sábado, 22 de Novembro de 2014 05:38h Atualizado em 22 de Novembro de 2014 às 05:40h. Jotha Lee

Vereadores trocam farpas e acusações

Crise no São João de Deus faz aumentar tensão na Câmara Municipal

A possibilidade de instalação de uma Comissão Parlamentar de Inquérito para apurar a situação do Hospital São João de Deus, especialmente buscar os nomes dos responsáveis pelo rombo financeiro, que hoje já está em R$ 120 milhões, aumentou a tensão entre os vereadores essa semana. Na sessão de quinta-feira os pronunciamentos foram violentos, com acusações e alfinetadas envolvendo parlamentares contrários e favoráveis à Comissão Parlamentar de Inquérito (CPI), pedida pelo vereador Nilmar Eustáquio (PSC).
O vereador Edimilson Andrade (PT), presidente da Comissão de Saúde da Câmara, que resiste à instauração de uma investigação, disse que vai enviar à Comissão Especial que analisa a instauração da CPI um documento obtido junto à Secretaria Municipal de Saúde, que comprova não haver nenhuma irregularidade na aplicação dos recursos financeiros provenientes dos governos federal, estadual e municipal pelo Hospital São João de Deus. “Vou entregar empenhos, números de notas fiscais e a conta onde foram depositados todos os recursos. O documento da Secretaria de Saúde diz que não existe nenhuma irregularidade do dinheiro repassado ao Hospital”, afirmou.
O presidente da Comissão de Saúde queixou-se que foi massacrado quando disse não haver irregularidades no São João. Edimilson Andrade foi um dos vereadores que não assinaram o documento com pedido de CPI e disse que isso é coisa séria. “Assinar um pedido de CPI é coisa séria. Não assinei e vou oficiar à Comissão que não existe irregularidade no hospital”, disse. “Se vai fazer uma CPI, que faça uma CPI séria. Ficar denegrindo a imagem das pessoas é triste. A pessoa precisa ser mais honesta”, disse ele falando diretamente a Nilmar, autor do pedido de CPI.

 

 

RESPOSTA
O vereador Marcos Vinícius Alves da Silva (PSC) disse que discorda do posicionamento de Edimilson e frisou que é um apelo da sociedade que seja feito o esclarecimento do que de fato aconteceu no hospital São João de Deus. Para ele, se ocorreu um rombo, certamente há responsáveis por isso e o cidadão cobra esses nomes.
Já Nilmar, que encabeçou o requerimento com pedido de CPI contendo 15 assinaturas, fez um pronunciamento dirigido diretamente ao presidente da Comissão de Saúde. “Nós somos sérios sim. Eu acredito que 15 vereadores dessa casa são sérios. O senhor [Edimilson] disse que é preciso pedir uma CPI séria. Nós não somos moleques. Nós não somos irresponsáveis”, alfinetou. “Nós queremos a verdade e a sociedade cobra uma resposta de tudo isso”, assegurou.
O parlamentar do PSC afirmou ainda que o ex-superintendente do Hospital São João de Deus, Ronan Pereira Lima, não foi só ameaçado de morte. “Ele revelou a mim que sofreu tentativa de homicídio. Ele fez essa revelação em meu gabinete. Ele pode não ser um santo, mas não é um capeta sozinho não. Tem mais gente por traz de tudo isso aí e essa casa tem a obrigação de revelar tudo”, afirmou. “Tentaram arrombar a porta da casa dele, ele tem isso gravado em vídeo e vai revelar tudo isso na hora certa. Nós temos que dar uma resposta ao povo e é isso que a CPI vai tentar fazer”, garantiu.
O clima tenso na Câmara deve continuar nos próximos dias, já que a instauração da CPI continuará em discussão. Embora 15 vereadores tenham assinado o pedido de investigação, somente Nilmar Eustáquio e Marcos Vinicius têm se posicionado de forma taxativa pela instauração da Comissão Parlamentar. Os outros parlamentares não estão entrando nos debates e não se sabe, na verdade, se assinaram o pedido de CPI porque querem mesmo a investigação ou se o fizeram apenas para evitar críticas da população.

 

 

Crédito: Geovanny Corrêa

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