4ª Mostra de Cinema de Pitangui começa nesta quarta-feira com exibição gratuita de 33 filmes

A 4ª Mostra de Cinema de Pitangui começa nesta quarta-feira, 10 de junho, com uma programação gratuita que vai ocupar a Praça do Jardim durante cinco dias. O evento segue até domingo, 14 de junho, com a exibição de 33 filmes brasileiros de curta, média e longa-metragem, além de debates, sessões infantis, mostra socioambiental e atividades formativas.
Nesta edição, a mostra homenageia o cineasta pernambucano Kleber Mendonça Filho, diretor de filmes como O Som ao Redor, Aquarius, Bacurau e Retratos Fantasmas. O reconhecimento ganha ainda mais destaque em 2026, ano em que O Agente Secreto, seu longa mais recente, recebeu quatro indicações ao Oscar, ampliando a visibilidade internacional do cinema brasileiro.
Com o tema “Cinema é Cachoeira”, frase atribuída ao cineasta mineiro Humberto Mauro, a mostra propõe uma programação voltada para o cinema de comunidade, de território e de pertencimento. O recorte deste ano tem forte presença socioambiental e busca ir além da denúncia, abordando também as relações com a terra, a ancestralidade, a agricultura familiar, a mineração, os modos de vida do interior e os vínculos entre memória, espaço e comunidade.
A programação será dividida em três eixos principais: Mostra Homenagem a Kleber Mendonça Filho, Mostra Socioambiental e Mostra Infantil. Também haverá uma mostra paralela, chamada Pitangui na Tela, com 20 curtas de até cinco minutos produzidos por alunos das oficinas realizadas no mês passado.
A Mostra Homenagem a Kleber Mendonça Filho apresentará cinco filmes do diretor, reunindo desde alguns de seus primeiros curtas-metragens até obras mais recentes e consagradas. A abertura oficial será na quarta-feira, 10 de junho, às 18h30, seguida da exibição do documentário Retratos Fantasmas. Após a sessão, haverá debate com o público e, na sequência, a exibição do curta Eletrodoméstica.
Na quinta-feira, 11 de junho, a programação segue dedicada à filmografia do homenageado, com os curtas Vinil Verde e Recife Frio. A noite será encerrada com a exibição de Bacurau, longa dirigido por Kleber Mendonça Filho e Juliano Dornelles, um dos filmes brasileiros de maior repercussão internacional dos últimos anos.
A Mostra Socioambiental reunirá 16 curtas-metragens independentes produzidos em diferentes regiões do país. Os filmes selecionados têm relação direta com comunidades, territórios e modos de vida afetados por questões ambientais, econômicas e culturais. A proposta é aproximar o público de narrativas que tratam de temas presentes no cotidiano de muitas cidades do interior, como a relação com a terra, a preservação ambiental, a exploração mineral, a produção de alimentos e as formas de resistência das comunidades.
A Mostra Infantil terá 12 filmes, sendo oito animações. As sessões serão realizadas na Escola Estadual Monsenhor Arthur de Oliveira, no Centro de Pitangui. A programação infantil começa na sexta-feira, 12 de junho, às 14h30, e continua no sábado, 13, e no domingo, 14, a partir das 15h. Os filmes abordam temas como identidade, amizade, espiritualidade, pertencimento, diferenças e imaginação, com o objetivo de aproximar crianças do cinema brasileiro e estimular novas formas de leitura do mundo.
Além das exibições, a mostra também terá debates com convidados, representantes dos filmes e público presente. A proposta é transformar cada sessão em um espaço de conversa, escuta e troca, aproximando realizadores, espectadores e comunidade.
A programação paralela Pitangui na Tela exibirá 20 curtas produzidos por alunos das oficinas realizadas anteriormente na cidade. Os filmes, com duração de até cinco minutos, serão apresentados na praça e têm como objetivo valorizar os olhares locais, os costumes, a memória e os modos de vida de Pitangui, cidade que completa 311 anos de história.
A coordenadora geral da mostra, Graziella Luciano, destaca que o evento busca contribuir para ampliar os olhares sobre a cultura da antiga Sétima Vila do Ouro, marcada por memória, fatos históricos e forte identidade local. A proposta, segundo a organização, é também valorizar histórias que nem sempre aparecem nos registros oficiais, dando espaço para narrativas construídas a partir da vivência da própria comunidade.
