sexta-feira, 2 de Dezembro de 2011 11:41h Flaviane Oliveira

Deficientes auditivos conquistam mais espaço no ensino regular em Divinópolis

O município conta com escola especial que tem mais de 60 alunos

Jovens e crianças nas salas de aula prestando atenção às explicações da professora. No intervalo fila para receber o lanche da tarde e os menores fazem algazarra no pátio. Esse cenário é comum a todas as escolas de Divinópolis e não poderia se diferente na  AAVIDA, a escola especial para deficientes auditivos no município.


Na escola cerca de 60 alunos recebem aulas diárias referentes a todas as matérias ministradas nas escolas regulares, além da Língua Brasileira de Sinais (Libras). Edilene Edilene Nunes Claro Braga, diretora da escola fala do encaminhamento dos jovens e crianças às escolas regulares, “Até 1999 acabava-se o 4º ano e a gente encaminhava os alunos para a a escola regular e aí havia uma grande evasão e a gente percebeu que continuássemos com esses meninos por mais um tempo até os anos do ensino fundamental eles iriam amadurecer, ampliar o vocabulário na língua de sinais e estariam mais preparados para enfrentar o ensino médio em uma escola regular e isso deu um resultado muito positivo” comemora.
Os alunos que chegam ao 9º ano são encaminhados à escola Dona Antônia Valadares, por meio de parceria, “Já conseguimos a intérprete para trabalhar com eles lá e hoje nós temos alunos fazendo faculdade. Temos meninos fazendo engenharia de produção, letras libras, pedagogia” conta a diretora.

 

 

FORA DA ESCOLA


Geralda Ferreira é professora de libras e também trabalha na AAVIDA. A educadora fala da inserção do aluno deficiente auditivo nas escolas regulares e da língua de sinais inserida nas faculdades da região, “Hoje pelo decreto 5626 de 2005 a disciplina de libras é obrigatória nos cursos de licenciatura e é optativa nos cursos de bacharelado. Então desde 2007 a faculdade onde trabalho oferece a disciplina de libras nos sete cursos de licenciatura e em alguns cursos de bacharelado como optativa. Atualmente nós temos dois alunos que fazem engenharia de produção, eles estão indo para o 7º período. São dois surdos profundos que tem o acesso a disciplina pela mediação do intérprete de libras.” explica.
De acordo com Geralda, essa iniciativa tem mudado a visão dos estudantes que serão professores com relação a libras e com relação a pessoa surda, “Antes a ideia que eles tinham de uma pessoa surda era uma visão muito simplista e na verdade não é tão simples quando a pessoa utiliza uma língua que é diferente tanto na modalidade quanto na percepção de mundo” avalia.


Mariluce Nunes dos Santos Diniz é intérprete da língua de sinais em uma escola pública e fala do trabalho realizado na rede estadual, “O meu trabalho é de  intérprete mesmo. O professor ministra a aula dele normalmente e eu vou mediando essa comunicação do professor com o aluno e do aluno surdo com o professor. Os nossos alunos já tem a preparação antes de ir para a escola de ouvintes e então quando eles chegam na escola regular tem muita facilidade para fazer amizades e aos poucos vão se enturmando e os ouvintes vão pedindo para aprender alguns sinais da comunicação” garante a professora.

 

AAVIDA


Para a diretora da instituição a questão da língua de sinais não é só de se ter um intérprete dentro da sala de aula. Na AAVIDA é oferecido desde a educação infantil até o 9º ano somente para alunos surdos de Divinópolis e região.
A escola é particular sem fins lucrativos e mantida pela Sociedade Educacional Beneficente Estrela do Oeste de Minas. A diretora explica que contam ainda com alguns recursos próprios e o serviço de telemarketing que capta colaborações para apoiar a causa e manter a escola funcionando. Para os interessados em fazer alguma doação o telefone é  (37) 3214-9818. Paralelo ao trabalho de educação especial é oferecido também todo o a poio às famílias para proporcionar uma maior aceitação da deficiência e ampliar o conhecimento da língua de sinais. O curso é aberto ainda a toda a comunidade. 

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