PCMG conclui inquérito sobre duplo feminicídio no Buritis, zona rural de Divinópolis

A cidade de Divinópolis ainda vive dias de luto após o crime brutal que tirou a vida da servidora municipal Maria Gorete de Oliveira, de 56 anos, e deixou gravemente ferida sua filha, Lorraine Reisla de Oliveira, de 30. O duplo feminicídio ocorreu no dia 29 de agosto, na comunidade rural do Buritis, e chocou toda a região. O caso, agora elucidado, teve como autor confesso Júlio Katokas, de 39 anos, ex-companheiro de Lorraine, que não aceitava o fim do relacionamento.
De acordo com as investigações concluídas pela Polícia Civil de Minas Gerais (PCMG), o crime aconteceu dentro da casa onde mãe e filha viviam, quando Júlio, armado com uma pistola calibre 9mm, decidiu atacar a ex-companheira. No momento em que a discussão começou, Maria Gorete tentou intervir em defesa da filha e acabou sendo atingida pelos disparos fatais. Lorraine também foi baleada e socorrida em estado gravíssimo ao Hospital São João de Deus, onde passou por cirurgia para retirada de uma bala alojada na cabeça.
Lorraine, mãe de duas crianças de três e seis anos, segue internada em acompanhamento médico intensivo. O crime causou profunda comoção entre colegas de trabalho da servidora, familiares e moradores do Buritis, que descreveram Maria Gorete como uma mulher generosa, dedicada à família e reconhecida por seu compromisso profissional na Prefeitura de Divinópolis.
Segundo a PCMG, Júlio Katokas foi localizado pouco tempo depois do crime, durante rastreamento realizado pela Polícia Militar, nas proximidades da zona rural. Ele estava em um veículo e confessou a autoria dos disparos, afirmando que agiu após um desentendimento com a ex-companheira no momento em que retirava seus pertences da residência. A arma usada, uma pistola 9mm de uso restrito, foi apreendida no interior do carro.
O autor possuía registro como Colecionador, Atirador Desportivo e Caçador (CAC), o que lhe garantia a posse, mas não o porte da arma. Ele foi preso em flagrante e teve a prisão convertida em preventiva. Desde então, permanece recolhido no sistema prisional, à disposição da Justiça.
As investigações conduzidas pela Delegacia Especializada de Atendimento à Mulher (Deam) de Divinópolis apontaram que, embora não houvesse registros formais de ameaças, Lorraine era vítima de violência psicológica e controle excessivo, típicos de relacionamentos abusivos. Testemunhas afirmaram que o comportamento possessivo e os ciúmes de Júlio se intensificaram nos meses anteriores ao crime, e que Lorraine havia decidido encerrar a relação poucos dias antes do ataque.
De acordo com o inquérito, o rompimento foi o fator desencadeante da tragédia. Mensagens analisadas pela polícia indicam que o agressor apresentava sinais de desequilíbrio emocional e vinha pressionando a vítima para reatar o relacionamento. A tentativa de retirada dos pertences da casa, no dia do crime, foi o momento em que ele decidiu agir.
Os laudos periciais e os depoimentos de testemunhas reforçaram a sequência dos fatos e a motivação do crime. O delegado responsável destacou que o caso é um exemplo trágico da escalada de violência doméstica que muitas vezes começa com agressões psicológicas e culmina em assassinatos. O inquérito foi concluído com o indiciamento de Júlio Katokas por feminicídio consumado e tentado, crimes considerados hediondos pela legislação brasileira.
A morte de Maria Gorete de Oliveira e a luta pela vida de Lorraine Reisla reacenderam o debate sobre a necessidade de ampliar a rede de proteção às mulheres em situação de vulnerabilidade. A Delegacia da Mulher reforçou que qualquer sinal de ameaça, intimidação ou controle deve ser denunciado imediatamente, e que as vítimas podem buscar ajuda por meio dos canais 180 e 190, ou diretamente nas delegacias especializadas.
A conclusão do inquérito pela PCMG encerra uma etapa do processo, mas deixa uma marca profunda na comunidade. Familiares e amigos seguem mobilizados em campanhas de solidariedade e oração pela recuperação de Lorraine, enquanto a cidade se despede de Maria Gorete, lembrada como símbolo de coragem e amor incondicional.


















