sábado, 13 de Junho de 2015 05:39h Atualizado em 13 de Junho de 2015 às 05:44h. Jotha Lee

Vereador lança desafio e diz que não tem medo de ser investigado

Presidente da Câmara nega pedido do PT para enquadrar Hilton de Aguiar na Comissão de Ética

O presidente da Câmara Municipal de Divinópolis, Rodrigo Vasconcelos de Almeida Kaboja (PSL), não atendeu ao pedido formal apresentado pelo PT, para que o vereador Hilton de Aguiar (PMDB) fosse enquadrado na Comissão de Ética, por quebra de decoro. O pedido petista foi feito diante dos sistemáticos ataques que o peemedebista vem fazendo contra o médico Alberto Gigante Quadros, plantonista da UPA 24h, a quem ele acusa de “incompetente e oportunista”.  Essa semana, o vereador usou seus dois pronunciamentos na Tribuna para atacar o médico, sob o argumento de que está “fiscalizando” a UPA, atendendo a solicitações que lhe são feitas por usuários.
Inexplicavelmente, ao contrário de nomear a Comissão de Ética para apurar possível quebra de decoro, conforme pediu o PT, Rodrigo Kaboja designou a Comissão de Saúde para apurar o caso. A nomeação foi feita na sessão da Câmara da última quinta-feira. Kaboja não explicou os motivos para a não nomeação da Comissão de Ética, a única que tem competência legal para apurar denúncia de quebra de decoro. “Quero nomear a Comissão de Saúde para que preste esclarecimentos à população e que traga os fatos que ocorreram”, foi o que disse Rodrigo Kaboja.
O vereador Hilton de Aguiar reagiu violentamente ao pedido do PT para enquadrá-lo na Comissão de Ética pelos ataques contra o médico Alberto Gigante Quadros. Ele voltou a abordar a questão em plenário, atacando também ferozmente ao médico Jorge Tarabal, que está envolvido em mais uma polêmica. Tarabal é acusado pelo vereador de ter declarado morto um homem que ainda estava vivo. O fato, segundo ele, ocorreu na UPA 24h, no dia 26 de maio.
TOSSE
Hilton de Aguiar revelou que no dia 24 de maio, às 12h42, Marques Máximo Moreira, que residia no bairro Dom Pedro II, deu entrada na UPA 24h “com um quadro de tosse e febre”. “No dia 26 de maio, entre 22h e 23h, ele teve uma parada cardíaca, tentaram reanimá-lo e o médico Jorge Tarabal o deu como morto. Ao levá-lo para uma sala que tem na UPA onde eles deixam os seus defuntos, ele tossiu”, conta Hilton de Aguiar. “É inadmissível aceitar isso. Um médico que ganha muito bem para fazer seu serviço, que tá pouco se lixando para a população. Cruz credo desse médico. Deus que me livre, que me guarde. Sai fora, que não tem nem palavras para um médico desse (sic)”, disparou.
A Secretaria Municipal de Saúde (Semusa) informou ontem que o caso está sendo investigado. De acordo com a Semusa, foi nomeada uma comissão de sindicância que está apurando a denúncia, acrescentando que ainda não há nenhum dado sobre a investigação que possa ser divulgado.
Jorge Tarabal está envolvido em outra polêmica. De acordo com ação de indenização contra a Prefeitura, que tramita na Vara de Fazenda Pública e Autarquias, no dia 9 de novembro de 2013, uma paciente de 46 anos – a Gazeta do Oeste vai preservar nomes e iniciais – deu entrada na antiga UPA Central queixando-se de dor precordial. Trata-se de uma queixa comum em serviços de emergência, sendo a principal causa de doença cardíaca. Está relacionada com uma obstrução parcial das artérias coronárias, diminuindo a irrigação do miocárdio, podendo ser o aviso de um infarto iminente.
A paciente foi atendida pelo único clínico geral presente na unidade naquela dia, o médico Jorge Tarabal, que prescreveu o analgésico Dipirona, embora, segundo os autos, tenha sido informado no ato do internamento que a paciente era alérgica ao medicamento. Depois de atendida na emergência, ela foi encaminhada para observação.