A 4ª Mostra de Cinema de Pitangui tem curadoria de Layla Braz, idealização e coordenação geral de Graziella Luciano e direção de produção de Simone Abreu. O evento é uma realização da Sarasvati Produtora Cultural, com recursos da Política Nacional Aldir Blanc, por meio do Edital Público nº 11/2024, voltado para propostas de mostras e festivais da Secretaria de Estado de Cultura e Turismo de Minas Gerais.
Com sessões gratuitas em praça pública, debates e programação voltada para diferentes públicos, a Mostra de Cinema de Pitangui se consolida como uma oportunidade de encontro entre moradores, visitantes, realizadores e o cinema nacional. Além de promover o acesso à produção audiovisual brasileira, o evento também movimenta a cultura, fortalece o turismo regional e estimula a ocupação dos espaços públicos pela arte.
4ª Mostra de Cinema de Pitangui
Pitangui – MG – 10 a 14 de junho de 2026
Programação Diária de Filmes
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MOSTRA HOMENAGEM A KLEBER MENDONÇA FILHO
Quarta-feira (10 de Junho)
Primeira noite dedicada inteiramente à consagração da filmografia do homenageado Kleber Mendonça Filho:
- ● 18h30 – Abertura: Apresentação da histórica Banda Musical José Viriato iBahia Mascarenhas, símbolo cultural da cidade fundado por volta de 1830.
- ● 19h15 – Cinema (Homenagem): Exibição do documentário Retratos Fantasmas (93 min, PE, Classificação: 10 anos), dirigido por Kleber Mendonça Filho, que explora a história do centro de Recife a partir das salas de cinema de rua.
- ● 20h45 – Debate: “Cinema e seus meios mais sustentáveis: Práticas, Narrativas e o Futuro da Produção”, discutindo o impacto físico e energético da cadeia de produção audiovisual.
- ● 21h15 – Cinema (Homenagem): Exibição do curta Eletrodoméstica (23 min, PE, Classificação: 16 anos), que reflete de forma irônica sobre o consumismo e a solidão da mulher moderna na classe média.
Quinta-feira ( 11 de junho)
Mais sessões dedicadas inteiramente à consagração da filmografia do homenageado Kleber Mendonça Filho:
- ● 19h00 – Cinema: O curta de suspense/fantasia Vinil Verde (16 min, PE, Classificação: 10 anos).
- ● 19h15 – Cinema: O curta de ficção/crítica climática Recife Frio (25 min, PE, Classificação: 16 anos).
- ● 19h40 – Cinema: Exibição do aclamado longa-metragem Bacurau (131 min, PE, Classificação: 16 anos), dirigido por Kleber Mendonça Filho, que retrata a resistência violenta e engenhosa de um povoado do sertão que some dos mapas digitais.
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MOSTRA SOCIOAMBIENTAL
Sexta-feira ( 12 de junho)
Foco na temática socioambiental, trazendo reflexões sobre território, impactos minerais e tradições:
- ● 19h00 – Cinema: Senhor da Terra (13 min, PE, Classificação: Livre) – misticismo e a especulação imobiliária.
- ● 19h15 – Cinema: Meada Cor Kalunga (23 min, GO, Classificação: Livre) – memórias e tingimento natural no quilombo Vão de Almas.
- ● 19h40 – Cinema: Luta Pela Terra (29 min, DF, Classificação: Livre) – mobilização e resistência coletiva de povos indígenas frente ao STF.
- ● 20h10 – Cinema: Cavaram uma Cova no Meu Coração (24 min, AL, Classificação: 10 anos) – a ação de adolescentes contra o afundamento do solo causado por mineradora de sal-gema.
- ● 20h40 – Cinema: Mineiros (23 min, MG, Classificação: Livre) – documentário sobre as profundas cicatrizes sociais e geográficas da atividade mineradora em cidades de Minas Gerais.
- ● 21h00 – Debate: “O Custo Humano e Ambiental do Desenvolvimento”, questionando os paradoxos da riqueza temporária gerada pela mineração/agronegócio e a ruína permanente deixada nos ativos ambientais locais.
