sexta-feira, 10 de Agosto de 2012 15:35h Gazeta do Oeste

Visita de Dilma ao Norte de Minas será sem palanque

Rio Pardo de Minas e Salinas – Para chegar a Rio Pardo de Minas, onde lança a ampliação do programa Brasil Sorridente hoje, a presidente Dilma Roussef terá de desembarcar do avião em Salinas, para fazer o resto do percurso de helicóptero, já que na cidade não há aeroporto com pista asfaltada. A escala rápida criou um clima de disputa entre o prefeito de Salinas, José Antônio Prates (PTB) – que apoia a candidata a prefeita Seleide Gonçalves (PSB) –, e o PT local, que tem como candidato Joaquim Neres Xavier Dias, mais conhecido como Quincas da Ciclodias. O Planalto arrumou uma solução para que Dilma possa agradar os dois lados e ainda ficar livre de qualquer aproveitamento eleitoral de sua passagem pela Capital da Cachaça: nenhum candidato poderá se encontrar com ela no aeroporto.

A presidente desembarca às 10 horas em Salinas, acompanhada pelos ministros da Saúde, Alexandre Padilha, e da Secretaria-Geral da Presidência, Gilberto Carvalho, e se encontra no aeroporto com o governador Antonio Anastasia (PSDB), que segue no mesmo helicóptero dela para Rio Pardo, a 100 quilômetros de distância, onde a solenidade está marcada para começar às 11h. O prefeito José Prates, que se diz companheiro de Dilma desde os tempos da ditadura militar e foi um dos coordenadores do Dilmasia – movimento que reuniu líderes políticos que faziam campanha para Dilma e Anastasia, em 2010 – foi autorizado a recebê-la ano aeoporto, acompanhado apenas da primeira-dama, Sônia Guedes. A rivalidade com os petistas é grande, já que Prates foi expulso do PT em 2006 por ter pedido votos pela reeleição do governador Aécio Neves, no movimento que ficou conhecido como Lulécio, que fazia campanha também pela reeleição do presidente Luiz Inácio Lula da Silva.

O PT teve direito de formar uma comissão de quatro pessoas para cumprimentar a presidente ainda na pista do aeroporto, não podendo indicar candidatos a prefeito ou vereador. Para evitar mal-estar diante do quadro complicado, a assessoria da Presidência da República usou o argumento de que a presidente estará de “passagem pelo município” para uma viagem de cunho institucional e que não pode correr risco de ser acusada de cometer crime eleitoral.

“Como sou candidato a vereador não poderei me encontrar com a presidente Dilma”, lamenta o presidente do PT de Salinas, Milton Reis, que indicou como representantes o tesoureiro do partido, Manoel Messias Avelino, o médico Edgar Araújo e um representante do Sindicato dos Trabalhadores Rurais de Salinas, José Coelho. A diretora do Instituto Federal de Educação Tecnológica (Ifet) da cidade, Maria Araci Magalhães, também vai compor o grupo de petistas.

O prefeito disse ontem ter sido orientado pelo cerimonial da Presidência da República a “desaconselhar” as pessoas a se concentrarem no aeroporto, para evitar conotação eleitoral. Porém, negou qualquer acordo para que não levasse a candidata que apoia ao encontro com Dilma. “O que importa é que presidente possa encontrar em Salinas um ambiente harmonioso, de acolhimento”, despistou.

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