Em depoimento prestado no dia 13 de dezembro de 2013 em um inquérito administrativo que ainda está em curso na Prefeitura, a enfermeira que aplicou a Dipirona na paciente, relatou que ela começou a sentir dores. Disse ainda que seguiu a prescrição médica, que indicava a aplicação intravenosa do medicamento. Quatro horas depois, a paciente morreu vítima de choque anafilático, conforme relatam os autos. A Justiça concedeu liminar na ação que é movida pelos dois filhos da vítima e o pedido de indenização por danos morais no valor de R$ 211.579,96 será decidido no julgamento do mérito da ação, marcado para o dia 11 de agosto.
O médico Jorge Tarabal declara-se inocente da acusação de prescrição do medicamento que ocasionou a morte da paciente. Ele assegura que modificou a prescrição ao tomar conhecimento de que ela era alérgica à Dipirona. Tarabal não é parte na ação que está em tramitação na Justiça, mas é investigado pelo inquérito administrativo em tramitação na Prefeitura. Sobre as acusações relacionadas ao paciente declarado morto na UPA em maio passado, ele ainda não se manifestou e ontem, pelo segundo dia consecutivo, não foi localizado pela reportagem para falar sobre as acusações.
“ADOREI”
O pedido do PT para o enquadramento do vereador Hilton de Aguiar na Comissão de Ética por quebra de decoro, foi lido na sessão da última quinta-feira da Câmara Municipal, conforme antecipou reportagem da Gazeta do Oeste. O vereador, inicialmente, reagiu com ironia à solicitação petista: “adorei”. A seguir, voltou a atirar para todos os lados, atacando os médicos Alberto Gigante e Jorge Tarabal, além de criticar duramente o PT.
Aguiar afirmou que não tem que dar satisfações ao PT. “Ele [Dr. Gigante] pode ser um bom médico para o PT, pois o PT consegue enganar algumas pessoas rindo e eu não tenho esse feitio. Não tenho que dar satisfação ao PT, tenho que dar satisfação à sociedade. A Comissão de Ética dessa Casa [Câmara] sabe que eu não venho com mentiras e não estou aqui para fazer gracinha para ninguém, tão pouco para o PT, tão pouco para o Dr. Gigante, tão pouco para o Dr. Tarabal”, disparou.
O vereador peemedebista desafiou a atuação da Comissão de Ética. “Eu faço uso das palavras do jeito que eu quiser, falo do jeito que eu quiser. Não tenho medo de PT, não tenho medo de Dr. Gigante, não tenho medo de Dr. Tarabal. Eu estou aqui porque o povo me colocou. Não tenho medo, pode mandar para a Comissão de Ética, para o Papa, para onde vocês quiserem”, desafiou.
Além dos ataques aos médicos, o vereador demonstrou intolerância com os idosos. Falando do plenário da Câmara e se dirigindo diretamente aos médicos, Hilton de Aguiar menosprezou o trabalho de idosos. “Aproveita, Dr. Gigante, que o senhor já tá na idade que tá, vai caçar uma roça para capinar, um terço para rezar. O senhor é um péssimo médico, não tenho medo do senhor, tão pouco dessa sigla partidária que mandou essa nota pra cá e não vai me fazer calar. Dr. Jorge Tarabal também já passou da hora de aposentar, têm vários médicos novos ali que precisam trabalhar (sic)”, discursou.
O vereador Edimilson Andrade, único petista na atual legislatura, evitou confrontar-se com o peemedebista. Fez uma defesa tímida do partido, apesar do feroz ataque sofrido pela legenda. “O fato de o PT ter entrado com esse pedido de investigação na Comissão de Ética não dá a ninguém o direito de denegrir a sigla. Não serão um ou dois pronunciamentos que vão atingir o partido, diante do que o PT já fez por essa cidade”, defendeu.

ERRAMOS – Ao contrário do que foi publicado em reportagem da Gazeta do Oeste em sua edição de quinta-feira, o médico Alberto Gigante Quadros não é e nunca foi filiado ao PT.

 

Crédito: Jotha Lee

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