sexta-feira, 2 de Dezembro de 2011 11:37h André Bernardes

Jornalistas comemoram votação do senado pela obrigatoriedade do diploma

O Senado aprovou na última quarta feira, 30, em primeiro turno, a exigência do diploma para o exercício da profissão de jornalista. A proposta de emenda a constituição (PEC) 33/2009 foi aprovada com 65 votos a favor e sete contra. A proposta ainda precisa ser votada em segundo turno.
A obrigatoriedade do diploma do jornalista foi derrubada em 2009 quando o Supremo Tribunal Federal alegou que restringia a liberdade de expressão. A decisão criou muita polêmica e somente dois anos depois voltou a ser discutida através da iniciativa do senador Antônio Carlos Valadares (PSB-SE) que propôs a PEC, onde o artigo 220 diz que “Para estabelecer que o exercício da profissão de jornalista seja "privativo do portador de diploma de curso superior de comunicação social, com habilitação em jornalismo, expedido por curso reconhecido pelo Ministério da Educação". A proposta também prevê a regulamentação dos profissionais que conseguiram o registro sem o diploma neste período.


Divinópolis possui hoje duas faculdades que oferecem o curso de jornalismo. Ricardo Nogueira, jornalista diplomado e professor universitário, conta que mesmo sem a obrigatoriedade do diploma, a procura pelo curso não diminuiu. “Por incrível que pareça não houve uma baixa generalizada pelo curso, como chegou-se a suspeitar. O que aconteceu e, de certa forma, foi positivo, é que os alunos que entram para fazer o curso de Jornalismo são realmente decididos pela profissão. Isso porque mesmo sem a obrigatoriedade do diploma estes estudantes perceberam a importância da qualificação para melhor exercer a atividade, o que acaba elevando o nível dos profissionais formados no mercado” disse. O professor explicou que mesmo sem a exigência, os grandes meios de comunicação só contratam profissionais diplomados. “Creio que se a PEC for aprovada vai haver a regulamentação da profissão, o que é valioso para a categoria e estimulante para os estudantes que desejam seguir a profissão. Pessoalmente defendo a necessidade do diploma, pois, além das técnicas de redação e apuração, o jornalista graduado tem noções importantíssimas para sua formação humana e cultural ao longo do curso, em matérias de Humanidades, Legislação e Ética, por exemplo, que somente a prática profissional não conseguem formar no indivíduo. Vamos ter, assim, uma seleção nivelada pelo alto, pela qualidade, e toda a sociedade ganha com isso” frisou Ricardo.


O jornalista Evandro Araújo atuou na área 20 anos sem diploma. Ele é a favor da graduação, mas afirma que jornalismo é mais vocação do que diploma. “Eu trabalhei 20 anos sem diploma e agora eu não posso achar que ele deve ser obrigatório. A faculdade é importante, pois abre a cabeça do profissional, mas não dá a ética. Isso tem que ser da pessoa. Ela tem que ter vocação e ética” disse.
Ainda não existe um prazo para que a decisão final seja tomada.

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