Minas Gerais

Meditações de Marco Aurélio

Ômar Souki

Caiu em minhas mãos o livro Meditações do imperador romano Marco Aurélio. A ideia que se tem daqueles governantes da antiga Roma é que eram totalitários, violentos e soberbos. Mas no ano de 161 subiu ao poder Marco Aurélio, um soberano diferente, que se preocupava mais com a melhoria da qualidade de vida de seus súditos do que com seus ganhos pessoais. Seu livro é constituído de uma série de orientações para o seu próprio aprimoramento e tem sido também usado através dos séculos como um guia de desenvolvimento pessoal.

Na introdução da obra pode-se ler: “Sua educação foi conduzida com todo o cuidado. Os mais hábeis mestres foram contratados para instruí-lo. Assim, Marco foi educado na estrita doutrina da filosofia estoica, seu grande prazer. Foi ensinado a se vestir e viver com simplicidade, a evitar qualquer suavidade e luxo. Seu corpo foi treinado para ser resistente à luta, à caça e aos jogos ao ar livre. […] Ao mesmo tempo, foi mantido longe das extravagâncias de sua época” (pp. 11-12).

“Lembre-se de que a sua mente faz parte daquela natureza que se torna totalmente inconquistável, quando uma vez recolhida em si, ela não busca outro conteúdo que não esse, pelo qual ela não pode ser forçada. […] Que o seu forte e local de defesa principais sejam uma mente livre de paixões. Um lugar mais forte (para onde se refugiar e, por consequência, tornar-se inexpugnável) e mais bem fortificado do que esse não haverá. Aquele que não vê tal coisa é inculto. Aquele que o vê, mas não se dirige a esse lugar de refúgio, é infeliz” (p. 117). Essa reflexão do imperador-filósofo me remete à prática da meditação silenciosa e do recolhimento. Por mais agitado que esteja o mundo lá fora, quando entro em meu quarto, respiro fundo e fecho os olhos, eu me conecto com essa realidade imbatível que é o meu universo interior.

São momentos em que—liberto das paixões—posso navegar em direção ao cultivo das quatro virtudes enfatizadas por Marco Aurélio: a sabedoria, a coragem, a justiça e a moderação. A sabedoria se baseia no discernimento entre o que posso controlar e o que não posso. Isto é, consigo gerenciar minhas atitudes e reações aos acontecimentos, mas não consigo controlar a política, a natureza, nem muito menos as atitudes alheias. Quando foco a minha atenção nas coisas que posso mudar em mim mesmo, entro na zona de influência. Mas, quando coloco a minha energia pessoal naquilo que não posso mudar, entro na zona de preocupação. Quanto maior for a minha zona de influência, menor será a minha zona de preocupação, e vice-versa.

A coragem nos proporciona resiliência frente aos desafios da vida. Jamais desistir frente ao infortúnio. A justiça estimula o equilíbrio entre a responsabilidade e a liberdade pessoal. Saber desfrutar da liberdade com a plena consciência de nossos deveres. A moderação promove a suavidade e o bom senso durante o nosso dia a dia. De posse da sabedoria, da coragem, da justiça e da moderação estamos prontos para seguir de acordo com o ideal de Marco Aurélio: “…cada ação sua deve tender à perfeição e à consumação de uma vida que seja verdadeiramente sociável” (p. 127).  

Portal G37

Portal de Notícias de Divinópolis e Região Centro-Oeste de Minas Gerais
Botão Voltar ao topo

Bloqueador de Anúncio Detectado

Nosso conteúdo é gratuito e o faturamento do nosso portal é proveniente de anúncios. Desabilite o seu bloqueador de anúncios para ter acesso ao conteúdo do Portal G37.