sábado, 26 de Novembro de 2011 15:54h Atualizado em 26 de Novembro de 2011 às 19:57h. Paulo Reis

Detentos de Divinópolis participarão das provas do Enem neste fim de semana

Prova será aplicada com os mesmos critérios da nacional

Os detentos do Presídio Floramar em Divinópolis e as demais unidades prisionais do estado de Minas Gerais participarão nos dias 28 e 29, da edição do Enem 2011. As inscrições foram feitas em ritmo acelerado e terminaram no dia 17 de outubro. As provas serão aplicadas dentro dos próprios presídios e terãoos mesmo critérios da prova nacional.


Muito mais que um exame, este passo é uma maneira de colaborar para ressocialização do detento, que terá a oportunidade de conferir temas atuais e dissertar sobre a realidade em que vive. 
Atualmente o Presídio Floramar possui pouco mais de 500 detentos, destes, 35 são mulheres. O corpo docente da instituição é composto por 15 profissionais, sendo 12 professores, 1 diretora, 1 auxiliar de secretaria e 1 supervisora. Os presos ainda possuem a liberdade de escolher estudar e/ou desenvolver algumas atividades que são realizadas nas oficinas do local. 


No ano passado, duzentos e vinte um presos participaram do exame, como aponta a Secretaria de Estado de Defesa Social (Seds). O subsecretário de Administração Prisional, Murilo Andrade de Oliveira, incentiva a realização da prova. “A realização do Enem vai ao encontro da política de humanização, que tem duas linhas principais, que são o estudo e o trabalho. A prova traz aos presos a oportunidade de realizar novos sonhos, inclusive ingressar no ensino superior” afirma.


Esta é a primeira vez que detentos em Divinópolis irão participar das provas. De acordo com Bruno Fernando, Diretor de Ressocialização do Presídio Floramar,esta é uma oportunidade ímpar para crescimento dos presos, e ainda para aqueles que não tiveram oportunidade de estudar durante a infância e adolescência  poderão concretizar o sonho. Além de ingressar na faculdade o detento pode concluir o ensino médio.
Do Presídio Floramar foram inscritos 16 alunos, destes, três demonstraram desejo de ingressar no ensino superior.
A escola do presídio, que leva o nome do aviador Alberto Santos Dumont, funciona desde 2006 e tem por base a educação pelo método EJA (Ensino para Jovens Adultos). Os alunos permanecem por 2h30 dentro de sala de aula e 2h em estudo complementar. Toda a tarefa é desenvolvida dentro de cela. Atualmente a escola possui 100 alunos frequentes nas turmas do ensino inicial (que correspondem 1ª a 4ª serie do ensino antigo)e dos anos finais (antigas 5ª à 8ª), já no ensino médio a escola tem três formandos. Naiara Aparecida do Amaral Silva, diretora da escola do Presídio esclareceu à nossa reportagem que o número de formandos é pequeno porque a instituição não é uma penitenciária e a maioria dos presos está ali a caráter provisório.
Segundo a diretora todos os alunos podem fazer o Enem, algumas optam por não participar devido a remissão, porque se eles estudam recebem a remissão se prestar o Enem ele já formou. Mesmo apto a dar continuidade aos estudos, pode acontecer do Juiz não liberar a aluno para prática escolar fora do presídio, devido o crime por ele praticado e o regime ao qual o detento presta na instituição.


Na instituição os detentos estudam de 8h30 às 11h e 13h30 às 16h. E a opção de se inserir na escola ocorre de livre e espontânea vontade do detento. Para que isso ocorra é preciso apresentar documentação escolar e pessoal o que na maioria das vezes é uma barreira para o detento. O trabalho para levantamento desta documentação, quando a família do detento não a consegue, é feita pelo amparo de um assistente social que providencia junto à escola onde o detento passou seu período escolar antes da detenção.
Na escola do presídio os alunos são submetidos à grade curricular correspondente ao EJA, de acordo com as exigências da LDB (Lei de Diretrizes e Bases do ensino) e ainda desenvolvem ações multidisciplinares que conduzem os mesmos à ressocialização, sempre levando em consideração o exercício de temas voltados para a realidade vivida pelo detento.


Apesar da inscrição do Enem ter sido realizada de modo acelerado, alguns professores da escola decidiram dar um apoio a mais aos candidatos, promovendo aulas de revisão, tudo funcionou para os detentos como intensivão.
A vida escolar e a documentação como reafirmado pela diretora Naiara, são de suma importância para o detento, mesmo este, estando privado da liberdade. A diretora reforçou ainda que as famílias não devem esquecer de encaminhar ao presídio, xerox da documentação pessoal e escolar do preso.
Educação rumo a ressocialização é o objetivo principal desta oportunidade de prestar o Enem, encerrou o diretor Bruno Fernando.  



AS PROVAS

 

 

No primeiro dia de prova serão avaliados os conteúdos de Ciências Humanas e Ciências da Natureza. No segundo dia, o conteúdo será Linguagens, Códigos, Matemática e Redação. As provas são diferentes daquelas do Enem regular, que aconteceu nos dias 22 e 23 de outubro, mas apresentam o mesmo nível de dificuldade, de acordo com a secretaria. 
Em cada unidade prisional, um responsável pedagógico fez a inscrição dos presos e acompanhará o resultado no exame, providenciando também a inscrição em universidades. 


Os detentos que forem aprovados poderão concorrer a uma bolsa do Programa Universidade para Todos (ProUni) e a vagas em universidades que aceitam a avaliação como critério de entrada para o ensino superior. O curso poderá ser feito à distância ou de forma presencial, dependendo do regime de prisão.
Segundo a Seds, a mensalidade será paga pelo próprio detento ou familiar, mas há casos, em que a secretaria poderá firmar convênios com faculdades.
 

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