A busca pela transcendência

Ômar Souki
Para nos movimentarmos com equilíbrio em um mundo caótico precisamos da transcendência. Transcender é ultrapassar o cotidiano, o feijão com arroz, e acessar as esferas superiores da existência. É estar com os pés na Terra e o coração no Céu. Não importa qual seja a nossa situação atual—se estamos navegando em um mar de rosas ou não—será a busca pela espiritualidade que dará sentido à nossa vida e fortalecerá o nosso corpo e a nossa mente. Mas, com frequência nos apegamos exageradamente aos afazeres diários, à luta pela sobrevivência, e nos esquecemos de que existe algo mais importante. Além de fugaz, a passagem por aqui, será vazia, se não mudarmos o nosso foco e nos dedicarmos também às coisas que não passam.
Houve uma época em que eu me concentrava apenas em realizar cursos e palestras, além de escrever artigos e livros. Sentia enorme satisfação ao receber os aplausos depois dos eventos e os elogios no lançamento de meus livros. Mas havia um desequilíbrio entre a minha vida profissional—aquilo que eu pregava nas palestras e divulgava nos livros—e a minha vida pessoal. Uma incoerência, que aos poucos me levou à depressão. Fiquei tão mal, tão sem energia, que tive de cancelar um evento. Iniciei um tratamento e intensifiquei a minha busca por Deus. Passei a rezar o rosário durante as caminhadas, a meditar em meu quarto e a assistir missa diariamente. Fiz as pazes com o Criador e o meu coração se acalmou.
Aprendi que sim, podemos viver sem Deus, mas que a vida com ele faz muito mais sentido. O Espírito Santo está aqui, em mim, enquanto dedilho o teclado e passo para você o que é necessário para ter uma vida plena: uma experiência com Deus. Fui conduzido a ele pela dor da depressão. Encontrá-lo é encontrar o nosso centro, o local que dá força e vigor a todo o resto. Enquanto cresce o nosso envolvimento com o Eterno, diminui o nosso apego às coisas terrenas. Passamos a valorizar mais tudo aquilo que não passa e permitir que o amor permeei o nosso viver.
“O que é o amor? O Reino de Deus é amor. É uma sensibilidade a cada parte da realidade dentro e fora de você acompanhada de uma resposta apaixonada a essa realidade. Significa ser sensível à vida, às coisas, às pessoas; significa ser sensível a tudo e a todos sem excluir nada nem ninguém” (Anthony de Mello, Stop fixing yourself, p. 128). Essa sensibilidade aflora em nós à medida que nos aprofundamos na prática da espiritualidade. Depois que isso se torna um hábito, o divino passa a fazer parte do nosso dia a dia. Não importa onde estamos, ou o que estamos fazendo, é o Criador em nós se manifestando o tempo todo.
Não ignoramos as tormentas do oceano da vida, mas o nosso leme é a Divina Presença. Ao cultivarmos a espiritualidade nos agarramos a essa Presença que nos conduz com firmeza a um porto seguro: o Paraíso!


















