Minas Gerais

O que é o pecado?

Ômar Souki

O filho pródigo cai em si e diz: “Vou me levantar, vou encontrar meu pai e dizer a ele: ‘Pai pequei contra Deus e contra ti’” (Lucas 15, 18). Mark Baker, autor do livro Jesus, o maior psicólogo que já existiu, explica que o Mestre dos mestres mostra—por meio daquela parábola—que o egoísmo é a principal causa do pecado. Segundo Baker, o egoísmo do filho leva ao rompimento do relacionamento com o pai—isto é: ao pecado—e a salvação se encontra no restabelecimento do relacionamento entre pai e filho. Depois de esbanjar a sua herança, o filho, não só se sente desprezado e perdido, mas também sem condições de sobreviver. Nem mesmo a comida dos porcos lhe era permitida.  Ao receber o filho de volta, o pai, em vez de repreendê-lo ou puni-lo, dá uma festa. Com o arrependimento do filho, o relacionamento foi restabelecido.

O relacionamento que Adão e Eva tinham com Deus no Paraíso foi rompido devido ao egoísmo. Sucumbiram à tentação de se tornarem como Deus. A mesma estratégia foi usada pelo demônio para tentar Jesus no deserto. O tentador usou três frases: “Se você é Filho de Deus, manda que estas pedras se tornem pães!”, “Se você é Filho de Deus, jogue-se lá embaixo!” e “Eu lhe darei tudo isso (todos os reinos do mundo e suas riquezas), se você se ajoelhar diante de mim, para me adorar” (Mateus 4, 3-9). Essas frases, respectivamente, se referem a nossas três necessidades básicas: de segurança e sobrevivência, de afeto e reconhecimento, e de poder e controle. No caso de Jesus, o sussurro do tentador não funcionou, mas no nosso caso, são justamente essas carências que nos levam a pecar.

Thomas Keating, no livro A condição humana, explica que, quando crianças, sofremos com a falta de satisfação de uma ou mais dessas necessidades. Isso nos causa uma dor que—em busca de alívio—reprimimos no inconsciente. Desenvolvemos, então, programas psicológicos para ir ao encontro da felicidade criando um falso eu. Crescemos, mas a nossa criança interior, permanece carente. E, diante de qualquer coisa que esteja para entrar em nosso universo particular fazemos a seguinte pergunta: Isto é bom para mim? O bem ou o mal são, assim, julgados não objetivamente, mas de acordo com a utilidade que as coisas ou pessoas terão para nós. Buscamos de forma egoísta a felicidade nas coisas ou pessoas, e não onde ela poderá ser encontrada, isto é, em Deus.     

Os programas emocionais que criamos quando criança alimentam o nosso egoísmo e interferem no relacionamento que temos com Deus, com nós mesmos e com os outros. “Quando Jesus disse ‘convertam-se’ para seus primeiros discípulos, ele os estava chamando a mudar o rumo de sua procura por felicidade. ‘Convertam-se’ é um convite para que cresçamos e nos tornemos seres humanos maduros, que integram suas necessidades biológicas com seu nível racional de consciência” (Keating, p. 17).

O cultivo desse nível mais profundo de consciência faz com que gradualmente possamos ir derretendo o egoísmo característico do nosso falso eu. Podemos, dessa forma, embarcar em uma viagem rumo a descoberta do nosso verdadeiro eu, que se abre para a manifestação da presença de Deus, restaurando em nós o sentido de felicidade. Ao permitirmos a manifestação do nosso verdadeiro eu, estamos nos convertendo. E, assim, como o filho pródigo—depois da conversão—somos recebidos com festa na casa do Pai.

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