Minas Gerais

Como superar a depressão e o ressentimento

Ômar Souki

Voltando no tempo, eu consigo me lembrar de uma época em que estive deprimido. Estava saindo de um relacionamento de anos. E, de repente, veio aquela falta de vontade de viver acompanhada de ressentimento. Revivia momentos de minha vida em que tinha sido injustiçado, mas que não tinha tido a coragem de me defender. Meus infortúnios e erros se transformaram em verdadeiros monstros mentais, que minavam as minhas energias. As realizações, conquistas e experiências agradáveis foram, de repente, apagadas. Só me lembrava dos tropeços. Fiquei apático. Admirava a força e a iniciativa de minha irmã Jane, médica, que estava fazendo de tudo para me tirar daquela letargia. Para piorar tudo, naquele ano, meu filho Oliver, de 39 anos, morreu em um acidente aéreo.     Eu—normalmente motivado e otimista—me perguntava, então, se algum dia conseguiria recuperar as forças. A depressão e o ressentimento se originam quando a pessoa permanece em uma situação de intenso desconforto emocional, mas não encontra forças para mudar. Enfim, é sofrer e não enfrentar a situação. Para sair da depressão, eu precisei de acompanhamento psiquiátrico. Além dos remédios, foi-me recomendado realizar caminhadas diárias, com a finalidade de aumentar a produção de endorfinas em meu sistema. Segui as recomendações do médico e, aos poucos, fui saindo daquele estado deplorável. Também houve outros fatores no meu processo de cura. A mágoa que eu guardava com relação a mim mesmo, precisava ser sanada com uma superdose de auto perdão. Pensava: “Se o apóstolo Paulo que perseguia, encarcerava e até matava cristãos, foi capaz de ser perdoado por Deus, acredito que eu também mereço ser perdoado pelas minhas inúmeras fraquezas”. Olhava para meu amigo Geraldo, sem o braço direito, e refletia: “Se o Geraldo consegue ter o ânimo e a iniciativa para fazer concertos de eletrodomésticos com um braço só, eu também conseguirei sair desta”. Ele havia perdido o braço ainda jovem quando trabalhava em uma lavanderia industrial e, por mero descuido, deixou que fosse moído por uma máquina. Pela sua atitude, eu percebia que ele tinha se perdoado.  Outro fator preponderante na superação da depressão e do ressentimento, foi a espiritualidade. Durante as caminhadas, rezava o rosário e pedia a Deus que me tirasse daquele estado de constantes autoacusações. Assistia a missa com frequência e recebia a Eucaristia.  Portanto, além dos remédios e do exercício físico, precisei também de inspirar-me em outras pessoas—me perdoar—e aprofundar o meu relacionamento com o Criador. Não me esqueci dos acontecimentos que provocaram aquele estado de exaustão emocional, mas consegui esvaziar a força deles. Em primeiro lugar agradeço ao meu Pai Celestial por ter colocado em meu caminho a dedicação e o empenho de minha irmã. Ela foi um dos fatores mais importantes no meu processo de cura, coadjuvada por remédios, pelas caminhadas orantes, pelo auto perdão e por uma maior intimidade com Deus.  

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