Prefeitura de Divinópolis manda retirar projeto sobre monitores de glicose e decisão gera protestos na Câmara de Divinópolis; veja o vídeo

A reunião ordinária da Câmara Municipal de Divinópolis, realizada na terça-feira (28), foi marcada por protestos e grande indignação popular após a retirada de pauta do projeto de lei que autorizava o fornecimento de monitores contínuos de glicose para pacientes com diabetes tipo 1. A decisão partiu, segundo vereadores e assessores, de uma determinação direta da Prefeitura de Divinópolis, e provocou um dos momentos mais tensos do Legislativo neste ano.
O projeto, de autoria do vereador Josafá Anderson (Cidadania), havia recebido parecer favorável de todas as comissões da Casa e estava pronto para ser votado. No entanto, pouco antes do início da votação, o presidente da Câmara, Israel da Farmácia (União Brasil), retirou a proposta da pauta, atendendo a um pedido encaminhado, segundo parlamentares, pelo gabinete do prefeito Gleidson Azevedo (Novo) e da vice-prefeita Janete Aparecida (PSC), localizados no chamado “quinto andar da Prefeitura”.
A decisão gerou revolta imediata entre os presentes, em sua maioria mães, pais e pessoas com diabetes tipo 1, que acompanhavam a sessão com expectativa pela aprovação da medida. A retirada foi feita sem justificativa técnica detalhada, e o presidente da Câmara se limitou a dizer que o texto precisaria de “ajustes”, apesar de já ter sido considerado constitucional.
Vídeos gravados por cidadãos mostram o momento em que o público se levanta, vai até a frente do plenário e inicia um protesto. Gritos, vaias e pedidos de explicação tomaram o ambiente. Em meio à confusão, Israel da Farmácia chegou a ameaçar processar alguns dos manifestantes pelos adjetivos dirigidos a ele durante a discussão.
Segundo parlamentares ouvidos pela reportagem, a Prefeitura teria orientado a retirada do projeto por razões políticas e não técnicas. Um vereador da própria base do governo confirmou que alertou o presidente sobre o desgaste que a decisão causaria, mas ele manteve a ordem recebida do Executivo.
O clima de tensão foi agravado pela presença do secretário municipal de Governo, que acompanhou a sessão de perto e deixou o plenário minutos antes da retirada do projeto. Logo em seguida, o presidente da Câmara também se ausentou da mesa diretora, encerrando a reunião sob vaias e protestos.
Durante a tribuna livre, uma mãe relatou que o monitor contínuo de glicose foi responsável por salvar a vida de seu filho de 11 anos. O depoimento emocionou o público, mas não foi suficiente para reverter a decisão. O vereador Josafá Anderson lamentou o ocorrido e afirmou que o projeto será reapresentado ainda nesta semana.
“Esse projeto nasceu da necessidade de garantir dignidade e segurança às pessoas com diabetes tipo 1. É um instrumento de saúde pública, não uma pauta política. Vamos reapresentá-lo e continuar lutando por essas famílias”, declarou o parlamentar.
Os manifestantes criticaram duramente a interferência da Prefeitura e destacaram que o uso dos sensores é mais eficiente e econômico que os métodos tradicionais, baseados em fitas e agulhas. Muitos classificaram a decisão como uma “falta de sensibilidade” diante de uma pauta de saúde que afeta diretamente crianças e adolescentes.
A mobilização das famílias promete continuar nas próximas sessões da Câmara, com a expectativa de que o projeto volte à pauta ainda neste mês. Enquanto isso, o episódio reacende o debate sobre a autonomia do Legislativo municipal e a influência do Executivo em decisões de interesse público.






















