação clara sobre a real situação do único hospital da cidade conveniado ao SUS e responsável pelo atendimento de 57 cidades da macrorregião.
De acordo com o vereador do PSC é preciso dar uma resposta imediata, dar nomes e punir os responsáveis pelo rombo que colocou definitivamente em risco o maior hospital filantrópico da região Centro-Oeste. O vereador assegura que é muito dinheiro colocado na gestão do São João e não se sabe para onde este dinheiro está indo. “Parece um saco sem fundo, entra em cima e some embaixo. Então essa Casa tem que dar exemplo”, afirmou.
O vereador assegurou que a instauração da CPI é uma questão de tempo. “A CPI está apenas aguardando o parecer dessa Comissão sobre os recursos municipais investidos no São João”, afirmou. Ele criticou ainda a postura do presidente da Comissão de Saúde, Edimilson Andrade (PT), que vem fazendo discursos contra a instauração de uma CPI para apurar o que de fato aconteceu no São João de Deus. “Eu não sei se é uma resistência quanto à CPI, talvez conivente. Já trocamos algumas farpas aqui no plenário, porque ele pensa de uma forma e eu de outra. Se fosse eu o presidente da Comissão de Saúde já teria tido outro posicionamento sobre essa situação”, criticou.
Nilmar Eustáquio finalizou afirmando que os bons serviços prestados pelo Hospital São João de Deus não podem impedir uma investigação agora na unidade. Para ele, a investigação será necessária, pois vai apontar os culpados. “Nós não podemos ser coniventes com essa roubalheira que vem acontecendo aí, pois essa é a palavra certa. Fala-se por aí em desvio, apropriação indébita, mas tudo é roubo. A Câmara não pode permitir que isso continue acontecendo sem se manifestar. Essa Casa é Poder. É obrigação dar uma satisfação ao povo”, finalizou.

 

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