Minas Gerais

Boato sobre internações por metanol em Belo Horizonte é desmentido por hospital e autoridades

Nos últimos dias, circulou em grupos de WhatsApp um áudio alarmando sobre supostos casos de intoxicação por bebida alcoólica adulterada com metanol em Belo Horizonte. A mensagem dizia que 11 jovens teriam sido internados e que um deles teria morrido no Hospital Orizonti, localizado no bairro Mangabeiras, na região Centro-Sul da capital mineira. A repercussão causou preocupação entre moradores e usuários das redes sociais, mas foi prontamente desmentida pelo hospital, pela Prefeitura de Belo Horizonte e pela Secretaria de Estado de Saúde de Minas Gerais (SES-MG).

O Hospital Orizonti informou, em nota, que até esta sexta-feira (3/10) não há nenhum registro de atendimento a pacientes com diagnóstico de intoxicação por metanol na unidade. A direção repudiou a disseminação de informações falsas, destacando que boatos desse tipo podem gerar pânico e comprometer a confiança da população nos serviços de saúde. A instituição reiterou ainda o compromisso com a segurança e o bem-estar dos pacientes e afirmou que sua equipe médica permanece vigilante, acompanhando todas as orientações repassadas pela Secretaria Municipal de Saúde.

A Prefeitura de Belo Horizonte também se manifestou. Por meio da Secretaria Municipal de Saúde, esclareceu que o Centro de Informações Estratégicas em Vigilância em Saúde (CIEVS) não recebeu nenhuma notificação sobre casos ou óbitos relacionados à ingestão de metanol na capital. O órgão reforçou que qualquer ocorrência desse tipo é de notificação imediata e obrigatória, o que garante o monitoramento em tempo real e permite respostas rápidas quando necessário.

No mesmo sentido, a Secretaria de Estado de Saúde de Minas Gerais (SES-MG) confirmou que não há registros de casos suspeitos de intoxicação por metanol no estado. O órgão destacou que, após os episódios confirmados em São Paulo, foram encaminhadas orientações a todas as regionais de saúde para reforçar a importância da comunicação imediata de qualquer suspeita. A SES-MG informou ainda que, entre 2020 e 2025, foram contabilizados cinco casos de intoxicação por metanol em Minas, mas nenhum deles teve relação com o consumo de bebidas adulteradas.

Em âmbito nacional, dados divulgados pela Sala de Situação do Ministério da Saúde indicam que, até quinta-feira (2/10), o Brasil registrava 48 casos suspeitos de intoxicação por metanol, além de 11 confirmações laboratoriais. Uma morte foi confirmada em São Paulo, e outros sete óbitos permanecem sob investigação — dois em Pernambuco e cinco também em território paulista. O ministro da Saúde, Alexandre Padilha, chegou a anunciar um 12º caso confirmado em Brasília, envolvendo o rapper Hungria, mas a pasta recuou posteriormente, esclarecendo que o episódio ainda é tratado como suspeito.

A intoxicação por metanol é considerada uma emergência médica grave, pois a substância é altamente tóxica e pode causar danos irreversíveis. Entre os principais sintomas estão visão turva ou perda de visão — que pode evoluir para cegueira permanente —, além de mal-estar generalizado, náuseas, vômitos, dores abdominais e sudorese. Em casos mais severos, a intoxicação pode levar ao coma e à morte, se não houver atendimento médico imediato.

As autoridades reforçam que qualquer pessoa que apresente sintomas suspeitos após o consumo de bebidas alcoólicas deve procurar atendimento de emergência sem demora. Também é possível acionar o Disque-Intoxicação da Anvisa, no número 0800 722 6001, que funciona como canal de orientação e apoio em situações de risco.

A SES-MG explicou que a fiscalização da produção de bebidas alcoólicas cabe a órgãos ligados ao Ministério da Agricultura, Pecuária e Abastecimento (Mapa). Já a Vigilância Sanitária tem a atribuição de monitorar o comércio e os pontos de venda, atuando em conjunto com órgãos da agricultura quando há suspeita de adulteração. Recolhimentos de produtos só podem ocorrer mediante determinação legal, como notificações ou interdições cautelares expedidas pelas autoridades competentes.

Casos de disseminação de informações falsas em aplicativos de mensagem, como ocorreu com o áudio que citava o Hospital Orizonti, têm se tornado cada vez mais comuns e preocupam autoridades de saúde. Além de gerar pânico desnecessário, essas mensagens dificultam a atuação dos órgãos oficiais e desviam a atenção de informações realmente relevantes para a população.

O episódio ocorre em um momento em que o país acompanha com atenção os desdobramentos da crise relacionada à bebida alcoólica adulterada em São Paulo. Em Minas Gerais, embora não haja registros recentes, o alerta permanece. O estado reforça que qualquer suspeita deve ser comunicada imediatamente para garantir medidas de prevenção e evitar riscos à saúde coletiva.

Assim, a orientação das autoridades é clara: a população deve buscar informações apenas em fontes oficiais, como o Ministério da Saúde, a Secretaria de Estado de Saúde de Minas Gerais e a Prefeitura de Belo Horizonte. Mensagens recebidas em redes sociais sem comprovação não devem ser compartilhadas, já que podem contribuir para a propagação de desinformação em um tema sensível e de alta gravidade como a intoxicação por metanol.

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