terça-feira, 6 de Dezembro de 2011 12:04h Flaviane Oliveira

Vícios podem se manifestar de forma mais grave em momentos de dificuldade

Na maioria das vezes a pessoa busca apoio na bebida ou cigarro

Algumas pessoas abusam do álcool para aliviar a pressão do dia a dia, camuflar a tristeza ou mesmo relaxar. O cigarro também é considerado um bom companheiro nos momentos em que se busca o alívio do stress. Comer em excesso, comprar em excesso caracterizam as chamadas compulsões e também se manifestam nos momentos de maior pressão. Porém investir nesses vícios é mais do que uma forma de prejudicar a saúde mental e física.


A questão de se apoiar em bebidas, cigarro ou mesmo comida foi avaliada por Cientistas da Universidade de Albany, nos Estados Unidos e depois de acompanhar durante 14 anos uma média de 2,3 mil norte americanos, os especialistas comprovaram o que a sabedoria popular já dizia: crises econômicas funcionam como um estopim para o tabagismo e o alcoolismo.
Essa foi a primeira pesquisa do gênero a medir os efeitos econômicos sobre o vício mostrou que, em momentos de tensão econômica, aumentam em até 30% as chances de as pessoas beberem excessivamente e fumarem mais que o habitual. O estudo revelou ainda que quando o período de turbulência econômica passa, as pessoas normalmente voltam a consumir quantidades menores das duas drogas. A pesquisa americana aponta ainda que as mulheres foram o grupo que se mostrou menos suscetível, principalmente as de mais idade.

 

 

EMOCIONAL


A psicóloga Cristine Strassburger Nunes explica que normalmente o vicio é uma forma de lidar com a questão emocional e tende a começar na adolescência, “Essa é a fase em que os adolescentes estão muito confusos, querem mostrar autonomia e que podem mais e é a fase de muita frustração e que tem que lidar com muitas perdas subjetivas, é a questão do corpo e das mudanças e os vícios tendem a começar nessa época” avalia.
De acordo com a psicóloga o vício é muito mais amplo que somente uma questão problemática atual, “Ele vai servindo para várias situações e a pessoa usa o vício como justificativa para várias coisas. Então, por exemplo, começou a ter uma dificuldade e desde o início a pessoa diz: Ah para poder dormir bem eu preciso fumar, para poder sair com os amigos eu preciso beber e a bebida e os outros vícios começam a ser justificativa para todas as situações” avalia.

VULNERABILIDADE
Mesmo que o problema atinja todas as classes sociais, a pesquisa aponta que alguns grupos são mais suscetíveis. Homens mais velhos e com menos educação estão mais vulneráveis. No caso das mulheres e dos mais escolarizados, essa ligação não é tão intensa. Especialistas apontam que problemas financeiros podem não apenas aprofundar o tabagismo e o alcoolismo, mas levar ao início do vício e isso se deve ao peso excessivo que algumas pessoas têm dado ao dinheiro.
Para Cristine todo vício é negativo e pode causar prejuízos porque é algo que foge ao controle do ser que foi acometido e retira a autonomia que a pessoa tem sobre si mesma e é nesse momento que o apoio de um psicólogo é de grande importância.

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