Polícia Civil apreende 62 celulares em ação contra crimes patrimoniais

A Polícia Civil de Minas Gerais (PCMG) apreendeu 62 celulares sem comprovação de origem durante uma operação realizada nesta semana na Região Metropolitana de Belo Horizonte. A ação faz parte da iniciativa “Tá Entregue”, criada para combater crimes patrimoniais, com foco em furtos, estelionatos e receptação de aparelhos de alto valor. Além dos celulares, foram recolhidos notebooks, smartwatches, máquinas de cartão e outros objetos, o que reforça a suspeita de uma rede criminosa estruturada.
De acordo com a PCMG, as investigações tiveram início há cerca de dois meses e foram conduzidas pela 1ª Delegacia de Polícia Civil do Barreiro. Nesse período, os agentes reuniram informações que apontaram para a existência de um grupo especializado em furtos durante eventos de grande porte, como shows e partidas de futebol. A concentração de pessoas em ambientes lotados seria utilizada como oportunidade para a prática dos crimes.
Um homem de 25 anos foi preso em flagrante durante a operação. Ele foi autuado por receptação qualificada pelo exercício de atividade comercial, já que, segundo a polícia, comercializava os aparelhos furtados e produtos relacionados. As apurações revelaram ainda que, embora tenha recebido auxílio emergencial durante a pandemia, o suspeito ostentava viagens internacionais e bens de luxo nas redes sociais, o que levantou suspeitas sobre a origem dos recursos.
Os investigadores acreditam que a quadrilha não atuava apenas em Minas Gerais. Há indícios de que parte dos aparelhos apreendidos seja oriunda de crimes cometidos em outros estados e até de contrabando internacional. A possibilidade de envolvimento em uma rede interestadual e transnacional está entre as linhas de investigação em andamento, segundo a delegada responsável pelo caso, Marcela Nogueira Macedo.
Durante a operação, além dos 62 celulares, a polícia apreendeu um tablet, três notebooks, quatro relógios inteligentes, cinco máquinas de cartão e 32 cartões bancários. Os itens reforçam a suspeita de que os criminosos usavam os aparelhos não apenas para revenda, mas também para tentativas de fraude, como desbloqueio de contas bancárias e transferências financeiras ilícitas. O material passará por perícia para confirmar as práticas criminosas.
A restituição dos aparelhos às vítimas já começou. A bióloga Laura Cristina teve seu celular furtado em um evento no mês de agosto e conseguiu recuperá-lo após registrar boletim de ocorrência com o número do IMEI. “Hoje estou com meu telefone em mãos porque registrei a ocorrência. Esse procedimento faz toda a diferença”, afirmou. Outro caso é o da estudante Isabela Resende, que teve o aparelho furtado em um ônibus. Ela comemorou a recuperação rápida do bem após o rastreamento feito pela polícia.
Segundo a PCMG, o registro do boletim de ocorrência é essencial para que o trabalho de investigação tenha êxito. O fornecimento do número de IMEI, que é a identificação única de cada aparelho, permite rastrear os dispositivos e aumenta significativamente as chances de recuperação. A corporação reforça que qualquer vítima de furto, roubo ou perda de celular deve informar o código ao registrar a ocorrência.
A delegada Marcela Macedo destacou que as apurações indicaram tentativas dos criminosos de entrar em contato com vítimas para obter informações e desbloquear os aparelhos. Esse tipo de abordagem, segundo ela, amplia os riscos de fraudes bancárias e de violação de dados pessoais. “As investigações continuam no sentido de identificar a origem de todos os materiais apreendidos e de localizar outros envolvidos no esquema criminoso”, explicou.
A ação integra a operação “Tá Entregue”, lançada pela Polícia Civil de Minas Gerais para enfrentar de forma sistemática os crimes patrimoniais envolvendo celulares. O projeto tem três pilares: repressão a criminosos, recuperação de aparelhos e devolução às vítimas. A estratégia já permitiu a devolução de centenas de celulares em diferentes regiões do estado, reforçando a confiança da população no trabalho policial.
Com o avanço da tecnologia, a criminalidade ligada a celulares se tornou cada vez mais sofisticada. Além dos furtos físicos, há também o interesse em acessar dados bancários e informações pessoais armazenadas nos aparelhos. Para especialistas em segurança, isso aumenta a importância de medidas preventivas, como a proteção por senhas fortes, a ativação da autenticação em duas etapas e o bloqueio imediato do aparelho em caso de perda ou roubo.
A Polícia Civil informou que novas operações estão previstas para os próximos meses, com foco em regiões de maior incidência de furtos e roubos de celulares. O objetivo é desarticular organizações criminosas que se especializam nesse tipo de atividade e reduzir os prejuízos causados à população. Enquanto isso, os aparelhos apreendidos nesta semana já estão sendo analisados e as vítimas identificadas serão chamadas para recuperar seus bens.


















