quinta-feira, 30 de Abril de 2015 10:23h Atualizado em 30 de Abril de 2015 às 10:26h. Jotha Lee

Vereador ironiza e pede ajuda de Pará de Minas para solucionar problema da Copasa em Divinópolis

Presidente da Câmara garante que Copasa é saúde e foi a melhor coisa para Divinópolis

A prestação de serviços da Copasa em Divinópolis tem sido motivo de críticas ácidas na Câmara Municipal. Praticamente em todas as sessões há pronunciamentos rigorosos contra a empresa, especialmente pela cobrança da taxa de esgoto, que no entendimento de alguns vereadores, é uma afronta aos consumidores.
O vereador Hilton de Aguiar (PMDB) foi mais longe e, em uma crítica irônica, sugeriu que Divinópolis peça ajuda a Pará de Minas para se livrar da Copasa. Na cidade vizinha, que no ano passado passou pela mais grave crise de desabastecimento de água de sua história, a prefeitura rescindiu o contrato de concessão com a Copasa, em uma briga que ainda se arrasta na Justiça. A concessionária entregou o serviço de abastecimento à Prefeitura, depois da revogação de uma liminar concedida pela 7ª Vara Cível de Belo Horizonte, que garantia a permanência da companhia em Pará de Minas, até o ressarcimento, por parte da administração municipal, de uma possível “indenização prévia”.
Após a decisão judicial, a empresa Águas de Pará de Minas, que pertence ao Grupo Águas do Brasil, vencedora da licitação para operar o serviço de abastecimento de água e tratamento de esgoto no município, já assumiu as atividades. Uma das primeiras medidas a ser adotada na cidade, segundo informa o diretor da nova concessionária, João Luiz Queiróz, será aumentar a captação de água. “A empresa já está tomando todas as providências para começar de imediato as obras de captação de água, no Rio Paraopeba, que resolverá de vez a questão do abastecimento no município”, informou.
Uma das novidades do contrato firmado entre a Águas de Pará de Minas e a prefeitura está na tarifa. O acordo prevê uma tarifa 3% mais baixa do que a cobrada pela Copasa. A prefeitura também terá direito a 2,5% sobre a arrecadação mensal da empresa e 1% para a manutenção da Agência Reguladora, que será criada no município.

 

IRONIA
O vereador Hilton de Aguiar acredita que Pará de Minas possa ajudar Divinópolis a “livrar-se da Copasa”. “Quero parabenizar ao prefeito, Antônio Júlio, pelo brilhante trabalho com relação à Copasa. Aqui em Divinópolis, já foi pedido para que fosse devolvido o valor cobrado, ou roubado, do povo [da taxa de esgoto] e nada aconteceu. A cidade de Pará de Minas conseguiu se livrar a Copasa. Prefeito tem que ser do jeito que ali tem. Ele peitou Ministério Público, ele peitou todo mundo, ele peitou a Copasa. Ele tirou a Copasa da cidade. Por que em Divinópolis tem que ser diferente? Você entra com uma ação no Ministério Público, o povo toma paulada. Se vai pedir alguma coisa ao juiz, o povo toma paulada. Em Pará de Minas o prefeito falou ‘quem manda aqui sou eu’ e mandou a Copasa sumir da cidade”, afirmou.
O vereador estranha o fato de que em Divinópolis nenhuma ação contra a Copasa saia vitoriosa. “Como pode isso? Aqui em Divinópolis nada acontece. O Ministério Público pediu a devolução da taxa cobrada pelo esgoto e eu não estou vendo tratamento nenhum. A Copasa está mesmo é usufruindo do povo, tirando do povo. Isso para mim se chama nada mais, nada menos, que um roubo à mão armada”, criticou. “O prefeito de Pará de Minas não aceitou nada disso e mandou a Copasa sumir da cidade. Em Divinópolis nada disso acontece. É uma vergonha”, acrescentou.
Hilton de Aguiar fez críticas à atuação do Executivo divinopolitano na relação com a Copasa. “Eu gostaria que Divinópolis tivesse um prefeito que peitasse o Ministério Público, o Papa, a Copasa, o que viesse ele peitasse, porque aqui se pode tudo. O prefeito de Pará de Minas, Antônio Júlio, bem que poderia vir para Divinópolis dar uma aula para nossas autoridades sobre como se livrar da Copasa”, ironizou.
O presidente da Câmara, Rodrigo Vasconcelos de Almeida Kaboja (PSL), que pertence à base do prefeito, saiu em defesa do Executivo e da Copasa. “Não posso concordar com o vereador Hilton de Aguiar, porque Copasa é saúde. Quando a Copasa veio para Divinópolis, todo mundo era contrário. Foi a melhor coisa a Copasa aqui na cidade”, afirmou. “Quando o vereador [Hilton de Aguiar] fala que Pará de Minas mandou a Copasa sumir, sabe-se que lá não tem nem água para beber. Então é um equívoco do vereador, ele não tem conhecimento do assunto”, disparou. Rodrigo Kaboja isentou Vladimir Azevedo pela concessão do serviço de água em Divinópolis, lembrando que quem renovou o primeiro contrato com a concessionária para o abastecimento foi Galileu Teixeira Machado (PMDB).
O ex-prefeito fez a renovação com a Copasa em 2001, dois anos antes do vencimento do contrato firmado por Antônio Martins, em 1973. Galileu renovou por mais 30 anos, sem consultar a Câmara Municipal. O vencimento ocorreria em 2033, entretanto, na assinatura do contrato de concessão do esgoto, o prefeito Vladimir Azevedo também antecipou a renovação do contrato de abastecimento de água, que agora vencerá somente em 2044.

Crédito: Jotha Lee

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