sexta-feira, 2 de Dezembro de 2011 15:22h Atualizado em 3 de Dezembro de 2011 às 09:13h. André Bernardes

FCA pede liberação para capina química

A capina química, proibida em Divinópolis, volta a ser discutida. A Ferrovia Centro Atlantica, FCA, quer discutir com o município uma emenda na lei para que seja liberada a utilização da capina química nas linhas férreas que cortam o munícipio

A Ferrovia Centro Atlântica, FCA, está propondo ao município uma emenda na lei 7.266/2010, que proíbe a capina química no município. A empresa quer propor uma modificação para que seja liberado o procedimento apenas nas linhas de férreas e rodovias.


No início do mês passado, a Gazeta do Oeste mostrou a situação do empresário Alisson Viana, que mora no bairro Catalão, próximo à via férrea e que foi picado quatro vezes seguidas por um escorpião, que estava dentro de sua calça. Ele explicou que o problema é antigo e outros moradores também já foram picados por escorpiões e outros animais. Carmem Maron, relações institucionais da FCA conta que a empresa enfrenta dois problemas no município. Um é o lixo gerado pela própria população e outro é a proibição da capina química. “Nós temos uma preocupação muito grande com o bem estar da comunidade. Nós esbarramos em dois problemas. O primeiro deles é gerado pela própria comunidade que é o lixo, a ferrovia não gera esse lixo.  E como a linha corta a cidade as pessoas jogam muito lixo nesses locais. Nesse ponto queríamos trabalhar junto a comunidade para que eles entendessem isso, pois atrai animais peçonhentos, baratas e a dengue. Juntos nós temos o problema do mato, procuramos fazer um trabalho de limpeza, mas temos enfrentado um empecilho sério em Divinópolis, que é a proibição da utilização de capina química. Nós utilizamos um produto que é homologado e liberado pelo Ibama, junto as regras de utilização deste produto. A FCA sempre teve a responsabilidade de usar este produto” contou.


Em Divinópolis, a linha férrea corta 18 km do município. Segundo Carmem, é praticamente impossível manter toda sua extensão limpa apenas com a capina feita manualmente, pois ela não corta a raiz e o mato cresce rapidamente. “Nós acabamos de fazer um trabalho na área central, a linha ficou linda, organizada. Mas hoje quinze dias depois você não acredita como está, toda tomada de mato de novo. Fizemos um trabalho junto com o vereador Rodyson do Zé Milton, e com a prefeitura no sentido de limpar e cercar, essa que era uma área de risco. Esse produto que nós usamos é indicado para ferrovias e rodovias. Queremos ser parceiros da cidade e uma das premissas para isso é manter a linha limpa e esse procedimento passa pela capina química. Essa é uma questão de saúde pública, segurança pública e educação. A capina como fazemos isso não corta a raiz e cresce muito rápido” explicou. Carmen diz que a empresa está aberta para participar de uma discussão sobre as mudanças na lei, como as restrições, horários e a forma de aplicação.


O vereador Rodyson do Zé Milton acredita que a lei prejudicou os moradores e afirma que ela não tem embasamento técnico. “Acho importante rever essa questão da capina química em Divinópolis, pois a população está ficando prejudicada e não tem como capinar pedra e beira de linha com enxada. Eu vejo que Divinópolis tem um rio, nunca um técnico da área falou que a capina química prejudica rio senão seria proibido em todo o Brasil. Não existe estudo que comprove que ela é prejudicial. É uma forma distorcida de ver as coisas” opinou.


Porém, no dia 15 de janeiro de 2010, a Agência Nacional de Vigilância apontou os riscos da capina química tanto na zona rural quanto no perímetro urbano, pois existe o risco de contaminação de animais e pessoas, porém abre uma brecha para as linhas férreas.  “Por oportuno, importa ainda observar que há, no mercado, produtos agrotóxicos registrados pelo Instituto Nacional do Meio Ambiente e dos Recursos Naturais Renováveis (IBAMA) identificados pela sigla “NA” como agrotóxicos de uso Não-Agrícola. No entanto, essa identificação, ao contrário do que possa parecer à  primeira vista, não significa a autorização da utilização de tais produtos em área urbana. Os produtos registrados pelo IBAMA apenas podem ser aplicados em florestas nativas, em ambientes hídricos (quando assim constar no rótulo) e outros ecossistemas (além de vias férreas e sob linhas de transmissão). Dessa forma, a prática da capina química em área urbana não está autorizada pela Anvisa ou por qualquer outro órgão, não havendo nenhum produto agrotóxico registrado para tal finalidade” mostra a nota divulgada.

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