- ● 21h30 – Cinema: A Bata do Milho (16 min, SP/BA, Classificação: Livre) – os cantos, ritmos e mutirões tradicionais no cultivo do milho na Bahia.
- ● 21h45 – Cinema: Bento (8 min, MG, Classificação: Livre) – memórias de moradores sobre o vilarejo histórico de Mariana encoberto pela lama do desastre da mineração.
- ● 21h55 – Cinema: Cidade Submersa (6 min, MG, Classificação: Livre) – ensaio poético/crítico sobre as enchentes anuais em Belo Horizonte e a canalização de rios.
Sábado (13 de junho)
Continuação da vertente socioambiental, com ênfase em saberes ancestrais e resistência:
- ● 20h45 – Cinema: Erva que Cura, Erva que Benze (9 min, BA, Classificação: Livre) – o conhecimento místico e natural de rezadeiras do Recôncavo Baiano.
- ● 20h55 – Cinema: Mopái Pjuta Äkakje’y – A Roça e os Alimentos Myky (18 min, MT, Classificação: Livre) – a soberania alimentar e o cultivo de sementes nativas por mulheres indígenas.
- ● 21h05 – Cinema: Wehsé Darasé – Trabalho da Roça (23 min, AM, Classificação: Livre) – o Sistema Agrícola Tradicional no Rio Negro sob a ótica de uma jovem cineasta Tukano.
- ● 21h30 – Cinema: O Mundo Preto Tem Mais Vida (36 min, MA, Classificação: Livre) – as violações sofridas pela comunidade quilombola de Santa Rosa dos Pretos diante da expansão ferroviária e rodoviária.
Domingo ( 14 de junho)
Dia de encerramento, focado em territorialidade, produções comunitárias e música:
- ● 17h30 – Apresentação Musical: A Banda José Viriato Bahia Mascarenhas retorna executando trilhas sonoras clássicas do cinema.
- ● 18h00 – Cinema: Igual a um Nativo (11 min, MG) – a jornada e os desafios de identidade de três imigrantes no Brasil.
- ● 18h10 – Cinema: Reduto (13 min, BA) – o refúgio do cinema contra a devastação e os venenos do agronegócio no extremo oeste baiano.
- ● 18h25 – Cinema: Interior (20 min, MG) – o uso de plantas medicinais por mulheres no interior de Minas em contraste com o uso de remédios controlados.
- ● 18h45 – Cinema: A Nave que Nunca Pousa (15 min, PB) – ficção científica documental ambientada em uma comunidade quilombola no sertão da Paraíba.
- ● 19h00 – Mostra Pitangui na Tela: Exibição especial das produções locais resultantes das oficinas comunitárias e entrega de certificados.
- ● 21h00 – Encerramento: Apresentação do Grupo Pitangui em Seresta, celebrando a tradição folclórica e musical local.
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MOSTRA INFANTIL
Exibida em horário vespertino em local descentralizado (EEMAO – Escola Estadual Monsenhor Alfredo Doherty, no Centro de Pitangui), a mostra reuniu produções de destaque nacional voltadas para a ancestralidade, diversidade e meio ambiente:
- ● Sexta (12/06) às 14h30: Série Heroínas Negras Brasileiras – Ep. Maria Firmina dos Reis (10 min, MG).
- ● Sábado (13/06) às 15h00: Curtas variados que debatem identidade, inclusão e cultura popular, como 5 Fitas (BA), A História de Ayana (RJ – abordando o albinismo em uma menina negra), Quando as Ondas do Mar Desligam (BA – sobre o autismo), Eu e o Boi, o Boi e Eu (MG), Escuta Pra Cê Vê (MG), Águas Belas (PE) e Tsuru (BA).
- ● Domingo (14/06) às 15h00: Exibição de Jussara (BA), Lagrimar (RN), A Menina que Queria Voar (BA) e o premiado Ewé de Òsányìn: O Segredo das Folhas (AL/BA), que conecta mitologia afro-brasileira à preservação das plantas e da Caatinga.


















