Polícia Civil conclui inquérito e indicia trio por homicídio brutal de jovem dono de oficina em Divinópolis

A Polícia Civil de Minas Gerais concluiu as investigações sobre o homicídio de Kevin Costa Lopes, de 26 anos, ocorrido em janeiro deste ano na comunidade do “49”, em Divinópolis. O caso, que se tornou o primeiro homicídio consumado de 2025 no município, expôs a violência da disputa entre facções rivais ligadas aos bairros Quintino e Nações e revelou detalhes de um sequestro seguido de execução. Três homens foram formalmente indiciados e permanecem presos preventivamente.
Kevin era proprietário de uma oficina de som automotivo no bairro Paraíso e foi morto após presenciar um confronto entre dois criminosos rivais dentro de seu estabelecimento. No dia 13 de janeiro, João Vitor Ferreira Beirigo, ligado ao grupo do Quintino, estava no local para manutenção de um som automotivo quando chegou Felipe Cassiano Ribeiro, o “Amarelo”, apontado como liderança da facção rival do bairro Nações. Após discussão, João foi baleado na perna e “Amarelo” fugiu.

Três dias depois, integrantes da quadrilha do Quintino sequestraram Kevin e um amigo, obrigando-os a indicar o paradeiro de “Amarelo”. A vítima foi levada até a casa do rival, mas, ao chamá-lo discretamente com receio de represálias, constatou que o imóvel estava vazio. Frustrados por não encontrarem o alvo, os criminosos decidiram punir Kevin. Ele foi torturado e executado com vários disparos na comunidade do “49”. O amigo conseguiu escapar e acionou a polícia.
Segundo o laudo médico-legal, a execução teve requintes de crueldade. O perito Lucas Amaral apontou múltiplas lesões no crânio causadas por instrumento contundente e 15 disparos de arma de fogo, a maioria pelas costas. A causa da morte foi politraumatismo e hemorragias internas. Para a polícia, o crime foi uma tentativa de mostrar força da facção do Quintino frente aos rivais do Nações, ampliando a violência do conflito.
Durante as investigações, a Polícia Civil identificou três envolvidos diretos no homicídio. Um deles é Lucas Correia Ramos, conhecido como “Luquete”, de 27 anos, considerado chefe do tráfico local. Ele foi preso em Campo Grande (MS) no último domingo (14), após operação interestadual de inteligência. Os outros dois indiciados tiveram seus nomes mantidos em sigilo devido a investigações em andamento, mas ambos já cumprem prisão preventiva.
As apurações também apontaram a participação de um quarto envolvido, ainda sob investigação. A polícia acredita que o grupo tinha como principal motivação vingar a tentativa de homicídio contra João Vitor e consolidar o domínio territorial na região. Os mandados de prisão e as diligências contaram com o apoio das polícias Militar e Civil de diferentes estados.
A operação “Território Inimigo”, deflagrada nos meses seguintes ao crime, foi responsável por prender parte dos suspeitos em Divinópolis e localizar “Luquete” no Mato Grosso do Sul. De acordo com o comandante do 23º Batalhão, coronel Alexandre Souza, a troca de informações entre agências de segurança foi decisiva para a captura. “Essa integração foi fundamental para retirar de circulação criminosos de alta periculosidade e dar uma resposta à sociedade”, afirmou.
A vítima, Kevin Costa, havia tido passagem pela polícia em 2016, mas, segundo a família, havia se afastado da criminalidade para se dedicar ao trabalho e à vida pessoal. Sua morte teve forte impacto na comunidade, já que era reconhecido como jovem trabalhador e empreendedor. O caso mobilizou forças policiais e trouxe à tona a vulnerabilidade de moradores que, mesmo sem envolvimento direto com o crime, acabam sendo atingidos pela violência de facções rivais.
João Vitor e Felipe Cassiano, o “Amarelo”, pivôs do conflito que desencadeou o homicídio, estão atualmente presos por tráfico de drogas. O inquérito concluído pela Polícia Civil foi encaminhado à Justiça, que dará prosseguimento ao processo criminal contra os três indiciados. Eles responderão por homicídio qualificado, sequestro, tortura e tentativa de homicídio, somando penas que podem ultrapassar décadas de prisão.
Para as autoridades, o caso de Kevin ilustra o risco que disputas de facções representam para a população. A Polícia Civil reafirmou que continuará com investigações e operações direcionadas ao combate ao tráfico de drogas e ao crime organizado na região, buscando reduzir a influência desses grupos e evitar que episódios semelhantes voltem a ocorrer em Divinópolis.


















