O custo invisível da rotatividade de equipe

Todo mundo conhece uma empresa com uma grande rotatividade de equipe. Aquela loja que você vai sempre, mas é sempre um rosto novo que te atende. Muitos empreendedores não sabem, mas esse rodízio pode estar afetando seu negócio.
Existe uma métrica chamada turnover , que acompanha o índice de rotatividade da sua equipe. Quando a porcentagem está alta, pode significar que a sua empresa tem um desgaste financeiro desnecessário, uma falta de estratégia que está atrapalhando a produtividade dos seus colaboradores e uma má reputação que precisa ser revertida.
Na minha experiência como desenvolvedor de empresas, já me deparei com várias organizações que não consideravam esse rodízio de funcionários algo importante. Nesses casos, minha orientação era sempre a mesma: instruir a redução desse índice.
Um dos principais motivos de saída dos colaboradores das empresas é o conflito com superiores. Existem muitas pesquisas sobre desligamentos e todas apontam esse como o item principal. Já conversamos sobre isso no artigo “Sua empresa não precisa vender mais, precisa de um gerente de verdade” , um líder que não sabe se comunicar com clareza e respeito com a equipe desmotiva seus trabalhadores e instaura um clima de tensão e desconforto no ambiente de trabalho.
O clima organizacional e os valores norteadores da empresa também são extremamente relevantes para manter uma equipe sólida e alinhada ao propósito do negócio.
Nesse ponto, podemos fazer uma analogia com times de futebol. Imagine o time mais completo, formado apenas por craques, mas com um grande problema: eles não são entrosados. Sabemos que, quando isso acontece, não existe talento que faça o jogo fluir. É a mesma coisa com uma equipe de colaboradores: é preciso um bom relacionamento entre eles para que o serviço flua, porque em uma empresa não existe trabalhar sozinho, todos os setores operam em nome de um mesmo objetivo.
Existe o turnover funcional e o disfuncional: o funcional é quando sai aquele colaborador que não rende e não está alinhado com os princípios da empresa; já o disfuncional é quando a organização perde uma mão de obra especializada ou um trabalhador que já entende o ritmo do negócio.
O empreendedor deve acompanhar essa métrica de forma estratégica e entender que, no geral, a grande rotatividade traz custos de contratação, exame demissional, além do tempo de adaptação do novo colaborador que impacta diretamente na produtividade da equipe.
Outro grande fator que coloca seu negócio em risco é a instabilidade da sua reputação, principalmente quando se trata de negócios que lidam diretamente com o público. Lojas, supermercados e padarias são exemplos de lugares que recebem clientes o tempo todo, muitos deles, clientes fiéis. Os consumidores percebem se naquela empresa os trabalhadores permanecem, se trabalham de bom humor, sentem se o ambiente é agradável – e isso impacta diretamente na experiência que eles têm.
Por isso, reduzir o turnover não deveria ser encarado como uma pauta apenas do RH, mas como uma decisão estratégica de quem lidera o negócio. Cuidar da relação com a equipe, investir em uma liderança que saiba comunicar e construir um ambiente de trabalho saudável são atitudes que custam menos do que parecem e que evitam o prejuízo. No fim, reter talentos é também reter clientes, reputação, resultado e lapidar os melhores profissionais para atuarem no seu negócio.
Leandro Martins é desenvolvedor de empresas, especialista em gestão lucrativa, desenvolvimento de lideranças, equipes e performance organizacional. Trabalha com atuação no mercado há mais de 20 anos. É diretor da CDL Divinópolis. Fundador e líder do movimento empresarial Gestão e Oração.





















