Aumento de imposto encarece gasolina, diesel e gás de cozinha em todo o Brasil em 2026

O início de 2026 trouxe impacto direto para o bolso dos brasileiros com a entrada em vigor do novo reajuste do Imposto sobre Circulação de Mercadorias e Serviços, o ICMS, incidente sobre a gasolina, o diesel e o gás de cozinha. A atualização do tributo passou a valer em 1º de janeiro e atinge todos os estados e o Distrito Federal, seguindo decisão unificada tomada no âmbito nacional.
A mudança foi aprovada pelo Conselho Nacional de Política Fazendária, órgão que reúne as secretarias estaduais de Fazenda e define regras comuns para a tributação do ICMS. A deliberação ocorreu ainda em 2025 e foi formalizada por meio de convênio publicado no Diário Oficial da União, estabelecendo os novos valores que passaram a ser cobrados neste ano.
O ICMS é um imposto estadual que incide sobre a circulação de mercadorias e serviços e representa uma das principais fontes de arrecadação dos estados. No caso dos combustíveis e do gás de cozinha, o tributo tem peso significativo na composição do preço final pago pelo consumidor.
Desde 2023, a cobrança do ICMS sobre combustíveis e gás liquefeito de petróleo, o GLP, ocorre pelo modelo de alíquota ad rem. Nesse formato, o imposto deixa de ser um percentual sobre o preço final e passa a ser fixado em valor nominal por litro ou por unidade, o que garante uniformidade da cobrança em todo o país.
A atualização anual desses valores segue critérios técnicos e considera a média dos preços praticados no mercado nacional. Os dados utilizados como referência são levantados pela Agência Nacional do Petróleo, Gás Natural e Biocombustíveis, responsável por monitorar semanalmente os preços de combustíveis e do gás de cozinha em todo o território brasileiro.
Com a mudança válida a partir de janeiro de 2026, a gasolina passou a ter ICMS fixado em R$ 1,57 por litro. Antes do reajuste, o valor era de R$ 1,47, o que representa um acréscimo de R$ 0,10 por litro apenas em imposto.
No caso do diesel, combustível essencial para o transporte de cargas e passageiros, o ICMS foi elevado para R$ 1,17 por litro. Até o fim de 2025, o valor era de R$ 1,12, resultando em aumento de R$ 0,05 por litro.
O gás de cozinha, utilizado diariamente por milhões de famílias brasileiras, também teve elevação na carga tributária. O ICMS sobre o botijão de 13 quilos sofreu acréscimo de R$ 1,05 por unidade, impactando diretamente o preço do produto nas revendas.
Abaixo, confira a tabela com os valores do ICMS antes e depois do reajuste:
| Produto | ICMS até 2025 | ICMS em 2026 | Aumento |
|---|---|---|---|
| Gasolina | R$ 1,47 por litro | R$ 1,57 por litro | + R$ 0,10 |
| Diesel | R$ 1,12 por litro | R$ 1,17 por litro | + R$ 0,05 |
| Gás de cozinha (GLP – 13 kg) | Valor anterior | Valor reajustado | + R$ 1,05 |
Embora o ICMS seja recolhido antes da chegada do produto ao consumidor final, especialistas apontam que o aumento tende a ser repassado ao longo da cadeia, influenciando os preços praticados em postos de combustíveis e revendas de gás, a depender das margens de distribuição e revenda.
No caso da gasolina, o impacto é percebido de forma mais direta nas bombas, uma vez que o produto é amplamente consumido por veículos de passeio. Já o diesel possui efeito indireto mais amplo, pois influencia custos logísticos e de transporte de mercadorias em todo o país.
O aumento no custo do diesel pode refletir em diversos setores da economia, como comércio, indústria e agronegócio, que dependem do transporte rodoviário para escoamento de produção e distribuição de bens.
O gás de cozinha, por sua vez, é considerado um item essencial no orçamento doméstico, especialmente para famílias de baixa renda. Qualquer variação no preço do botijão tende a impactar diretamente o custo de vida, principalmente em regiões onde o valor do GLP já é elevado.
De acordo com o Ministério da Fazenda, a atualização do ICMS segue regras previstas em lei e busca alinhar a arrecadação estadual à realidade do mercado, mantendo previsibilidade fiscal para os estados.
Os estados justificam o reajuste como necessário para compensar variações nos preços médios dos combustíveis e garantir recursos para o financiamento de políticas públicas essenciais, como saúde, educação, infraestrutura e segurança.
Segundo dados do Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística, combustíveis e gás de cozinha têm peso relevante nos índices oficiais de inflação, o que faz com que alterações tributárias nesses itens sejam acompanhadas de perto por órgãos econômicos e pelo mercado.
A atualização do ICMS ocorre em um contexto de transição do sistema tributário brasileiro, uma vez que a reforma tributária prevê, nos próximos anos, a substituição gradual do ICMS por um novo imposto sobre bens e serviços, o IBS. Até que essa mudança seja implementada, o modelo atual segue em vigor.
Em Minas Gerais, assim como nos demais estados, os novos valores do ICMS passaram a ser aplicados automaticamente a partir de janeiro, sem possibilidade de alteração local, já que a cobrança é padronizada nacionalmente para combustíveis e GLP.
Consumidores e setores produtivos acompanham com atenção os efeitos do reajuste ao longo das próximas semanas, especialmente diante da possibilidade de repasse integral ou parcial do aumento para os preços finais.
O reajuste do imposto reforça o papel central da tributação na formação dos preços dos combustíveis no Brasil e evidencia como decisões fiscais tomadas em âmbito nacional têm reflexos diretos no cotidiano da população.


















