Vereadora consegue assinaturas para CPI

Denúncia foi levada a Câmara Municipal, em abril, pelo vereador Beto Machado (PSDB)

A vereadora Heloísa Cerri (PV) informou, ontem (11), na Câmara Municipal de Divinópolis, que conseguiu nove assinaturas para instalação de uma Comissão Parlamentar de Inquérito (CPI) para investigar a denúncia - levada a plenário pelo vereador Beto Machado (PSDB) no dia 28 de abril - sobre uma suposta propina de R$ 200 mil a autoridades para aprovação do Projeto de Lei CM 047/2010, que tratava da regulamentação da ocupação de trechos, ao longo da faixa inundável do Rio Itapecerica - no caso as áreas próximas aos shoppings Pátio Divinópolis e Divishop. O requerimento deve ser protocolado nos próximos dias para que a presidência da Casa abra o processo de investigação.  


Na última semana, após o discurso do tribuno Jorge Torquato (PSOL), Heloísa Cerri - que já havia cobrando em vezes anteriores durante seus pronunciamentos uma investigação pela Casa - disse que iria liderar a coleta, nessa semana, das assinaturas necessárias para instaurar a investigação, já que até o momento “nenhum passo” havia sido tomado pela presidência da Câmara, nem mesmo a nomeação de uma Comissão Especial para apurar os fatos, sendo que já existia parecer favorável da Comissão de Ética, presidida por Paduano (DEM), para instalação de uma CPI.  Na ocasião, o presidente do Legislativo, Pastor Paulo (PRB) disse a Gazeta do Oeste que a CPI não havia sido instalada devido ao fato de nenhum vereador ter apresentar até então o requerimento com as assinaturas necessárias.


Regimentalmente para instalação da CPI, Heloísa Cerri iria precisar no mínimo o apoio de 1/3 dos vereadores, ou seja, cinco, mas ela teve a adesão de oito. A parlamentar disse que apenas Geraldinho da Saúde e Anderson Saleme, ambos do PR, não quiseram assinar o pedido. O vereador Roberto Bento (PTdoB) não estava presente em plenário, sendo assim não tomou ciência do requerimento. “Com esse número de assinaturas, já podemos protocolar para que o Pastor Paulo César possa dar o andamento a CPI. Só espero que o Pastor esteja bastante consciente dos membros, que ele vai nomear para que não haja interesses por trás dessa CPI, pressões como já existiram na CPI do Calçamento para que essa seja feita realmente com lisura”, declarou.


Não adesão


Questionado sobre a não adesão ao requerimento, o vereador Anderson Saleme justificou que a proposta de CPI é muito importante, mas o PR entende que existem outras alternativas, antes da instalação de uma Comissão Parlamentar de Inquérito. “Propusemos a criação de uma Comissão para que fizesse os primeiros trabalhos de levantamento de dados para aí sim partir para o próximo passo. Nós entendemos que iniciar os trabalhos pela CPI não seria a forma mais produtiva de trabalho”, declarou. No entanto, Saleme ressaltou que não há dúvida de que todos os vereadores da Casa entendem que é “importante apurar a denúncia e que querem que tudo se esclareça” já que a denúncia é grave.


Já Geraldinho da Saúde apresentou outra versão para a não adesão. O edil que não assinou porque queria verificar antes a posição do vereador Anderson Saleme, já que os dois caminham em conjunto nas decisões do PR na Câmara, mas no momento Saleme não estava em plenário. “Já tinham as assinaturas necessárias então não teria a necessidade disso, mesmo porque na apuração todos os vereadores estarão acompanhando de perto”, justificou Geraldinho.

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