Minas Gerais

Cruzeiro e Máfia Azul são condenados a indenizar mãe de torcedor atleticano morto em emboscada

A Justiça de Minas Gerais condenou o Cruzeiro Esporte Clube e a torcida organizada Máfia Azul a indenizarem, de forma solidária, a mãe de Mateus Freitas Ferreira, torcedor do Atlético Mineiro morto em novembro de 2021, após uma emboscada em Belo Horizonte. A decisão é da 22ª Vara Cível da Comarca da capital, sob responsabilidade do juiz Christyano Lucas Generoso, e fixou em R$ 100 mil o valor a ser pago por danos morais. O magistrado também determinou o pagamento de custas processuais e honorários advocatícios, estipulados em 10% do valor da condenação.

O episódio ocorreu em 28 de novembro de 2021, após a partida entre Atlético e Fluminense, pelo Campeonato Brasileiro. Na ocasião, um ônibus coletivo da linha 6350 transportava cerca de 45 torcedores do Galo quando foi cercado, na região do Barreiro, por integrantes da Máfia Azul. Os agressores utilizaram pedaços de pau, barras de ferro, coquetéis molotov e fogos de artifício, que chegaram a incendiar o veículo e impedir a saída de vários passageiros.

Durante o ataque, Mateus tentou fugir do ônibus em chamas, mas acabou sendo perseguido e brutalmente agredido com pauladas. Gravemente ferido, foi socorrido e encaminhado a uma unidade de saúde, mas não resistiu e morreu dois dias depois. O caso teve grande repercussão e expôs mais uma vez a escalada de violência entre torcidas organizadas em Belo Horizonte.

Na denúncia do Ministério Público de Minas Gerais (MPMG), ficou comprovado que os envolvidos na emboscada eram integrantes da Máfia Azul, incluindo o então presidente da torcida organizada. Ao analisar a ação, o juiz entendeu que havia relação direta entre o clube, a torcida organizada e o episódio, aplicando a Lei do Esporte, que responsabiliza clubes por atos violentos praticados por torcidas a eles vinculadas, mesmo fora dos estádios.

A decisão ressaltou que o “modo como se deu a morte do filho da autora” configurou uma grave violação moral. Para o magistrado, a violência premeditada contra torcedores adversários, culminando em morte, impôs sofrimento extremo à mãe de Mateus, justificando a indenização. O Cruzeiro e a Máfia Azul, portanto, foram considerados solidariamente responsáveis.

Esse não foi o primeiro julgamento relacionado ao caso. Em agosto deste ano, a mesma Vara Cível já havia condenado o Cruzeiro e a Máfia Azul a indenizar o pai da vítima em igual valor de R$ 100 mil, também por danos morais. Com isso, a Justiça mineira reconhece o direito de ambos os pais a receber reparação pelo sofrimento causado pela perda do filho.

Além da esfera cível, processos criminais relacionados ao ataque resultaram em condenações severas. Dois envolvidos, Walker Marcelino Gouveia Lopes e Gustavo Luiz da Silva, foram condenados a 56 e 61 anos de prisão, respectivamente. Outros acusados ainda aguardam julgamento por homicídio consumado e tentativas de homicídio contra os demais torcedores feridos. Ao todo, 11 pessoas ficaram machucadas na emboscada.

O caso reforça a tendência do Judiciário em ampliar a responsabilização de clubes e torcidas organizadas por episódios de violência. Especialistas avaliam que a decisão pode abrir precedentes para novas ações semelhantes, aumentando a pressão sobre as agremiações para que atuem de forma mais ativa no controle e na prevenção de práticas violentas ligadas às suas torcidas.

Procurado pela imprensa, o Cruzeiro não se manifestou oficialmente sobre a decisão até a última atualização das reportagens publicadas em veículos locais. A Máfia Azul também não comentou a condenação. Cabe recurso da decisão, mas enquanto isso, os valores fixados permanecem devidos aos familiares da vítima.

O processo da mãe de Mateus tramita sob o número 5086836-73.2023.8.13.0024. A decisão é mais um capítulo de uma tragédia que escancarou os riscos da violência entre torcidas organizadas e reforçou o debate sobre a responsabilidade civil e moral de clubes e entidades esportivas diante de condutas criminosas de seus associados.

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